Introdução ao Estudo dos Credos e Confissões (31) – A Igreja Presbiteriana do Brasil e os Símbolos de Fé (4)

Este artigo é continuação do artigo: Introdução ao Estudo dos Credos e Confissões (30) – A Igreja Presbiteriana do Brasil e os Símbolos de Fé (3)

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O Presbitério e seus símbolos

Primeira Igreja Presbiteriana de Filadélfia, onde aconteceu o primeiro encontro do Presbitério

Com a organização de um Presbitério nacional ligado ao Sínodo de Baltimore, significa que o sistema de liturgia, disciplina e doutrina daquele Sínodo é também adotado aqui. Pois bem, em 1716 os três Presbitérios americanos de Filadelphia, Newcastle e Long Island[1] constituíram o Sínodo de Filadélfia que, em 19/09/1729, adotou como Símbolo de Fé a Confissão de Fé e os Catecismos Maior e Menor de Westminster, com exceção dos capítulos que se referiam aos magistrados civis.[2] Esta decisão ficou conhecida como “Ato de Adoção”.[3] Refletindo a teologia calvinista no presbiterianismo americano, os símbolos de Westminster foram revisados e emendados em 1787 e confirmados em maio de 1789, na organização da Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos.[4] Desta forma, podemos concluir que os Símbolos de Westminster foram adotados no Presbiterianismo brasileiro desde a sua implantação.

 

A Escola Dominical entre os Presbiterianos

 

O ensino de Catecismo era parte integrante do pastorado de Simonton. Como vimos, o seu primeiro trabalho em português foi uma Escola Dominical em 22/04/1860. Os textos usados com as cinco crianças presentes (três americanas da família Eubank e duas alemãs da família Knaack) foram: A Bíblia, O Catecismo de História Sagrada[5] e o Progresso do Peregrino, de Bunyan.[6] Duas das crianças, Amália e Mariquinhas (Knaack), confessaram ou demonstraram na segunda aula (29/04/1860) terem dificuldade em entender John Bunyan.[7]

 

Aqui nós vemos delineados os princípios que caracterizariam a nossa Escola Dominical: O estudo das Escrituras, o estudo da história Bíblica por meio do Catecismo de História Sagrada[8] e com uma aplicação ética e mística, por intermédio do Progresso do Peregrino.

 

Na edição de 04/02/1865 da Imprensa Evangélica, deu-se início à publicação de um “Breve catecismo para meninos”, com uma nota de agradecimento:

 

Sumamente gratos à digna senhora que nos ofereceu esta tradução do inglês, nós chamamos a atenção dos senhores pais de família para estas doutrinas tão puras e salutares; e o fazemos com a melhor boa vontade, porquanto também nos lisonjeia a colaboração de tão eminente tradutora.[9]

 

No seu relatório ao Presbitério de 1867, Simonton diz que havia dois cultos na Igreja e um às quartas-feiras, fazendo uma modificação no culto matinal, realizando “um exercício mais familiar, os membros da igreja tomando parte mais ativa nas orações e meditação que são o fim dessa reunião”.[10]

 

Entendendo que a Igreja deve ser uma escola para o crente, adotou a prática de uma vez por mês substituir o sermão “pelo estudo e a explicação do breve catecismo (de Westminster?)”, crendo que “a excelência desta exposição das doutrinas da salvação é reconhecida por todos”. Seu objetivo era preparar os crentes para defender-se dos ataques incrédulos; portanto, “estou fazendo o que está em mim para gravar este catecismo na memória de todos”.[11]

 

Maringá, 15 de janeiro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


 

[1] O Rev. Francis Makemie (1658-1708) foi enviado pelas Igrejas da Escócia como missionário a América, pregando exaustivamente em várias cidades, estabelecendo a primeira Igreja Presbiteriana em Maryland no ano de 1684. (Morton H. Smith, Studies in Southern Presbyterian Theology, New Jersey: Presbyterian and Reformed Publishing Company, 1987, p. 18-20; Mark A Noll, A History of Christianity in the United States and Canada, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1993 (Reprinted), p. 68).

[2] Cf. E.F. Hatfield, Presbyterian Churches: In: Philip Schaff, ed. Religious Encyclopaedia: or Dictionary of Biblical, Historical, Doctrinal, and Practical Theology, Chicago: Funk Wagnalls, Publishers, 1887 (Revised Edition), v. 3, p. 1906-1907; Archibald A. Hodge, Confissão de Fé Westminster Comentada por A.A. Hodge, São Paulo: Editora os Puritanos, 1999, p. 45; Morton H. Smith, Studies in Southern Presbyterian Theology, p. 23,25; Kevin Reed, Introductory Essay. In: Samuel Miller, Doctrinal Integrity, Dallas, Texas: Presbyterian Heritage Publicacions, 1989, p. xv; E.E. Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, São Paulo:  Vida Nova, 1984, 315; George S. Hendry, La Confesion de Fe de Westminster, para el día de hoy, Bogotá: CCPAL, 1966, p. 14.

[3] “Este Ato de Adoção convocava também os presbitérios a providenciarem para que nenhum candidato ao ministério fosse admitido sem subscrever todos os artigos essenciais e necessários da Confissão ou dos Catecismos. Providenciava também para que, caso qualquer ministro do Sínodo não pudesse aceitar algum artigo julgado necessário e essencial pelo presbitério, este presbitério o declarasse impossibilitado de continuar como membro daquele corpo” (C. Gregg Singer, Os Irlandeses-escoceses na América: In: W. Stanford Reid, editor. Calvino e Sua Influência no Mundo Ocidental, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1990, p. 333-334).

[4] Morton H. Smith, Studies in Southern Presbyterian Theology, p. 29; Archibald A. Hodge, Confissão de Fé Westminster Comentada por A.A. Hodge, p. 45.

[5]Estou convencido de que este Catecismo seja o mesmo que ele publicou parcialmente na Imprensa Evangélica, em geral uma parte por mês, a partir da edição de 16/02/1867 até 16/11/1867, sob o título “Catecismo da historia da nossa redempção”.

[6]Diário, 28/04/1860.

[7]Diário, 01/05/1860.

[8]Em 1867, A Imprensa dá a publicação do Catecismo (Catecismo da História da nossa Redenção), iniciando com uma nota explicativa:

     “A Bíblia em grande parte é história, e o plano da nossa redenção atravessa longos séculos, começando a descobrir-se a Adão e Eva e alcançando o seu perfeito desenvolvimento com a descida do Espírito Santo no dia de Pentecoste.

            “Se queremos compreender a Bíblia e torná-la compreensível aos outros, é mister darmos a devida importância à sua forma histórica. É necessário acompanhar passo a passo o desenvolvimento do plano de Deus em relação à nossa raça e comentar os fatos na ordem em que se sucedem” (Imprensa Evangélica, 16/02/1867, p. 27).

Conforme mencionei, este Catecismo seria publicado até a Imprensa de 16/11/1867, com a promessa de continuar. No entanto, Simonton morreria semanas depois, o que me leva a crer que o referido trabalho era de sua autoria.

[9] Imprensa Evangélica, 04/02/1865, p. 8. Este Catecismo foi publicado até a edição de 06/5/1865 (o jornal saiu erradamente com a data de 1864), perfazendo um total de 203 perguntas. Não consegui identificar a origem do referido Catecismo; todavia sabemos que não é o Breve Catecismo de Westminster.

[10] Relatório de Simonton apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro no dia 12/07/1867, p. 3

[11] Relatório de Simonton apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro no dia 12/07/1867, p. 5 do seu relatório individual.

Introdução ao Estudo dos Credos e Confissões (30) – A Igreja Presbiteriana do Brasil e os Símbolos de Fé (3)

Este artigo é continuação do artigo: Introdução ao Estudo dos Credos e Confissões (29) – A Igreja Presbiteriana do Brasil e os Símbolos de Fé (2)

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Primeiro Presbitério

A Igreja crescia: agora temos um Presbitério. Assim, no sábado, 16/12/1865,1 organizou-se o Presbitério do Rio de Janeiro, em reunião na casa de Blackford, à Rua São José, nº 1, São Paulo.2 O Presbitério era composto por três pastores: A.G. Simonton, do Presbitério de Carlisle; A. L. Blackford, do Presbitério de Washington e F.J.C. Schneider, do Presbitério de Ohio. Mediante proposta de Simonton, Blackford foi escolhido moderador, ficando Schneider como secretário temporário e Simonton como Secretário Permanente. O Presbitério do Rio de Janeiro (organizado em São Paulo), ficou sob a jurisdição do Sínodo de Baltimore.3 Segundo Landes, na ocasião os missionários apresentaram cartas de transferência dos seus respectivos presbitérios para o Presbitério do Rio.4

Primeiro Pastor brasileiro

Nesse mesmo dia o ex-padre José Manoel da Conceição (1822-1873) foi examinado quanto ao seu desejo de ser Ministro do Evangelho: “principiando pelo exame de costume sobre os motivos que influíram nele para que desejasse ser incumbido do Ministério do Evangelho”,5 feitos outros de praxe e depois Conceição declarou aceitar a Confissão de Fé (de Westminster) e a Forma de Governo da Igreja Presbiteriana. Mediante proposta de Simonton, o Presbitério votou favorável, dispensando-o inclusive dos “demais exames e formalidades exigidos”, não, porém de um sermão pregado como de praxe. Foi marcado o dia seguinte às 10h30, sendo inclusive indicado o texto do sermão: Evangelho de Lucas, capítulo 4, versos 18 e 19.6

No dia seguinte, à hora marcada, após a abertura da Sessão, pregou Conceição com uma audiência de cerca de 25 pessoas. O sermão foi aprovado. Às 17 horas, com a parênese de Simonton, baseada em 2Coríntios 5, verso 20, o Presbitério procedeu a ordenação do Rev. José Manoel da Conceição;7 o primeiro pastor brasileiro. O Presbitério passou a contar agora com quatro pastores.8

Ainda não havia presbíteros na Igreja Presbiteriana no Brasil.9 O Presbitério era formado por três igrejas: a do Rio de Janeiro, São Paulo e Brotas.

 

 

Maringá, 15 de janeiro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


1 Simonton na ata citou janeiro de 1866; todavia mais tarde verificou-se o erro e corrigiu-se na própria ata apresentando a data de 16/12/1865. Para a verificação correta, o Presbitério do Rio de Janeiro nomeou uma Comissão que deu seu relatório explicando o equívoco de Simonton. Veja-se relatório da mesma Reunião do Presbitério do Rio de Janeiro de 06/09/1884, “nona sessão”, p. 371-372. A comissão era composta pelos pastores: A.L. Blackford (relator), F.J.C. Schneider e Robert Lenington. Ao Rev. Modesto P.B. Carvalhosa, como Secretário Permanente do Presbitério, coube a tarefa de providenciar a retificação onde coubesse. No final da primeira ata do Presbitério a correção é feita com a assinatura de Carvalhosa. (Veja-se: Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, p. 7. Fonte manuscrita).

2 O livro de atas tem em sua primeira página a inscrição: “Actas do Presbyterio do Rio de Janeiro constituído em São Paulo a 16 de dezembro de 1865 – Livro Primeiro”.

3 Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, p. 2.

4 Philip S. Landes, Ashbel Green Simonton, Fort Worth, Texas: Don Cowan Company, 1956, p. 67. A ata de organização não cita esse fato, no entanto, é possível e até natural que tenha ocorrido.

5 Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, p. 2-3.

6 Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, p. 4-5.

7 Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, p. 6; Boanerges Ribeiro, O Padre Protestante, 2. ed. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1979, p. 138-141.

8 O cirurgião americano radicado no Brasil desde o fim da Guerra Civil, James McFadden Gaston (1824-1903), um dos participantes da reunião, referindo-se à ordenação de Conceição, escreveu de forma profética: “Este acontecimento representa um passo importante no progresso do protestantismo neste país papal; o caráter desse homem, e sua influência entre o povo, vão ter, fora de toda dúvida, efeito considerável sobre a mente popular” (James F. Hunting a Home in Brazil, p. 271-272. Apud Júlio A. Ferreira, História da Igreja Presbiteriana do Brasil, v. 1, p. 61)

9Os primeiros oficiais só seriam eleitos em 1866: Os Diáconos (02/04/1866) e os Presbíteros em 07/07/1866. (Veja-se: Relatório de Simonton apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro no dia 10/07/1866, p. 7-8; Vicente T. Lessa, Annaes da 1ª Egreja Presbyteriana de São Paulo, p. 41).

Introdução ao Estudo dos Credos e Confissões (29) – A Igreja Presbiteriana do Brasil e os Símbolos de Fé (2)

Este artigo é continuação do artigo: Introdução ao Estudo dos Credos e Confissões (28) – A Igreja Presbiteriana do Brasil e os Símbolos de Fé (1)

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Segunda Igreja Presbiteriana no Brasil

Primeira Igreja Presbiteriana de São Paulo e segunda do Brasil

A segunda Igreja, foi organizada em São Paulo, por Blackford, em 5/3/1865, à Rua São José, nº 1 (hoje Líbero Badaró), permanecendo neste endereço até 1876.1 Na ocasião foi celebrada a Santa Ceia pela terceira vez em São Paulo. Dezoito pessoas comungaram e a Igreja recebeu seis novos membros por Profissão de Fé e Batismo.2 Simonton pregou na ocasião.3 Lessa observa que não há registro de organização de Igreja, apenas se menciona a celebração da Ceia e a recepção de membros; todavia “a data ficou tradicional.”4

Terceira Igreja Presbiteriana no Brasil

Blackford

A terceira Igreja foi organizada também por Blackford, em Brotas, interior de São Paulo, numa terça feira, em 13/11/1865, na casa do Sr. Antônio Francisco de Gouveia.5 Conceição foi o pregador. À ocasião, 11 pessoas foram recebidas por Profissão de Fé e Batismo; eram todas provenientes do Catolicismo. Celebrou-se a Ceia do Senhor.6 O Rev. Blackford visitara Brotas pela primeira vez em fevereiro de 1865, “onde pregou o Evangelho pela primeira vez no domingo 5 do mesmo mês a 10 pessoas, em casa de Dª Antonia Justina do Nascimento na vila. Em seguida pregou (…) em casa do Sr. Antonio (ilegível) Gouvêa a 40 pessoas e duas vezes em casa do Sr. Manoel José Ribeiro a 15 e 30 pessoas respectivamente”.7

O trabalho fora intenso; havia um revezamento constante e dedicado: Blackford, Simonton, Chamberlain, Conceição,8 Pitt e Pires.9

Blackford relata:

Em fevereiro de 1865 visitei pela primeira vez a vila e o Distrito de Brotas…. em março e abril os Srs. Simonton e Chamberlain também foram lá…. em junho do mesmo ano, o Sr. Bastos10 visitou o lugar com livros e trabalhou com sucesso. Em outubro e novembro desse ano, Conceição e eu passamos uns 20 dias pregando e ensinando constantemente na vila e nos sítios do Distrito.11

O trabalho crescia rapidamente; em cada registro das “Actas da Sessão ou dos Pastores”, constava o número de novos convertidos que professavam sua fé: Como vimos, na organização da Igreja: 11 pessoas (13/11/1865). A Igreja aumentava: sete pessoas (maio de 1866); quatro Profissões de Fé e Batismo, e nove Batismos Infantil (20/10/1866); oito Profissões de Fé e Batismo, uma Profissão de Fé (a pessoa já fora batizada) (21/10/1866). Este ritmo continuou.12 Brotas se tornará o grande celeiro de Reforma Evangélica.13

Brotas só viria ter um pastor residente em 04/09/1868, com a vinda do Rev. Robert Lenington (1833-1903),14 quem mais tarde organizaria a Igreja de Borda da Mata, a primeira em Minas Gerais.

 

 

Maringá, 15 de janeiro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


 

1Cf. O Estandarte 18/01/1912, p. 9.
2Cf. Relatório de Blackford apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro, Sessão de 10/07/1866. In: Coleção Carvalhosa Relatórios Pastorais, 1866-1875, p. 19-20. (Fonte manuscrita)
3Vicente T. Lessa, Annaes da 1. Egreja Presbyteriana de São Paulo, São Paulo: Edição da 1. Egreja Presbyteriana Independente, 1938, p. 31; Boanerges Ribeiro, Protestantismo e Cultura Brasileira, p. 49; B. Ribeiro, O Padre Protestante, 2. ed. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1979, p. 134.
4Vicente T. Lessa, Annaes da 1. Egreja Presbyteriana de São Paulo, p. 31.
5O Rev. Blackford visitou Brotas pela primeira vez em fevereiro de 1865, “onde pregou o Evangelho pela primeira vez no domingo 5 do mesmo mês a 10 pessoas, em casa de D. Antonia Justina do Nascimento na vila. Em seguida pregou (…) em casa do Sr. Antonio (ilegível) Gouvêa a 40 pessoas e duas vezes em casa do Sr. Manoel José Ribeiro a 15 e 30 pessoas respectivamente” (Livro de Atas da Igreja Evangélica Presbiteriana de Brotas, Livro I, p. 2 (Fonte manuscrita)).
6Cf. Relatório de Blackford apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro, Sessão de 10/07/1866. In: Coleção Carvalhosa Relatórios Pastorais, 1866-1875, p. 23. (Fonte manuscrita); Livro de Atas da Igreja Evangélica Presbiteriana de Brotas, Livro I, p. 3 e 31 (Fonte manuscrita); Blackford, In: Boanerges Ribeiro, Protestantismo e Cultura Brasileira, p. 311; Vicente T. Lessa, Annaes da 1. Egreja Presbyteriana de São Paulo, p. 34-35.
7Livro de Atas da Igreja Evangélica Presbiteriana de Brotas, Livro I, p. 2 (Fonte manuscrita).
8 O próprio Conceição relata ao Presbitério suas andanças:“Aos 28 de fevereiro de 1866 saí de São Paulo pregando o Evangelho. Tomei a estrada do Sul para Sorocaba…. Segui para Capivari e Piracicaba, onde não preguei, cheguei a São João do Rio Claro, onde preguei e segui para Brotas, onde por muitos dias me conservei com os revs. srs. Schneider e Chamberlain visitando e pregando na vila e pelos sítios com resultados abençoados por Deus pois que muitas conversões tiveram lugar em famílias inteiras.“Depois de aí termos celebrado a Ceia do Senhor partimos ficando eu doente em casa do sr. José de Castilho e seguindo os revs. Schneider e Chamberlain para Rio Claro.“Logo que me senti melhor preguei e visitei os crentes na Serra do Itaqueri, estive alguns dias em casa do sr. Paula Lima no campo, preguei no Bairro da fazenda onde moços e meninos deram muita vaia.“Segui para Rio Claro onde preguei em casa do rev. sr. Schneider, pastor, ouvindo o Vigário e grande número de povo. Segui para Limeira, onde preguei em casa do sr. Manoel Joaquim de Melo, que tem casa de jogo, e muitos entre os quais alguns doutores em direito e medicina….” (Relatório de Conceição apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro, Sessão de 10/07/1866)
9Livro de Atas da Igreja Evangélica Presbiteriana de Brotas, Livro I, p. 2-4 (Fonte manuscrita); Boanerges Ribeiro, José Manoel da Conceição e a Reforma Evangélica, São Paulo: Livraria O Semeador, 1995, p. 49ss.
10 Certamente o Sr. Manoel Pereira Bastos, agente da Sociedade Bíblica Americana (Cf. Livro de Atas da Igreja Evangélica Presbiteriana de Brotas, Livro I, p. 2-3 (Fonte manuscrita); Relatório de Blackford apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro, Sessão de 10/07/1866. In: Coleção Carvalhosa – Relatórios Pastorais, 1866-1875, p. 18. (Fonte manuscrita).
11Relatório de Blackford apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro, Sessão de 10/07/1866. In: Coleção Carvalhosa Relatórios Pastorais, 1866-1875, p. 22-23 (Fonte manuscrita).
12Veja-se: Livro de Atas da Igreja Evangélica Presbiteriana de Brotas, Livro I, p. 31ss. (Fonte manuscrita).
13 Veja-se: Boanerges Ribeiro, O Padre Protestante, p. 123-132; Émile G. Léonard, O Protestantismo Brasileiro, p. 58-60.
14Livro de Atas da Igreja Evangélica Presbiteriana de Brotas, Livro I, p. 4 (Fonte manuscrita); Blackford, In: Boanerges Ribeiro, Protestantismo e Cultura Brasileira, p. 311; Boanerges Ribeiro, José Manoel da Conceição e a Reforma Evangélica, p. 52; Boanerges Ribeiro, O Padre Protestante, p. 132.

Introdução ao Estudo dos Credos e Confissões (28) – A Igreja Presbiteriana do Brasil e os Símbolos de Fé (1)

Este artigo é continuação do artigo: Introdução ao Introdução ao Estudo dos Credos e Confissões (27) – Principais Catecismos e Confissões Reformados (3)

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A Igreja Presbiteriana do Brasil completará em agosto 

(2019), 160 anos. A data comemorativa refere-se à chegada de Ashbel Green Simonton (1833-1867) ao Brasil, proveniente dos Estados Unidos, em 12/08/1859. Simonton veio como Missionário da Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana da América do Norte.

Simonton que já havia estudado português em New York, dedicou-se aqui, com afinco ao estudo da nossa língua, iniciando uma Escola Bíblica Dominical em 22/4/1860.1

Em 25/7/1860 chega outro missionário enviado pela mesma Missão: Rev. Alexander Lattimer Blackford (1829-1890), acompanhado de sua esposa, Elizabeth, irmã de Simonton. O terceiro missionário, o Rev. F.J.C. Schneider (1832-1910), chegou em 7/12/1861.

Primeira Igreja Presbiteriana no Brasil

Finalmente em 12 de janeiro de 1862, organizou a Primeira Igreja Presbiteriana no Brasil, na Capital do Império, Rio de Janeiro, à Rua Nova do Ouvidor nº 31, com as duas primeiras Profissões de Fé: Um comerciante, norte-americano, Henry E. Milford (com cerca de 40 anos), natural de Nova Iorque, que veio para o Brasil como agente da Singer Sewing Machine Company e Camilo Cardoso de Jesus (com cerca de 36 anos),2 que posteriormente mudou o seu nome para Camilo José Cardoso.3 Ele era natural da cidade do Porto, Portugal, sendo padeiro e, ex-foguista em barco de cabotagem.4 Ambos eram assíduos desde o início dos trabalhos promovidos por Simonton.5 O Sr. Cardoso seria mais tarde o primeiro diácono eleito nesta Igreja (02/04/1866), conservando-se neste ofício até à morte.6

Como o Sr. Milford já fora batizado na infância na Igreja Episcopal, não foi rebatizado.7 Já o Sr. Camilo por ser proveniente do Romanismo, foi rebatizado (este era o seu desejo).8 Apesar de Simonton ter titubeado diante do problema de batizar ou não batizar o Sr. Cardoso, conversando com os seus colegas, ouvindo a opinião de Kalley e, até mesmo consultando a Junta Missionária em Nova Iorque,9 o rebatismo de católicos convertidos estava em harmonia com a legislação da Igreja Presbiteriana da América, que em 1835 decidira o seguinte: “(…) A Igreja Católica Romana apostatou essencialmente a religião de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e, por isso, não é reconhecida como igreja cristã”.10

Em 1845, mediante consulta ao Presbitério de Ohio, se o Batismo da Igreja de Roma era válido, decidiu:

A resposta a essa questão envolve princípios vitais para a paz, a pureza e a estabilidade da Igreja de Deus. Após ampla discussão, que se estendeu por diversos dias, a Assembleia decidiu, pela quase unanimidade de votos (173 a favor e 8 contra), que o batismo administrado pela Igreja de Roma não é válido.11

 

 

Maringá, 15 de janeiro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa


1Este tipo de trabalho – até onde sabemos –, fora iniciado pelos Metodistas no Rio de Janeiro, por intermédio do Rev. Justin Spaulding, no domingo, 01 de maio de 1836. Todavia, este trabalho teria curta duração, já em 1841 a Missão Metodista, por diversas razões, encerraria as suas atividades no Brasil, só reiniciando seu trabalho de forma permanente em 5/8/1867, com a chegada do Rev. Junis Eastham Newman (1819-1895). A segunda Escola Dominical em nosso território, foi organizada pelos Congregacionais, com o Dr. Robert R. Kalley (1809-1888) e a Srª. Sara P. Kalley (1825-1907) em Petrópolis, no dia 19/8/1855. Esta foi primeira Escola Dominical em caráter permanente em solo brasileiro, lecionada em português.

Ashbel Green Simonton, Diário, 1852-1867, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana; Livraria O Semeador, 1982, 14/01/1862; Rev. Antonio Trajano, Esboço Histórico da Egreja Evangelica Presbyteriana: In: Álvaro Reis, ed. Almanak Historico do O Puritano, Rio de Janeiro: Casa Editora Presbyteriana, 1902, p. 7-8.

3Rev. Antonio Trajano, Esboço Histórico da Egreja Evangelica Presbyteriana: In: Álvaro Reis, ed. Almanak Historico do O Puritano, p. 8.

4Rev. Antonio Trajano, Esboço Histórico da Egreja Evangelica Presbyteriana: In: Álvaro Reis, ed. Almanak Historico do O Puritano, p. 7-9; Boanerges Ribeiro, Protestantismo e Cultura Brasileira, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1981, p. 24; Júlio A. Ferreira, História da Igreja Presbiteriana do Brasil, 2. ed. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1992, v. 1, p. 28.

5Diário, 25/11/61; 31/12/61; Boanerges Ribeiro, Protestantismo e Cultura Brasileira, p. 24, Veja-se nota 131.

6Relatório de Simonton apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro no dia 10/07/1866, p. 8; Rev. Antonio Trajano, Esboço Histórico da Egreja Evangelica Presbyteriana: In: Álvaro Reis, ed. Almanak Historico do O Puritano, p. 8; Júlio A. Ferreira, História da Igreja Presbiteriana do Brasil, v. 1, 28.

7 Atas da Igreja do Rio de Janeiro, (1862), p. 5; Diário, 14/01/62; Boanerges Ribeiro, Protestantismo e Cultura Brasileira, p. 25. Alguns historiadores por um pequeno descuido indutivo, têm afirmado erradamente que o Sr. Milford também foi batizado à ocasião; o que de fato não ocorreu. (Como exemplo do equívoco, Vejam-se: Rev. Antonio Trajano, Esboço Histórico da Egreja Evangelica Presbyteriana: In: Álvaro Reis, ed. Almanak Historico do O Puritano, p. 7; Erasmo Braga; Kenneth Grubb, The Republic of Brasil, New York: World Dominion Press, 1932, p. 58; Émile G. Léonard, O Protestantismo Brasileiro, São Paulo: ASTE, (1963), p. 55).

8Diário, 14/01/62.

9Boanerges Ribeiro, Protestantismo e Cultura Brasileira, p. 25-26; Diário, 14/01/62.

10Assembly Digest, Livro VI, Seção 83, p. 560 (1835), Apud Carl J. Hahn, História do Culto Protestante no Brasil, São Paulo: ASTE. 1989, p. 161.

11Assembly Digest, Livro III, Seção 13, p. 103 (1845), Apud Carl J. Hahn, História do Culto Protestante no Brasil, p. 162.

A Oração e o Reino de Deus: Uma oração comprometida (4)

 

B. Que o Reino de Deus seja o reinado de Deus em nossos corações

 

Oramos para que o Deus que habita em nós seja intensamente o Senhor de nossa vida; para que a sua vontade seja feita completamente em nós. Colocarmo-nos como súditos do Reino equivale a reconhecer o senhorio de Cristo sobre nós. “Orar pelo Reino de Deus é orar pela submissão total de nossos desejos à vontade de Deus”.[1]

 

“Venha o teu Reino” implica no desejo intenso e ardente de total consagração e submissão a Deus e à sua autoritativa Palavra, tendo unicamente a vontade de Deus valor decisório para a nossa vida. A Igreja que ora deste modo deseja, cada vez mais, ser a antecipação histórica do Reino; um sinal eloquente do “já” no “ainda não”. Portanto, nesta petição está embutida a busca sincera e consciente por vivenciar, dia após dia, a mesma experiência de vida descrita por Paulo: “Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2.20).

 

C. Que o Reino de Deus se estabeleça completa e definitivamente

 

Esta oração tem um sentido escatológico. Ela envolve a petição da Igreja para que Deus cumpra a Sua promessa: a Igreja, quando suplica deste modo, está “esperando e apressando a vinda do dia de Deus” (2Pe 3.12).

 

A consumação do Reino se dará quando Cristo voltar; e nós que temos as primícias do Espírito, pelo Espírito, podemos dizer: “Vem, Senhor Jesus” (Ap 22.17,20).

 

Barclay (1907-1978) aqui pode ser usado com proveito:

 

Também pedimos que cada vez mais queira Ele revestir de glória a sua luz e a sua verdade, para que, assim, as trevas e as mentiras do Diabo e seus agentes se desvaneçam e sejam desarraigadas, confundidas e aniquiladas. Orando, pois, no sentido de que o reino de Deus venha, paralelamente estamos rogando que ele seja finalmente consumado e concretize o seu cumprimento, o que se dará no dia do juízo final, quando todas as coisas serão reveladas. Nesse dia, somente Ele será exaltado, e será ‘tudo em todos’ (1Co 15.28), após haver recebido os Seus na glória e haver reprimido, subjugado e arruinado todo o reino do Diabo.[2]

 

Na realidade, não podemos fazer esta oração sem o desejo sincero de Santificação: O Reino de Cristo intensamente em nós; Evangelização: O Reino de Cristo sobre todos os eleitos; Volta de Cristo: O estabelecimento definitivo do Reino de Deus sobre todas as coisas.

 

Antes de encerrarmos este ponto, gostaria de dizer algumas palavras sobre o Reino e a concretude de nossa esperança. Em alguns momentos de nossa vida podemos ser tentados a desanimar, ser impacientes, tendo a impressão de que o mal vence o bem, que a honestidade e a dignidade estão descaracterizadas, sendo premiados a esperteza, a falsidade, o logro. Todavia, a Palavra de Deus nos mostra que a vitória de Deus e de Seus ensinamentos é certa, por isso, somos mais do que vencedores em Cristo Jesus, ainda que esta vitória nem sempre seja perceptível aos nossos olhos.

 

A.A. Hoekema (1913-1988) comenta:

 

Quando o fermento (ou levedura) é colocado na farinha, nada parece acontecer por um momento, mas ao final toda a massa está fermentada. De maneira semelhante, o Reino de Deus está escondido agora, fazendo sua influência ser silenciosa, mas penetrante, até que um dia surgirá a céu aberto para ser visto por todos. Portanto, o Reino, em seu estado presente,       é objeto de fé, não de vista. Mas quando a fase final do Reino for instaurada pela segunda vinda de Jesus Cristo, “todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.11).[3]

 

Mais à frente Hoekema continua:

 

Nós estamos no Reino e, mesmo assim, aguardamos sua manifestação completa; nós compartilhamos de suas bênçãos, mas ainda aguardamos sua vitória total; nós agradecemos a Deus por ter-nos trazido para o Reino do Filho que Ele ama, e ainda assim continuamos a orar: “Venha o teu reino”.[4]

 

O Reino é uma realidade presente vivenciada por todos aqueles que creem em Cristo; todavia, ele não é estabelecido por nós. O Reino pertence a Deus (Mt 6.13); e nele se origina e se desenvolve. “Sua vinda unicamente se compreende sobre a base de sua ação milagrosa e todo-poderosa”.[5] Todavia, nem por isso deixamos de orar: “Venha o Teu Reino”. “A vinda do Reino é totalmente independente de nosso poder (…). Porém a vinda do Reino é objeto de nossa oração”, instrui-nos Barth (1886-1968).[6]

 

O Reino de Deus envolve a redenção cósmica, a consumação definitiva do propósito de Deus na história. A vinda do Reino será o shalom da igreja.[7]

 

Considerando que o Reino já se evidencia na igreja, cabe a nós de forma comprometida com o Reino e totalmente dependente do Rei soberano, orarmos: “Venha o Teu Reino”. Amém.

 

 

Maringá, 10 de janeiro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


 

[1] William Barclay, El Nuevo Testamento Comentado, Buenos Aires: La Aurora, 1973, (Mateo I), v. 1, p. 225.

[2]João Calvino, As Institutas da Religião Cristã: edição especial com notas para estudo e pesquisa, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, v. 3, (III.9), p. 124.

[3] A.A. Hoekema, A Bíblia e o Futuro, p. 71.

[4]A.A. Hoekema, A Bíblia e o Futuro, p. 72.

[5] H. Ridderbos, El Pensamiento del Apóstol Pablo, Buenos Aires: La Aurora, 1987, v. 1, p. 43.

[6] K. Barth, La Oración, Buenos Aires: La Aurora, 1968, p. 52. “O reino é de todo obra de Deus, ainda quando opera em e através dos homens” (G.E. Ladd, Reino de Deus: In: E.F. Harrison, ed. Diccionario de Teologia, Michigan: TELL., 1985, p. 450b).

[7] Cf. Cornelius Plantinga Jr., O Crente no Mundo de Deus, São Paulo: Cultura Cristã, 2007, p. 107.

A Oração e o Reino de Deus: Uma oração comprometida (3)

Quando oramos pela vinda do Reino, estamos pedindo a Deus:

A. Que o Reino de Deus se estabeleça no coração de todos os seus escolhidos

cruzO estabelecimento do Reino significa a presença salvadora e soberana de Cristo no coração do homem. “O Reino de Deus é a vitória final sobre o pecado. É a reconciliação do mundo com Deus (2Co 5.19)”.[1]

 

O Reino inclui dois aspectos: um positivo e outro negativo. Ele significa a redenção, o perdão dos pecados para aqueles que se arrependerem, pela fé aceitam a sua mensagem e nele ingressam e, ao mesmo tempo, o Reino traz em seu bojo o juízo, a condenação para aqueles que o rejeitam.

 

O nome de Deus que deve ser santificado. Observamos que isto não ocorre de forma perfeita por causa do pecado. Os homens preferem adorar as criaturas em lugar de adorar o Criador. O pecado é que impede os homens de reconhecerem a glória de Deus, visto que Satanás, “o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo” (2Co 4.4).

 

Portanto, rogar “venha o teu Reino” significa dizer: “Senhor vem vencer o pecado e arrancar estes homens, como também fizeste conosco, do domínio da carne, do mundo e de Satanás”.

 

Oramos para que o mundo também veja o Reino presente que já é visto por nós, mas que permanece oculto aos seus olhos.

 

A Igreja ora para que Cristo reine no coração dos homens e, também, prega o Evangelho do Reino para que os homens, pela fé concedida por Deus, experimentem o governo redentivo de Cristo.

 

Comentando 1Tm 2.4, Calvino expressão a sua visão missionária: “Nenhuma nação da terra e nenhuma classe social são excluídas da salvação, visto que Deus quer oferecer o Evangelho a todos sem exceção”.[2] Por isso, “O Senhor ordena aos ministros do Evangelho (que preguem) em lugares distantes, com o propósito de espalhar a doutrina da salvação em cada parte do mundo”.[3]

 

Analisando uma das implicações da petição “venha o Teu Reino”, comenta:

 

Portanto, nós oramos pedindo que venha o reino de Deus; quer dizer, que todos os dias e cada vez mais o Senhor aumente o número dos Seus súditos e dos que nele creem; que seja neles e por eles glorificado em todos os aspectos, e aos que Ele já chamou e reuniu em Seu reino distribua e multiplique cada vez mais abundantemente as Suas graças; e que, mediante estas Suas graças, Ele viva e reine sempre e continuamente neles até que, tendo-os unido perfeitamente a Si, venha a cobri-los plena e completamente com Sua bênção.[4]

É nosso dever para proclamar a bondade de Deus a toda nação.[5]

 

Portanto, preguemos sinceramente, de forma inteligente, com amor e entusiasmo. Quanto aos resultados, estes pertencem a Deus, escapam da nossa esfera de ação.[6] Aproveitemos também as oportunidades concedidas por Deus: “Lembremo-nos de que a porta se nos abriu pela mão de Deus a fim de que proclamemos Cristo naquele lugar, e não recusemos aceitar o generoso convite que Deus assim nos oferecer”.[7]

 

Deus chama os seus eleitos por meio da pregação da Palavra. “Deus quer que o Evangelho seja proclamado ao mundo todo e em todo o tempo para que seja congregada a soma total dos eleitos”.[8] A Palavra de Deus é sempre um ato criador, por intermédio da qual Deus chama, convence, transforma e edifica os seus.

 

Cada um de nós que foi alcançado pela Graça de Deus, tornou-se um instrumento de testemunho da bendita salvação, a fim de que o povo de Deus seja salvo (Rm 10.14-17/At 18.9-11).[9] A Igreja é chamada para fora do mundo a fim de invadir o mundo com a pregação do Evangelho (Mt 5.14-16; Mc 16.15-16; At 1.8; 1Co 9.16).[10] A eleição eterna de Deus, inclui os fins e os meios.[11] Os meios de Deus são infalíveis porque Deus também o é.[12] Nós somos o meio ordinário estabelecido por Deus para que o mundo ouça a mensagem do Evangelho. Jesus Cristo confiou à Igreja a tarefa evangelística. A Igreja é “o agente por excelência para a evangelização”.[13] Nenhum homem será salvo fora de Cristo, mas para que isto aconteça ele tem que conhecer o Evangelho da Graça. Como crerão se não houver quem pregue? (Rm 10.13-15). “O evangelismo pelo qual Deus leva os seus eleitos à fé é um elo essencial na corrente dos propósitos divinos”.[14]

 

Herman Ridderbos (1909-2007), diz acertadamente que “A igreja é o povo que Deus separou para Si em sua atividade salvífica, para que mostrasse a imagem de Sua graça e Sua salvação”.[15]

 

Portanto, quando levamos o Evangelho a todos os homens, cumprindo prazerosamente parte de nossa missão, estamos de fato demonstrando o nosso amor pelo nosso próximo, desejando que ele conheça a Cristo e, segundo a misericórdia de Deus, se arrependa e creia.[16]

 

Calvino entendia que “a pregação é um instrumento para a consecução da salvação dos crentes” e, que “embora não possa realizar nada sem o Espírito de Deus, todavia, através da operação interior do mesmo Espírito, ela revela a ação divina muito mais poderosamente”.[17] “Deus, a Si prescrevendo a iluminação da mente e a renovação da mente e a renovação do coração, adverte ser sacrilégio, se o homem a si arroga alguma parte de uma e outra dessas duas operações”.[18]

 

Deste modo, a oração não exclui a nossa responsabilidade de pregar e viver o Evangelho do Reino, pelo contrário, ela indica o nosso compromisso com o anúncio do Evangelho. “‘Venha o teu reino’ é claramente uma oração para o progresso da atividade missionária”.[19] Portanto, a pregação da igreja é uma expressão de sua oração sincera e urgente: “Venha o Teu Reino”.

 

No livro de Atos encontramos registrados dois episódios que estabelecem, de forma clara, a relação entre a oração e o compromisso missionário. Pedro e João foram presos após um testemunho eloquente a respeito do poder de Cristo, que através deles curara um coxo de nascença à porta do Templo. Foram ameaçados e soltos. Libertos, procuraram seus irmãos para relatar o que lhes acontecera… Quando ouviram o que contaram, todos, a uma só voz começaram a orar, glorificando a Deus… Lucas relata que “tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo, e, com intrepidez, anunciavam a Palavra de Deus” (At 4.31). Lucas também registra que o envio de Barnabé e Saulo (Paulo), como missionários, foi precedido por jejuns e oração. “Então, jejuando e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram” (At 13.3).

 

D.M. Lloyd-Jones (1899-1981) observa com acerto que,

 

Quando oramos: ‘venha o teu reino’, estamos orando pelo sucesso do Evangelho, em sua amplitude e poder; estamos orando pela conversão de homens e mulheres; estamos orando para que o reino de Deus tome conta da Europa, das Américas, da Ásia, da África e da Oceania, ou seja, do mundo inteiro. “Venha o teu reino” é uma oração missionária toda-inclusiva.[20]

 

Jesus Cristo, apresentando alguns sinais que precederão a consumação deste século, diz: “E será pregado evangelho do reino por todo o mundo para testemunho a todas as nações. Então virá o fim” (Mt 24.14).

 

Maringá, 10 de janeiro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


 

[1] K. Barth, La Oración, Buenos Aires: La Aurora, 1968, p. 51.

[2]João Calvino, As Pastorais, São Paulo: Paracletos, 1998, (1Tm 2.4), p. 60. Ver também: John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 12, (Ez 18.23), p. 246-249. Para um estudo sobre a visão missionária de Calvino, ver: James MacKinnon, Calvin and the Reformation, London: Longmans, Green, and Co. 1936, p. 195-205; Philip E. Hughes, John Calvin: Director of Missions. In: John H. Bratt, ed. The Heritage of John Calvin, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1973, p. 40-54; R. Pierce Beaver, The Genevan Mission to Brazil. In: J. H. Bratt, ed. The Heritage of John Calvin, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1973, p. 55-73; W. Stanford Reid, Calvin’s Genebra: A Missionary Centre. In: Richard C. Gamble, ed. Calvin’s work in Geneva, New York: Garland Pub., 1992; J. Vanden Berg, Calvino y las Misiones. In: Jacob T. Hoogstra, org. Juan Calvino, Profeta Contemporáneo, Barcelona: CLIE., 1973, p. 169-185; S.L. Morris, The Relation of Calvin and Calvinism to Missions: In: R.E. Magill, ed. Calvin Memorial Addresses, Richimond VA.: Presbyterian Committee of Publication, 1909, p. 127-146; Antonio Carlos Barro, A Consciência Missionária de João Calvino. In: Fides Reformata, São Paulo: Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, 3/1 (1998), 38-49; Ray Van Neste, John Calvin on Evangelism and Missions (freerepublic.com/focus/religion/1349519/posts) (Acessado em 10.01.2019). Frank A. James III, Calvin, the Evangelist. (rq.rts.edu/fall01/james.html) (Acessado em 10.01.2019).

[3]John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 17, (Mt 28.19), p. 384.

[4]João Calvino, As Institutas da Religião Cristã: edição especial com notas para estudo e pesquisa, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, v. 3, (III.9), p. 124. “Como nós não sabemos quem são os que pertencem ou deixam de pertencer ao número e companhia dos predestinados, devemos ter tal afeto, que desejemos que todos se salvem; e assim, procuraremos fazer a todos aqueles que encontrarmos, sejam participantes de nossa paz (…). Quanto a nós concerne, deverá ser a todos aplicada, à semelhança de um remédio, salutar e severa correção, para que não pereçam eles próprios, ou a outros não percam. A Deus, porém, pertencerá fazê-la eficaz àqueles a Quem preconheceu e predestinou” (João Calvino, As Institutas, III.23.14).

[5]John Calvin, Calvin’s Commentaries, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House Company, 1996 (Reprinted), v. 7, (Is 12.5), p. 403.

[6] Veja-se: João Calvino, As Institutas, II.5.5,7; III.24.2,15.

[7]João Calvino, Exposição de 2 Coríntios, São Paulo: Edições Paracletos, 1995, (2Co 2.12), p. 52.

[8] R.B. Kuiper, Evangelização Teocêntrica, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1976, p. 21. (Veja-se, também, p. 39).

[9]“Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas! Mas nem todos obedeceram ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem acreditou na nossa pregação? E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10.14-17). “Teve Paulo durante a noite uma visão em que o Senhor lhe disse: Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade. E ali permaneceu um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus” (At 18.9-11).

[10]Vejam-se: Michael Green, Estratégia e Métodos Evangelísticos na Igreja Primitiva: In: A Missão da Igreja no Mundo de Hoje,    São Paulo; Belo Horizonte, MG.: ABU; Visão Mundial, 1982, p. 67-68 e Bruce L. Shelley, A Igreja: O Povo de Deus, São Paulo: Vida Nova, 1984, p. 127.

[11] Confissão de Westminster, (1647), III.6. Ver também: R.C. Sproul, Eleitos de Deus, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1998, p. 190.

[12]“Os muitos meios para o fim de salvar cada um dos eleitos são tão eficazes que terminam sempre em resultados bem-sucedidos. Os meios são infalíveis porque Deus é infalível” (R.K. McGregor Wright, A Soberania Banida: Redenção para a cultura pós-moderna, São Paulo: Cultura Cristã, 1998, p. 143).

[13] R.B. Kuiper, El Cuerpo Glorioso de Cristo, Grand Rapids, Michigan: Subcomision Literatura Cristiana de la Iglesia Christiana Reformada, 1985, p. 220. (Veja-se, todo o capítulo, p. 220-226).

[14] J.I. Packer, Vocábulos de Deus, São José dos Campos, SP.: Fiel, 1994, p.146.

[15] Herman Ridderbos, El Pensamiento del Apóstol Pablo, Buenos Aires: La Aurora, 1987, v. 2, § 53, p. 9.

[16] John Stott observou bem este ponto ao declarar em 1974: “A Grande Comissão não explica ou esgota, nem supera o Grande Mandamento. O que ela faz, na verdade, é acrescentar ao mandamento do amor e serviço ao próximo uma nova e urgente dimensão cristã. Se de fato amamos o nosso próximo, não há dúvida de que lhe diremos as boas novas de Jesus” (John R.W. Stott, A Base Bíblica da Evangelização: In: A Missão da Igreja no Mundo de Hoje, São Paulo; Belo Horizonte, MG. ABU; Visão Mundial, 1982, p. 37). De igual modo: John R.W. Stott, A Missão Cristã no Mundo Moderno, Viçosa, MG.: Ultimato, 2010, p. 34.

[17]João Calvino, Romanos, 2. ed. São Paulo: Parakletos, 2001, (Rm 11.14), p. 407.

[18] João Calvino, As Institutas, IV.1.6.

[19]William Hendriksen, Mateus, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, v. 1, (Mt 6.10), p. 465.

[20] D.M. Lloyd-Jones, Estudos no Sermão do Monte, São Paulo: FIEL., 1984, p. 349.

A Oração e o Reino de Deus: Uma oração comprometida (2)

1. O significado do Reino

cruz

O Reino de Deus é o Reinado de Deus, o governo triunfante de Cristo sobre todas as coisas, visíveis e invisíveis. “O Reino de Deus significa que Deus é Rei e age na história para trazer a história a um alvo divinamente determinado”.[1] Como Rei, Deus dirige a história a conduzindo ao seu propósito eterno e glorioso.

 

Falar no Reino é apontar para a concretização do propósito de Deus em Cristo, libertando os homens do poder de Satanás, conduzindo-os à liberdade concedida por Cristo, o Senhor. Portanto, o Reino é um relacionamento pessoal com o Rei.[2]

 

2. A Experiência do Reino

 

A Igreja anela pela concretização plena das virtudes eternas, das quais ela já tem a amostra (Rm 14.17; 15.13; 1Ts 1.6/Gl 5.22,23). É neste espírito que a Igreja ora: “Venha o Teu Reino”. Quem ora pela vinda do Reino, é porque já o conhece, já usufrui das suas riquezas, já provou da sua bem-aventurança (Rm 14.17).[3]

 

A nossa experiência do Reino nos induz a orar pela sua manifestação plena, pela concretização perfeita do eterno propósito de Deus. Nós, somos filhos do Reino, por isso podemos orar pela sua manifestação, visto que o reino está entre nós os que cremos (Lc 17.21). Somente um cidadão do Reino pode dizer de forma consciente: “Venha o teu Reino”. Por isso, ele ora para que o Reino já presente venha em toda a sua plenitude sobre todos.

 

Jesus manifestou o fato de que os seus milagres, a expulsão dos demônios,[4] o perdão dos pecados e a pregação, se constituem em sinais da chegada do Reino. Ele mesmo declarou: “Se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós” (Lc 11.20). Os milagres não têm um fim em si mesmo, antes, visam selar e confirmar a Palavra.[5] Como já indicamos, a presença de Jesus é a manifestação do Reino.

 

A presença do Espírito em nós é real, ainda que em parte ou, como disse Calvino de forma figurada, afirmando que temos apenas umas poucas gotas do Espírito”.[6]

 

O Espírito faz com que hoje desfrutemos das bênçãos da era futura, porém, não em toda sua plenitude. O Apóstolo Paulo escreve: “Nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo” (Rm 8.23). As “primícias do Espírito” trazem consigo a promessa da abundante colheita que teremos no futuro e, ao mesmo tempo, é o antegozo dela. Portanto, o Espírito é uma realidade presente que nos fala da nossa salvação passada (justificação) e presente (santificação), indicando também, a consumação futura da nossa salvação (glorificação) (Rm 8.23-24).

 

O Espírito comunica as “primícias” das bênçãos – sendo Ele próprio a principal –, concedidas por Deus, as quais serão plenamente manifestadas na eternidade. É Deus mesmo que por sua “primeira parcela” se compromete a comunicar-nos todas as bênçãos adquiridas para nós em Cristo Jesus.[7] O Espírito em nós revela-nos as venturas futuras que agora, apenas vislumbramos pela fé, e que já desfrutamos apenas embrionariamente.

 

A amostragem que temos hoje, pelo Espírito, indica a superioridade do que teremos no porvir: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8.18).[8]

 

A Igreja anela, portanto, pela “redenção do nosso corpo” (Rm 8.23), quando teremos um “corpo espiritual” (1Co 15.44), que deve ser entendido não como uma incorporeidade, mas, sim, “uma existência humana total, alma e corpo incluídos, que será criada, penetrada e controlada pelo Espírito de Cristo”.[9] Um corpo “totalmente pertencente à nova era, totalmente sob a direção do Espírito”;[10] glorioso, imperecível e totalmente consagrado a Deus, adequado, assim, à nova vida gerada e preservada pelo Espírito.[11] Ou, nas palavras de Calvino, um corpo no qual “O Espírito será muito mais predominante (…). Será muito mais pleno”.[12] A espiritualidade significa um total controle do Espírito Santo; esta é a perspectiva do Novo Testamento.[13]

 

Na eternidade já não haverá a luta contra o pecado e o mal; o Espírito será tudo em todos os salvos.  “A vitória total que Cristo imporá sobre Seus inimigos será uma vitória do Espírito Santo”, enfatiza Bavinck (1854-1921).[14]

 

O Espírito faz com que hoje desfrutemos das bênçãos da era futura. Porém, não em toda sua plenitude. O Apóstolo Paulo escreveu: “Nós que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo” (Rm 8.23). O Espírito comunica as “primícias” das bênçãos – sendo Ele próprio a principal –, concedidas por Deus, as quais serão plenamente manifestadas na eternidade. O Espírito em nós revela-nos as venturas futuras que agora, apenas vislumbramos pela fé, e que já desfrutamos apenas embrionariamente.

 

Comentando a petição do Pai Nosso, Joaquim Jeremias (1900-1979) escreveu: “O homem que reza assim leva a sério a promessa divina. Abandona-se totalmente, com uma confiança inabalável, entre as      mãos de Deus. Não duvida: ‘Hás de consumar tua obra gloriosa’”.[15]

 

Aquele que crê salvadoramente em Jesus Cristo faz parte do Reino presente, desfruta de suas bênçãos e compartilha de suas responsabilidades. Estes têm uma compreensão exata dos valores e atendem à ordem de Cristo: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33).

 

Quando oramos pela vinda do Reino, o que de fatos estamos pedindo? Veremos isso amanhã.

 

Maringá, 10 de janeiro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


 

[1] George E. Ladd, The Presence of the Future: The Eschatology of Biblical Realism, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, Revised Edition, 1974, p. 331.

[2] Veja-se: J.I. Packer, A Oração do Senhor, São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 46.

[3]Esta é a experiência da Igreja: Ela é na presente era a manifestação do Reino: “A igreja é o centro vivo e ardente do reino, uma testemunha de sua presença e poder, e um precursor de sua vinda final” (Enrique Stob, Reflexiones Éticas: Ensayos sobre temas morales, Grand Rapids, Michigan: T.E.L.L., 1982, p. 68).

[4] “Cada expulsão, que Jesus opera, dum espírito mau significa uma antecipação da hora em que satã será visivelmente dominado” (Joaquim Jeremias, Teologia do Novo Testamento, São Paulo: Paulinas, 1977, p. 148). “A expulsão de demônios demonstra que o reino de Deus chegou aos homens. O expulsar demônios é em si uma obra do reino de Deus” (G.E. Ladd, El Evangelio del Reino, Miami: Editorial Vida, 1985, p. 59. Vejam-se, também: A.A. Hoekema, A Bíblia e o Futuro, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1989, p. 67 e William Hendriksen, Mateus, São Paulo: Cultura Cristã, 2000, v. 2 (Mt 12.29), p. 35-36).

[5] Vejam-se: João Calvino, Exposição de Hebreus, São Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 2.4), p. 55; João Calvino, O evangelho segundo João, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2015, v. 1, (Jo 3.2), p. 114.

[6]João Calvino, Exposição de Romanos, São Paulo: Paracletos, 1997, (Rm 8.23), p. 287. Estejamos atentos à figura de Calvino. Comentando Tt 3.6, diz: “Uma gota do Espírito, por assim dizer, por menor que seja, é como uma fonte a fluir tão abundantemente que jamais secará” (João Calvino, As Pastorais, São Paulo: Paracletos, 1998, (Tt 3.6), p. 351).

[7] Cf. William Hendriksen, Efésios, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1992, (Ef 1.14), p. 117.

[8]O Espírito Santo, pois, nos foi outorgado a fim de que pudéssemos nutrir algum tipo de ideia quanto ao que nos aguarda quando chegarmos na glória. Deus nos deu as primícias. (…) Por conseguinte, em certo sentido nossa salvação não é completada, mas será completada, e o Espírito nos é conferido a fim de que possamos, não só saber isso com toda certeza, mas também para podermos até começar a experimentá-lo. E tudo o que experimentamos nesta vida, num sentido espiritual, é simplesmente primícias, ou uma prelibação, algo posto por conta, uma espécie de prestação de Deus, a fim de que pudéssemos saber o que nos está por vir” (David M. Lloyd-Jones, Deus o Espírito Santo, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1998, p. 334, 325).

[9]Hendrikus Berkhof, La Doctrina del Espíritu Santo, Buenos Aires: Junta de Publicaciones de las Iglesias Reformadas; Editorial La Aurora, (1969), p. 120.

[10]J.D.G. Dunn, Espírito: In: Colin Brown, ed. ger. O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1981-1983, v. 2, p. 144. De igual forma interpretam: Eduard Schweizer, pneu=ma, etc: In: Gerhard Kittel; G. Friedrich, eds. Theological Dictionary of the New Testament, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1983 (Reprinted), v. 6, p. 421; A.A. Hoekema, A Bíblia e o Futuro, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1989, p. 88-90; Idem., Criados à Imagem de Deus, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1999, p. 268; W. Hendriksen, A Vida Futura Segundo a Bíblia, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1988, p. 193; Ray Summers, A Vida no Além, 2. ed. Rio de Janeiro: JUERP., 1979, p. 90-91; Wayne A. Grudem, Teologia Sistemática, São Paulo: Vida Nova, 1999, p. 520; Sinclair B. Ferguson, O Espírito Santo, São Paulo: Editora Os Puritanos, 2000, p. 346-349; John Murray, Romanos, São José dos Campos, SP.: Fiel, 2003, (Rm 8.23). p. 334-335. Charles Hodge, sem aludir ao texto, faz uma distinção entre o céu e o inferno, dizendo: “O céu é um lugar e estado em que o Espírito reina com absoluto controle. O inferno é um lugar ou estado em que o Espírito já não refreia nem controla. A presença ou ausência do Espírito estabelece toda a diferença entre céu e inferno” (Charles Hodge, Teologia Sistemática, São Paulo: Hagnos Editora, 2001, p. 983-984).

[11] Ferguson escreve: “O corpo no qual a vida futura é vivida será tanto Espiritual quanto gloriosa em sua própria constituição” (Sinclair B. Ferguson, O Espírito Santo, p. 347).

[12]João Calvino, Exposição de 1 Coríntios, São Paulo: Paracletos, 1996, (1Co 15.44), p. 483-484.

[13] Veja-se: John Murray, Redenção: Consumada e Aplicada, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1993, p. 184.

[14] Herman Bavinck, Our Reasonable Faith, 4. ed. Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1984, p. 388.

[15]Jeremias, O Pai-Nosso: A Oração do Senhor, São Paulo: Paulinas, 1976, p. 41-42.

A Oração e o Reino de Deus: Uma oração comprometida (1)

cruz

Venha o teu reino” (Mt 6.10), é uma das petições ensinadas por Jesus Cristo a seus discípulos.

O Reino de Deus é o coração da mensagem de Cristo bem como dos apóstolos. O crente no Antigo Testamento aguardava a chegada do Reino de Deus que estava associada à figura do Filho do Homem, descrita por Daniel (Dn 7.13-14/Mt 16.27,28; 17.12,22; Lc 9.58; Jo 3.13,14). Por isso, podemos dizer que a presença do Espírito no Ministério de Jesus Cristo é uma presença escatológica, que marca o cumprimento da promessa e, também, de forma similar, a chegada do Reino.

 

Jesus Cristo, o Filho do Homem, inaugurou o Reino de Deus (Lc 11.20).[1] O Reino está indissoluvelmente ligado à sua Pessoa. Jesus Cristo, a sua mensagem e atos incorporam a presença do Reino que chegara.

 

Orígenes (c. 185-254), corretamente, disse que Jesus Cristo era a ”autobasileia”, o reino em pessoa.[2] “A relação entre o Reino de Deus e a revelação messiânica passa a ser uma correlação de força tal que quase se poderia falar de identificação de Jesus Cristo com o Reino de Deus; Ele não apenas proclama, mas é, na Sua pessoa, o Reino que está entre nós”.[3] Por isso, é que o Novo Testamento nos ensina que pregar o Reino é o mesmo que pregar a Jesus Cristo:

 

Todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe ou mulher, ou filhos, ou campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais, e herdará a vida eterna (Mt 19.29).

Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos, por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente…. (Mc 10.29-30).

Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou mulher, ou irmãos, ou pais, ou filhos por causa do reino de Deus(Lc 18.29).

Filipe, que os evangelizava a respeito do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo…. (At 8.12).

Pregando o reino de Deus, e, com toda a intrepidez, sem impedimento algum, ensinava as cousas referentes ao Senhor   Jesus Cristo (At 28.31). (Grifos meus).

 

Retornando à petição da Oração do Senhor, devemos observar que a oração do cristão envolve sempre o desejo de que o Reino de Deus venha. Mas, o que é o Reino de Deus, o que significa a sua vinda? Ele já não está presente entre nós? Amanhã continuaremos esse assunto.

 

Maringá, 10 de janeiro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


 

[1]Se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente, é chegado o reino de Deus sobre vós” (Lc 11.20).

[2]Orígenes, Comentário de Mateus, 14.7. Apud M. Green, Evangelização na Igreja Primitiva, São Paulo: Vida Nova, 1984, p. 58. Veja-se também: K.L. Schmidt, Basilei/a: In: Gerhard Kittel; G. Friedrich, eds. Theological Dictionary of the New Testament, Grand Rapids, Michigan: WM. B. Eerdmans Publishing Co., 1983 (Reprinted), v. 1, p. 593.

[3] J. Blauw, A Natureza Missionária da Igreja, São Paulo: ASTE., 1966, p. 72.

A Objetividade na oração (Mt 6.6-8) (2)

Crédito: Patrick Fore (Unsplash)

Biblicamente aprendemos que “a finalidade da oração é expressar a Deus nosso reconhecimento de que Ele sabe o que temos necessidade”.[1] Não precisamos ficar com repetições gaguejantes e intermináveis porque Deus sabe do que necessitamos. A Bíblia, mesmo sem exclusivisar como corretas as orações breves, nos apresenta uma série de exemplos de orações que se expressam em poucas palavras (Vejam-se: Ex 32.31-32; 1Rs 3.6-9; 18.36-37; 2Rs 19.14-19; 1Cr 4.10; Pv 30.7-9; Mt 23.14; Lc 5.8; 18.13; 23.42; At 7.60; Ef 3.14-19).

 

Calvino (1509-1564) é cirúrgico:

 

Ele não proíbe a persistência nas orações, nem que elas sejam feitas demoradamente, nem com frequência nem com veemente fervor, mas nos ensina a não confiar em que se pode constranger Deus a atender às nossas petições pela nossa importunação com vã loquacidade, como se fosse possível dobrá-lo pelo muito falar, como se dá entre os homens.[2]

 

É lógico que as nossas orações não devem ser avaliadas por sua “extensão”. Se as “longas” orações não são sinônimo de piedade; do mesmo modo, a sua “brevidade” não indica necessariamente a nossa fé. O que realmente importa aqui é que as nossas orações sejam feitas ao Pai, com sinceridade, com objetividade, tendo como elemento norteador as promessas de Deus.

 

Calvino assim se expressou:

 

Os crentes não oram com a intenção de informar a Deus a respeito das coisas que Ele desconheça, ou para incitá-lo a cumprir o Seu dever, ou para apressá-Lo, como se Ele fosse relutante. Pelo contrário, eles oram para que assim possam despertar-se e buscá-Lo, e assim exercitem sua fé na meditação das Suas promessas, e aliviem suas ansiedades, deixando-as nas mãos dele; numa palavra, oram com o fim de declarar que sua esperança e expectativa das coisas boas, para eles mesmos e para os outros, está só nele.[3]

 

A Palavra de Deus é o manual de nossas orações: “Toda a Palavra de Deus é útil para nos dirigir em oração”.[4] Devemos ser guiados não pelos nossos pensamentos ou por aquilo que julgamos que Deus deveria nos conceder, mas sim, por tudo aquilo que Deus nos promete. “As promessas de Deus contêm a matéria da oração e definem as suas dimensões. Aquilo que Deus tem prometido, tudo quanto Ele tem prometido, e nada mais, sobre isso podemos orar”, instrui-nos Pink (1886-1952).[5]

 

A oração é um atestado da consciência de nossa fragilidade acompanhada da certeza do poder de Deus. “Orar não é tanto um ato, mas uma atitude – atitude de dependência de Deus. Orar é fazer confissão de nossa fraqueza, como criaturas que somos, de nossa total incapacidade. Orar é reconhecer nossa necessidade e expô-la”.[6]

 

Um outro aspecto é que a nossa oratória, constituída de grandes recursos linguísticos e frases bem montadas, nada tem a ver com a oração.

 

Comentando o Salmo 17, Calvino (1509-1564) acentua:

 

Quando nos apresentarmos diante de Deus em oração, não devemos fazer isso com os ornamentos e os artifícios da eloquência, pois a retórica mais excelente e a graça mais atraente que porventura possuamos diante dele consistem na mais pura simplicidade.[7]

 

Portanto, a oração objetiva não tem a ver necessariamente com o número de palavras, mas, com a integridade de nosso coração que, moldado e alinhado pela Palavra, se dirige a Deus conscientes de nossa total dependência dele.

 

Sem dúvida, todos nós precisamos aprender a orar com o Senhor.

 

Maringá, 08 de janeiro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


 

[1] A.W. Pink, Deus é Soberano, São Paulo: FIEL., 1977, p. 128.

[2] João Calvino, As Institutas da Religião Cristã: edição especial com notas para estudo e pesquisa, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, v. 3, (III.9), p. 111.

[3] John Calvin, Commentary on a Harmony of the Evangelists, Matthew, Mark, and Luke, Grand Rapids, Michigan: Baker, (Calvin’s Commentaries, v. 16/1), 1981, p. 314.

[4] Catecismo Menor de Westminster, Perg. 99.

[5] A.W. Pink, Enriquecendo-se com a Bíblia, São Paulo: FIEL. 1979, p. 47.

[6] A.W. Pink, Deus é Soberano, Atibaia, SP.: FIEL, 1977, p. 134.

[7] João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Paracletos, 1999, v. 1, (Sl 17.1), p. 327-328.

A Objetividade na oração (Mt 6.6-8) (1)

palavras
Imagem: Eran Menashri (Unplash)

 

Jesus nos ensina a não usarmos em nossas orações “vãs repetições” (ARA; ACR; BJ) ou “palavras vãs” (ARC). A expressão usada por Cristo (Battaloge/w “battalogeõ”), que só ocorre aqui, parece ser onomatopeica, significando “falar sem sentido”, “balbuciar”, “repetir palavras ou sons inarticulados”, “falar sem pensar”, “falar futilmente”, “gaguejar”, “dizer sempre a mesma coisa”, “tagarelar”, “uma repetição supérflua e exagerada”, “repetir uma fórmula muitas vezes”[1] etc. Tyndale traduz: “Tagareleis demais”; Knox: “Useis muitas frases”; Velha Versão Siríaca: “Não digais coisas ociosas”.[2]

 

John Stott (1921-2011), comentando o sentido do verbo, diz: “A maioria a considera como uma expressão onomatopeica, o som da palavra indicando o seu significado. Assim, batarizõ significa gaguejar; e qualquer estrangeiro cuja língua parecesse aos ouvidos gregos como uma interminável repetição da sílaba ‘bar’ era chamado de barbaros, um bárbaro”.[3]

 

Broadus (1827-1895) acrescenta: “É possível que como um gago repete muitas vezes a mesma palavra, a palavra grega viesse a ser usada para exprimir as vãs repetições, em geral”.[4]

 

A referência de Jesus é direta e intencional aos gentios, ainda que não exclusivamente: “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios” (Mt 6.7). Os pagãos criam que as repetições contribuíam para pressionar os seus deuses a conceder-lhes favores. Ao que parece, era esta crença que estimulou os profetas de baal a permanecerem durante horas orando ao seu deus sem serem respondidos (1Rs 18.25-29). Do mesmo modo, os efésios indignados com a pregação cristã, gritaram por quase duas horas: “Grande é a Diana dos efésios!” (At 19.34). De modo semelhante procedem os católicos romanos com suas repetições do “Pai Nosso” e “ave-maria”[5] e a “roleta de orações dos budistas tibetanos”.[6]

 

Havia também entre os gentios o costume de usar de repetições intermináveis com o objetivo de informarem aos seus deuses da sua situação, “atualizarem” o seu deus.

 

Este era o quadro religioso entre os pagãos, inclusive durante os dias de Jesus Cristo. Que tipo de “Deus” era este em que os povos criam, que precisava ser informado ou que ficava hesitante, precisando ser convencido a agir pela insistência dos homens?!

 

No entanto, a alusão aos gentios não se configura como exclusiva. Sabemos que entre os judeus, alguns escribas gostavam de fazer orações longas para poder se engrandecer e esconder a sua impiedade. Jesus Cristo nos advertiu quanto a isso, dizendo:

 

“Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes talares e das saudações nas praças; e das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos primeiros lugares nos banquetes; os quais devoram as casas das viúvas e, para o justificar, fazem longas orações; estes sofrerão juízo muito mais severo” (Mc 12.38-40).

 

Agostinho (354-430) observa que

 

Toda essa abundância de palavras vem dos gentios, que se preocupam mais em exercitar sua língua do que purificar o coração. Esforçam-se eles em aplicar também esse linguajar frívolo na oração para tentar dobrar a Deus. Julgam que alguém pode incliná-lo com o fluxo de palavras.[7]

 

Mas, afinal, a questão toda está na quantidade de palavras? Veremos isso amanhã.

 

 

Maringá, 08 de janeiro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


 

[1] John Calvin, Commentary on a Harmony of the Evangelists, Matthew, Mark, and Luke, Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, (Calvin’s Commentaries, v. 16/1), 1981, p. 313.

[2] Esta palavra é constituída de (Ba/ttoj = “gago” & loge/w = “falar”). Ela é de derivação incerta. Talvez possa ser derivada do aramaico “battal” (“vão”, “inútil”). Erasmo (1467-1536), por exemplo, entendia que esta expressão era proveniente de “Bato”, personagem descrito por Heródoto: “Chegando a Teras, Polineto, homem de alta posição, tomou a jovem como concubina, e o casal teve, no fim de certo tempo, um filho que gaguejava e sibilava. Essa criança, segundo os Tereus e Cireneus, recebeu o nome de Bato” (Heródoto, História, Rio de Janeiro: Ediouro, [s.d.], IV.155. Veja-se: Ba/ttoj: In: A Lexicon Abridged from Liddell and Scott’s Greek-English Lexicon, London, Clarendon Press, 1935, p. 128b). No entanto, Heródoto, que discorda desta explicação para o nome do menino, diz que “batus significa rei na língua dos Líbios” (Heródoto, História, IV.155). Também especula-se que esta expressão viria por derivação de um poeta medíocre, Battus, que teria feito hinos extensos, cheios de repetições (Veja-se: A.B. Bruce, The Gospel According to Matthew: In: W. Robertson Nicoll, ed. The Expositor’s Greek Testament, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1983 (Reprinted), v. 1, p. 118-119; John R.W. Stott, A Mensagem do Sermão da Montanha, 3. ed. São Paulo: ABU., 1985, p. 146). O fato é que ninguém consegue precisar a origem da palavra. (Para maiores detalhes, vejam-se: G. Delling, Battaloge/w, In: G. Kittel; G. Friedrich, eds. Theological Dictionary of the New Testament, v. 1, p. 597; Battologe/w: In: James Hope Moulton; George Mulligan, The Vocabulary of the Greek New Testament, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1982 (reprinted), p. 107; H. Balz, Battaloge/w, In: Horst Balz; Gerhard Schneider, eds. Exegetical Dictionary of New Testament, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1978-1980, v.1, p. 209; Battaloge/w: In: Walter Bauer, A GreekEnglish Lexicon of the New Testament, 5. ed. Chicago: The Chicago Press, 1958, p. 137).

[3] J.R.W. Stott, A Mensagem do Sermão da Montanha, p. 146. Neste caso, a palavra não teria nenhuma derivação explícita, equivalendo apenas a uma imitação repetitiva de sons sem qualquer sentido (Veja-se: Alford’s Greek Testament, 7. ed. Grand Rapids, Michigan: Baker, 1874, (Reprinted: 1980), v. 1, p. 58).

[4] John A. Broadus, Comentário do Evangelho de Mateus, 3. ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1966, v. 1, p. 199.

[5] Marvin R. Vincent, Word Studies in the New Testament, Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, (s.d), v. 1, (Mt 6.7), p. 43.

[6] William Hendriksen, Mateus, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, v. 1, (Mt 6.8), p. 455.

[7] Agostinho, O Sermão da montanha, São Paulo: Paulinas, 1992, II.3.12, p. 113.