O Choro Bem-Aventurado: Uma emoção Contracultural (Mt 5.4) (7)

4) Perseguição

 

A perseguição quer seja física, psíquica ou moral gera muita dor e sofrimento. Pedro estimula as igrejas a permanecerem firmes em seu testemunho: “Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações” (1Pe 1.6). “Mas, ainda que venhais a sofrer por causa da justiça, bem-aventurados sois. Não vos amedronteis, portanto, com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados” (1Pe 3.14).

Paulo, descrevendo parte de seus sofrimentos, diz: “Entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo” (2Co 6.10).

Quando ele narra aos presbíteros de Éfeso o seu trabalho tão bem conhecido por eles, apresenta esta conotação como fruto das tentações da parte dos judeus: “Servindo ao Senhor com toda a humildade, lágrimas e provações que, pelas ciladas dos judeus, me sobrevieram” (At 20.19).

5) Solidariedade

Sensibilizamo-nos com o sofrimento de nossos irmãos, compartilhando com ele de sua alegria e dor. Paulo diz que devemos desenvolver esta sensibilidade: “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram” (Rm 12.15).

6) Patriotismo

Quando Jerusalém foi destruída (586 a.C.), o povo de Judá foi levado cativo. Jeremias, um cidadão patriota, revela a sua tristeza:

Como jaz solitária a cidade outrora populosa! Tornou-se como viúva a que foi grande entre as nações; princesa entre as províncias, ficou sujeita a trabalhos forçados! 2 Chora e chora de noite, e as suas lágrimas lhe correm pelas faces; não tem quem a console entre todos os que a amavam; todos os seus amigos procederam perfidamente contra ela, tornaram-se seus inimigos. 3 Judá foi levado ao exílio, afligido e sob grande servidão; habita entre as nações, não acha descanso; todos os seus perseguidores o apanharam nas suas angústias. (Lm 1.1-3).

 

7) Preocupação com a Igreja

Paulo, um pastor cuidadoso, procurava instruir, interceder e alertar a igreja quanto a perigos iminentes. Ele passou boa parte de seu ministério pregando o Evangelho em diversas cidades e, alguns anos preso, o seu pastorado era, o que não poderia deixar de ser, à distância. As suas cartas se constituem em verdadeiras pastorais onde ele instrui, exorta, consola e adverte. Quanto à amada igreja de Filipos, revela a sua angústia em relação aos falsos mestres, talvez de diversos matizes que circundavam-na: “Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo” (Fp 3.18).

Do mesmo modo, ele diz aos presbíteros de Éfeso que pessoalmente os ensinou durante três anos com persistência em meio a lágrimas: “Portanto, vigiai, lembrando-vos de que, por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar, com lágrimas, a cada um” (At 20.31).

8) Por uma promessa precipitada

 

Herodes, comemorando o seu aniversário, prometeu publicamente à filha da esposa de seu irmão, Herodias, com quem adulterava, conceder-lhe o que ela quisesse. Ela, instigada por sua mãe, pediu-lhe a cabeça de João Batista, aquele que denunciava o pecado de Herodes com a sua cunhada. Relata o texto: “Entristeceu-se o rei, mas, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, determinou que lha dessem” (Mt 14.9/Mc 6.26).

9) Senso de valores equivocado

 

1) Esaú preferiu trocar o direito de primogenitura por um prato de lentilhas, desdenhando da herança da família, a terra (Gn 12.7) e a bênção da aliança (Gn 25.27-34). Mais tarde, quando não pôde obter a bênção de seu pai Isaque, chorou amargamente: “Disse Esaú a seu pai: Acaso, tens uma única bênção, meu pai? Abençoa-me, também a mim, meu pai. E, levantando Esaú a voz, chorou” (Gn 27.38/Hb 12.16-17).

 

2) O jovem rico, diante de um conflito de valores, não soube buscar socorro na misericórdia de Deus, antes, apenas ficou contrariado e se entristeceu, optando por ficar com a sua riqueza em detrimento do Reino de Deus. Eis a narrativa:

 

17 E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? 18 Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus. 19 Sabes os mandamentos: Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não defraudarás ninguém, honra a teu pai e tua mãe. 20 Então, ele respondeu: Mestre, tudo isso tenho observado desde a minha juventude. 21 E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me. 22 Ele, porém, contrariado com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades. (Mc 10.17-22).

 

10) Diante de um desafio que se parece grande por demais

 

Quando o povo de Judá voltou do exílio e deu início à reconstrução do templo (c. 536 a.C.), houve um misto de alegria e tristeza. Os jovens se alegraram pela libertação e possibilidade de realizarem aquela obra, sendo que a maioria nem conhecera o antigo templo. Há júbilo e gratidão. Contudo, os anciãos que conheceram a beleza do antigo templo, provavelmente percebendo a carência de recursos disponíveis, choram:

 

Cantavam alternadamente, louvando e rendendo graças ao Senhor, com estas palavras: Ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre sobre Israel. E todo o povo jubilou com altas vozes, louvando ao Senhor por se terem lançado os alicerces da sua casa. 12 Porém muitos dos sacerdotes, e levitas, e cabeças de famílias, já idosos, que viram a primeira casa, choraram em alta voz quando à sua vista foram lançados os alicerces desta casa; muitos, no entanto, levantaram as vozes com gritos de alegria. (Ed 3.11-12/Ag 2.1-5).

 

 

Maringá, 01 de fevereiro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 

*Este artigo faz parte de uma série. Confira aqui a série completa.

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