Pensamento Grego e a Igreja Cristã: Encontros e Confrontos – Alguns apontamentos (41) – Final

Considerações finais (Continuação)

     Não podemos perder a dimensão de que todo o saber pertence a Deus. Ele rege a história e os acontecimentos aparentemente fortuitos. Se, como vimos, toda verdade pertence a Deus, como esboçou Justino, elaborou este pensamento mais tarde Agostinho, e o plenificou Calvino, podemos nos valer das contribuições que não por acaso, ocorreram no mundo “pagão”, porque se elas forem verdadeiras provieram de Deus. O pensamento cristão nos liberta do exclusivismo de guetos, quer acadêmicos, quer religiosos (conservadores ou liberais), que inibem a pesquisa e nos impede de uma visão mais plena da verdade de Deus, esteja onde estiver, surja onde surgir. Cristo e a sua Palavra se constituem nos aferidores de toda verdade. Jesus Cristo é o verdadeiro e absoluto cânon da verdade!

     A mensagem cristã parte do princípio da soberania de Deus sobre todas as coisas, por isso, nada existe nesse mundo que não pertença a Deus. A igreja como instituição missionária avança em todas as direções levando o Evangelho porque o mundo pertence a Deus.

     As “extremidades da terra” (Sl 2.8) são possessões do Senhor. Não há quem possa dizer-lhe: isto não lhe pertence. Não há um centímetro sequer de toda a criação que não seja abrangido pela totalidade do poder governativo de Deus.[1] Tudo pertence a Deus. Nenhum rei “governa senão pela vontade de Deus”.[2] Portanto, reivindicar qualquer autonomia ou qualquer forma de exclusão do poder de Deus. Mantendo-o alheio, consiste em um atentado à sua soberania.[3]

     Kuiper (1886-1966), observa que a declaração do Cristo ressurreto: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt 28.18), prefacia o mandamento evangelístico. “Isso torna a Grande Comissão uma afirmação da soberania mediatária de Cristo”.[4]

     Aqui vemos estampada parte da esfera do domínio de Cristo. Ele manda a Igreja evangelizar todo o mundo, porque o mundo todo lhe pertence. Ele é o Senhor! A Boa Nova do Evangelho envolve a mensagem de ambos os testamentos: Deus é o Senhor de toda realidade e de toda verdade.

     O senso de urgência da Igreja deve ser derivado do senso de urgência de Deus. A Missão é de Deus que se agencia por meio da Igreja.[5] A eleição do povo de Deus é para o serviço de Deus na sociedade. 

     A doutrina da vocação é o fundamento da teologia da vida cristã. Deus em seu amor eterno urgencia com a igreja a que compartilhe com todos, de forma “centrífuga” esta mensagem.[6]  A Pessoa de Cristo tem em si mesma e consequentemente em sua obra a força centrípeta que nos atrai e, num processo natural desta atração transformadora, exerce a sua força centrífuga que nos conduz a anunciar a Sua pessoa e os seus feitos gloriosos e redentores entre todos os povos.

     No Novo Testamento, Paulo instrui a Timóteo: “Prega a palavra (…) Pois haverá tempo (kairo/j)[7] em que não suportarão a sã doutrina” (2Tm 4.2,3). Hoje ainda temos ouvintes; mas, até quando? Hoje temos aqueles ouvintes; mas por quanto tempo? Pois haverá tempo (kairo/j) em que não suportarão a sã doutrina”.

     Aquelas pessoas que hoje ouvem a Palavra com interesse e avidez poderão não ouvir em outras épocas ou circunstâncias, daí a nossa responsabilidade de anunciar hoje a Palavra de Deus. “A Escritura nos adverte que, na perspectiva de Deus, o tempo é curto, a necessidade é grande e a tarefa é urgente”, alerta-nos Stott (1921-2011).[8]

     O senso de urgência deve nos levar a falar como se aquela fosse a última vez. A mensagem cristã deve ter sempre uma conotação de apelo ao homem para que assuma, pela graça de Deus, uma posição favorável e submissa à Sua Palavra. Contudo, devemos nos lembrar, conforme ensina-nos Kuiper (1886-1966), de que “o motivo da urgência da evangelização jaz em Deus. Porque Ele é quem é, insiste urgentemente com os pecadores para que se convertam a Ele”.[9]

Maringá, 13 de dezembro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa


[1]É bastante conhecida a declaração de Kuyper, quando, realizando um antigo sonho, falou na Aula Inaugural na Universidade Livre de Amsterdã em 20 de outubro1880, expressando a sua cosmovisão que caracterizaria aquela Instituição: Nenhuma única parte do nosso universo mental deve ser hermeticamente fechado do restante. (…) Não existe um centímetro quadrado no domínio inteiro de nossa existência humana sobre o qual Cristo, que é Soberano sobre tudo, não reivindique: ‘É meu!’” (Abraham Kuyper, Sphere Sovereignty: In: James D. Bratt, ed. Abraham Kuyper: A centennial reader, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1998, p. 488).

[2]João Calvino, O Profeta Daniel: Capítulos 1-6, São Paulo: Parakletos, 2000, v. 1, (Dn 2.36-39), p. 148.

[3] Veja-se: Vern S. Poythress, O Senhorio de Cristo: servindo o nosso Senhor o tempo todo, com toda a vida e de todo o nosso coração, Brasília, DF.: Monergismo, 2019, p. 13-14.

[4]R.B. Kuiper, Evangelização Teocêntrica, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1976, p. 46. Do mesmo modo: John Stott, Ouça o Espírito, Ouça o Mundo,São Paulo: ABU Editora, 1997, p. 408-409.

[5] “Todos nós deveríamos concordar que a missão surge primariamente da natureza de Deus e não da natureza da Igreja” (John R.W. Stott, A Missão Cristã no Mundo Moderno, Viçosa, MG.: Ultimato, 2010, p. 24). “A missão primordial é a de Deus, pois foi Ele quem mandou seus profetas, seu Filho, seu Espírito” (John R.W. Stott, A Missão Cristã no Mundo Moderno, p. 25).

[6] Vejam-se: J. Blauw, A Natureza Missionária da Igreja, São Paulo: ASTE., 1966, p. 34ss.; John R.W. Stott, A Missão Cristã no Mundo Moderno, p. 24ss.

[7]A ideia da palavra é de “oportunidade”, “tempo certo”, “tempo favorável”, etc. (Vejam-se: Mt 24.45; Mc 12.2; Lc 20.10; Jo 7.6,8; At 24.25; Gl 6.10; Cl 4.5; Hb 11.15). Ela enfatiza mais o conteúdo do tempo. Este termo que ocorre 85 vezes no NT. é mais comumente traduzido por “tempo”, surgindo, então, algumas variantes, indicando a ideia de oportunidade. Assim temos (Almeida Revista e Atualizada): Tempo e tempos: Mt 8.29; 11.25; 12.1; 13.30; 14.1; Lc 21.24; At 3.20; 17.26; “Devidos tempos”: Mt 21.41; “Tempo determinado”: Ap 11.18; “Momento oportuno”: Lc 4.13; “Tempo oportuno”: Hb 9.10; 1Pe 5.6; Oportunidade: Lc 19.44; Gl 6.10; Cl 4.5; Hb 11.15; Devido tempo: Lc 20.10; Presente: Mc 10.30; Lc 18.30; “Circunstâncias oportunas”: 1Pe 1.11; Algum tempo: Lc 8.13; Hora: Lc 8.13; 21.8; Época: Lc 12.56; At 1.7; 1Ts 5.1 (Xro/nwn kai\ tw=n kairw=n); 1Tm 6.15; Hb 9.9; Ocasião: Lc 13.1; 2Ts 2.6; 1Pe 4.17; Estações: At 14.17; Vagar: At 24.25; Avançado: Hb 11.11.

[8] John Stott, Ouça o Espírito, Ouça o Mundo,São Paulo: ABU Editora, 1997, p. 417.

[9]R.B. Kuiper, Evangelização Teocêntrica, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1976, p. 71.

Pensamento Grego e a Igreja Cristã: Encontros e Confrontos – Alguns apontamentos (40)

Considerações finais

A verdade é o melhor que o homem pode obter; a verdade é o mais augusto que a divindade pode conceder. Deus cede todos os bens aos homens para suprir suas necessidades; mas, ao comunicar-lhes a inteligência e sabedoria, permite-lhes que sejam partícipes dos atributos que lhe são próprios e de que faz constante uso. Não é a prata, nem o ouro, o que constitui a divina felicidade; o que estabelece seu poder não é o trovão, nem o raio, senão a ciência e a sabedoria. – Plutarco (46-120 AD.).[1]

A linguagem é um meio de identificação,[2] difusão da cultura e, ao mesmo tempo, de seu fortalecimento. A linguagem carrega consigo significados e valores, já que a linguagem e a comunidade mantêm uma relação de interdependência.[3]

Uma questão extremamente difícil é o processo de ressignificação da linguagem de uma cultura. Uso aqui a expressão em sentido bastante restrito: Como fazer as pessoas ouvirem e assimilarem determinadas palavras dentro de uma perspectiva diferente e, até mesmo conflitante, em relação aos significados aprendidos e dominantes?

As palavras carregam consigo significados próprios de uma cultura. A transposição deste conceito nem sempre é possível porque a realidade descrita carece de termos naquela língua para expressá-la. Deste modo, trabalhamos com um conceito analógico[4] que se propõe a fazer uma ponte, nem sempre no mesmo nível, de dois pontos por vezes bastante distantes.

Jaeger (1888-1961) ressaltando a influência da língua grega, afirma que “com a língua grega, todo um mundo de conceitos, categorias de pensamento, metáforas herdadas e sutis conotações de sentido entra no pensamento grego”.[5]

Aqui podemos ter um vislumbre do problema dos escritores do Novo Testamento. Eles esbararam repetidas vezes nessa questão: apresentar a mensagem cristã com termos já conhecidos, mas, ao mesmo tempo, que ganharam um novo significado a partir da própria essencialidade do evangelho. Assim, os escritores sagrados, inspirados por Deus, valeram-se, por vezes, de palavras amplamente conceituadas e assimiladas, porém, conferindo-lhes um sentido distinto, que, muitas vezes, só poderia ser compreendido a partir do Antigo Testamento. Com frequência é frustrante estudar as palavras do Novo Testamento sem a perspectiva teológica de seu conteúdo já estabelecido no Antigo Testamento.[6] O Novo Testamento foi escrito em grego, contudo a sua teologia encontra o seu fundamento na revelação veterotestamentária.

O apóstolo João foi quem mais se deparou com essas questões do conhecimento, justamente por escrever no final do primeiro século, quando o Cristianismo havia se expandido e, ao mesmo tempo, novas heresias surgiam com um conteúdo sincrético.

     Quando os pregadores cristãos empregaram, por exemplo, palavras tais como “igreja”, “logos”, “justiça”, “conhecimento”, “regeneração”, “sabedoria”, entre outras, era natural que os seus ouvintes, prematuramente, associassem estes termos aos conteúdos já conhecidos. Uma barreira a ser transposta era mostrar que o Cristianismo tinha uma mensagem diferente e, por isso mesmo, relevante para os seus ouvintes.

     Como exemplo, cito que as raízes do uso da palavra “Evangelho” no Novo Testamento, devem ser buscadas não no grego secular, mas sim no Antigo Testamento.[7] Ou seja, mesmo a palavra tendo um emprego comum no grego clássico, o seu conteúdo encontra-se nas páginas do Antigo Testamento. O recipiente é grego, contudo, o conteúdo é judaico. Muitas vezes a língua grega é apenas a taça de prata, mas, o conteúdo de ouro está na terminologia veterotestamentária.

Maringá, 13 de dezembro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


[1] Plutarco, Os mistérios de Ísis e Osíris, São Paulo: Nova Acrópole do Brasil, 1981, 1, p. 15.

[2] “Se realmente queremos entender uma cultura, muitas vezes diz-se necessário que compreendamos a sua língua” (Tim Chester, Conhecendo o Deus Trino: porque Pai, Filho e Espírito Santo são boas novas, São José dos Campos, SP.: Fiel, 2016, p. 18).

[3]  “Uma língua é inconcebível sem uma comunidade linguística que a suporte, assim como essa comunidade só existe em virtude de uma língua determinada, que lhe dá ao mesmo tempo sua forma e seu contorno. Desde que uma língua existe, existe também uma comunidade linguística. Há, em suma, entre as duas, uma dependência recíproca” (Walther Von Wartburg; Stephen Ullmann, Problemas e métodos da linguística, São Paulo: Difel, 1975, p. 205). À frente: “Tudo o que podemos dizer é que o nascimento da língua ou de uma determinada língua, ou o nascimento da comunidade que a suporta, o desenvolvimento do espírito, e a origem do gênero humano, representam fenômenos geneticamente conexos” (Ibidem., p. 206-207).

[4]  Devo esta expressão às observações de Collingwood (R.G. Collingwood, Los principios del arte, México: Fondo de Cultura Econômica, © 1960, 3. reimpressão, 1993, p. 18-20).

[5] Werner Jaeger, Cristianismo Primitivo e Paideia Grega, Lisboa: Edições 70, 1991, p. 17.

[6]  Veja-se: François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 1, p. 39-40.

[7]Vejam-se: Gerhard Friedrich, Eu)agge/lion: In: Gerhard Kittel; G. Friedrich, eds. Theological Dictionary of the New Testament, v. 2, p. 725; P. Bläser, Evangelho: In: Heinrich Fries, dir., Dicionário de Teologia, 2. ed. São Paulo: Loyola, 1983, v. 2, p. 153; Donatien Mollat, Evangelho: In: Xavier Léon-Dufour, dir. Vocabulário de Teologia Bíblica, 3. ed. Petrópolis, RJ.: Vozes, 1984, p. 319; U. Becker, Evangelho: In: Colin Brown, ed. ger. O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, v. 2, p. 169.

Pensamento Grego e a Igreja Cristã: Encontros e Confrontos – Alguns apontamentos (39)

5.2.3. O Temor de Deus e o Culto

 O escritor de Hebreus instrui aos cristãos da nova Aliança a aproximarem-se de Deus com confiança em Cristo. Acrescenta:

28 Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável (* eu)are/stwj“de modo aceitável”), com reverência (ai)dw/j) (= modéstia) e santo temor  (eu)la/beia) (= reverentemente, piedosamente);  29 porque o nosso Deus é fogo consumidor. (Hb 12.28-29).

     Nós cultuamos a Deus, a quem conhecemos, tendo uma visão clara, ainda que não exaustiva, de sua majestade e santidade. Devemos ter diante de nossos olhos esses aspectos em nosso culto solene a Deus.

     Outro ponto que quero destacar, é que devemos ter prazer em compartilhar entre os santos os feitos de Deus em nossa vida: o seu perdão, a sua misericórdia, proteção e paz. Esse é o convite do salmista aos seus ouvintes: “Vinde, ouvi, todos vós que temeis (arey) (yare’) a Deus, e vos contarei o que tem ele feito por minha alma” (Sl 66.16).

     Sentimos prazer da companhia de nossos irmãos no culto a Deus. É o que declara o salmista:

A meus irmãos declararei o teu nome; cantar-te-ei louvores no meio da congregação; 23 vós que temeis (arey) (yare’) o SENHOR, louvai-o; glorificai-o, vós todos, descendência de Jacó; reverenciai-o, vós todos, posteridade de Israel. 24 Pois não desprezou, nem abominou a dor do aflito, nem ocultou dele o rosto, mas o ouviu, quando lhe gritou por socorro. 25 De ti vem o meu louvor na grande congregação; cumprirei os meus votos na presença dos que o temem (arey) (yare’).(Sl 22.22-25).

     O nosso cântico deve ser um testemunho dos atos de Deus a fim de que outros possam também aprender a temer e confiar no Senhor: 

Esperei confiantemente pelo SENHOR; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro. 2Tirou-me de um poço de perdição, de um tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos. 3E me pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus; muitos verão essas coisas, temerão (arey) (yare’) e confiarão no SENHOR. (Sl 40.1-3).

     No Apocalipse encontramos cantos angelicais de louvor considerando a majestade de Deus como digna de temor:

Temei (fobe/w) a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas. (Ap 14.7).

Quem não temerá (fobe/w) e não glorificará o teu nome, ó Senhor? Pois só tu és santo; por isso, todas as nações virão e adorarão diante de ti, porque os teus atos de justiça se fizeram manifestos. (Ap 15.4).

Saiu uma voz do trono, exclamando: Dai louvores ao nosso Deus, todos os seus servos, os que o temeis (fobe/w), os pequenos e os grandes. (Ap 19.5).

     O temor a Deus além de orientador de nossa conduta, deve nos mover a louvar a Deus em comunhão com nossos irmãos.

Maringá, 13 de dezembro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

Pensamento Grego e a Igreja Cristã: Encontros e Confrontos – Alguns apontamentos (38)

a) Confiam e Esperam no Senhor

Os salmistas com experiências semelhantes, testemunham a sua fé no Senhor:                    

Alegraram-se os que te temem (arey) (yare’) quando me viram, porque na tua palavra tenho esperado. (Sl 119.74).

Confiam no SENHOR os que temem (arey) (yare’) o SENHOR; ele é o seu amparo e o seu escudo. 12 De nós se tem lembrado o SENHOR; ele nos abençoará; abençoará a casa de Israel, abençoará a casa de Arão. 13 Ele abençoa os que temem (arey) (yare’) o SENHOR, tanto pequenos como grandes. (Sl 115.11-13).

O SENHOR está comigo; não temerei (arey) (yare’). Que me poderá fazer o homem? (Sl 118.6).

     Os que temem ao Senhor ainda que não possam discernir em cada etapa de sua vida o propósito de Deus, conhecem o seu Deus, por isso, podem descansar em suas promessas, sabendo que os caminhos de Deus são sempre perfeitos.

b) Têm uma visão correta da Misericórdia de Deus da qual São beneficiários

“Digam, pois, os que temem (arey) (yare’) ao SENHOR: Sim, a sua misericórdia dura para sempre” (Sl 118.4/Sl 103.11,17).

     18 Eis que os olhos do SENHOR estão sobre os que o temem (arey) (yare’), sobre os que esperam na sua misericórdia, 19 para livrar-lhes a alma da morte, e, no tempo da fome, conservar-lhes a vida. 20 Nossa alma espera no SENHOR, nosso auxílio e escudo. 21 Nele, o nosso coração se alegra, pois confiamos no seu santo nome. 22 Seja sobre nós, SENHOR, a tua misericórdia, como de ti esperamos” (Sl 33.18-22).

     “Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece dos que o temem (arey) (yare’) (Sl 103.13).

     Usando ideologicamente do nome graça, podemos nos tornar arrogantes. No então, nas Escrituras, não há lugar para isso. A graça corretamente compreendida é um estímulo ao temor: “Bem! Pela sua incredulidade, foram quebrados; tu, porém, mediante a fé, estás firme. Não te ensoberbeças, mas teme (fobe/w) (Rm 11.20).

 c) Sentem-se Seguros

Como Deus cuida de nós, podemos nos sentir seguros, protegidos por Ele mesmo: “Temei (arey) (yare’) o SENHOR, vós os seus santos, pois nada falta aos que o temem (arey) (yare’) (Sl 34.9). “Dá sustento aos que o temem (arey) (yare’); lembrar-se-á sempre da sua aliança” (Sl 111.5).

     Se Deus é a nossa fortaleza, a ninguém temeremos: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei (arey) (yare’) mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam” (Sl 23.4/Sl 34.7; 56.3-4,11).

     Os mais terríveis temores podem ser dominados pela plena confiança no cuidado de Deus. Esse é o testemunho e estímulo do salmista aos que creem:         “O SENHOR é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo (arey) (yare’)? O SENHOR é a fortaleza da minha vida; a quem temerei (dx;P’) (pahad)?” (Sl 27.1/Is 12.2).

d) Deus lhes atende à oração

 “Ele acode à vontade dos que o temem (arey) (yare’); atende-lhes o clamor e os salva” (Sl 145.19). O temor do Senhor não nos torna imunes a angústias próprias de nossa existência e limitações, contudo, há uma certeza: Deus não é indiferente à nossa oração. Dentro de seu propósito santo, Ele nos consola ouvindo o nosso clamor, nos salvando.

     Como é confortador saber que o nosso Deus, diferentemente dos deuses pagãos – que só existem na imaginação dos que creem -, é  soberanamente solícito para conosco. Ele é de fato o nosso Senhor e Pastor.

e) São Bem-aventurados com as bênçãos de Deus

 Como o temor de Deus envolve uma relação amorosa com Deus, tendo implicações em todas as nossas relações, a Escritura declara com frequência a bem-aventurança própria daqueles que temem a Deus:

Aleluia! Bem-aventurado o homem que teme (arey) (yare’) ao SENHOR e se compraz nos seus mandamentos. (Sl 112.1).

Ele abençoa os que temem (arey) (yare’) o SENHOR, tanto pequenos como grandes. (Sl 115.13).

Bem-aventurado aquele que teme (arey) (yare’) ao SENHOR e anda nos seus caminhos!. (Sl 128.1/Sl 128.4).

Como é grande a tua bondade, que reservaste aos que te temem (arey) (yare’), da qual usas, perante os filhos dos homens, para com os que em ti se refugiam! (Sl 31.19).

São Paulo, 10 de dezembro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

Pensamento Grego e a Igreja Cristã: Encontros e Confrontos – Alguns apontamentos (37)

7) O Temor a Deus e a nossa Vida Social

O temor a Deus tem implicações éticas. Daí a Escritura ao qualificar os servos de Deus como homens tementes a Deus, sempre os apresentam com virtudes relevantes dentro do ponto que se quer enfatizar.

     Há uma identificação natural entre tais pessoas devido aos princípios, valores e práticas semelhantes. Temos prazer em conviver com pessoas que temem ao Senhor. Essa santa e piedosa afinidade é natural.  Devemos cultivar isso: “Companheiro sou de todos os que te temem (arey) (yare’) e dos que guardam os teus preceitos” (Sl 119.63).

     O temor do Senhor nos aproxima por identificarmos propósitos semelhantes. Somos pecadores, contudo, buscamos em Deus o perdão e a correção. Ainda que não possamos nem devamos transformar as nossas relações sociais em um gueto ou uma casta de homens e mulheres com espírito farisaico ‒ e isso deve ficar bem claro para nós ‒, sabemos que é altamente salutar e alegre conviver com os nossos irmãos buscando a edificação recíproca. É o que expressa o salmista: “Alegraram-se os que te temem (arey) (yare’) quando me viram, porque na tua palavra tenho esperado” (Sl 119.74). “Voltem-se para mim os que te temem (arey) (yare’) e os que conhecem os teus testemunhos” (Sl 119.79).

     Alcorn faz uma constatação pertinente: “Aqueles com quem decidimos gastar nosso tempo disponível moldarão dramaticamente nossa vida”.[1] (1Co 15.33; Pv 13.20).

     A Escritura também nos adverte quanto a critérios puramente estéticos sem uma avaliação mais substancial e relevante: “Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme (arey) (yare’) ao SENHOR, essa será louvada” (Pv 31.30).

     A mulher que teme ao Senhor revelará também a sua beleza em atos de sábia obediência. Importa dizer aqui que a Escritura não faz apologia à falta de beleza e formosura, antes, declara que estes aspectos solitários, além de ilusórios, são passageiros. O que de fato deve ter prioridade, ainda que não necessária exclusividade, é o temor do Senhor.

5.2.2. Em nossa relação com Deus

“A intimidade (dAs) (sod) (conselho secreto, conversa confidencial) do SENHOR é para os que o temem (arey) (yare’), aos quais ele dará a conhecer a sua aliança” (Sl 25.14).

      O temor de Deus nos fala de um senso de reverência pelo fato de conhecermos a Deus, sabermos de sua grandeza e majestade. Os que temem a Deus são os íntimos; têm “conversas confidenciais” com o Senhor.

     Mais uma vez nos deparamos com um paradoxo. O senso de temor, longe de nos afastar, nos aproxima de Deus. Somos tornados íntimos de Deus. É Ele mesmo quem nos aproxima de si. Deus compartilha com os que o temem, a sua aliança, o seu propósito e conselho, colocando no coração destes a alegria e a confiança de saber de forma experiencial quem é o seu Deus, o Deus da Aliança, digno de todo temor  ‒ próprio daqueles que são íntimos do Senhor ‒, e alegre obediência. Por isso, conforme escreve Patterson,“o homem justo e reto, que anda no temor do Senhor, receberá o conselho secreto de Deus”.[2]

São Paulo, 10 de dezembro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


[1]Randy Alcorn, Decisões Diárias cumulativas, coragem em uma causa e uma vida de perseverança: In: John Piper; Justin Taylor, eds. Firmes: um chamado à perseverança dos santos,  São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2010, p. 107.

[2]R.D. Patterson, Swd: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1031.

Pensamento Grego e a Igreja Cristã: Encontros e Confrontos – Alguns apontamentos (36)

 3) Temor e Integridade

No final da vida, Josué que conduzira a Israel por tantos anos, reúne toda a liderança e o povo. Relembra-lhes a história de Israel, os atos de Deus de formação e preservação. Josué estimula o povo a reafirmar sua fidelidade à Aliança feita com Deus. As suas palavras são de exortação a temer a Deus e a  servi-Lo, como vimos, com integridade: “Agora, pois, temei (arey) (yare’) ao SENHOR e servi-o com integridade (~ymiT’) (tamiym) e com fidelidade; deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais dalém do Eufrates e no Egito e servi ao SENHOR” (Js 24.14).

     O Livro de Jó começa com uma descrição do seu caráter: “Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro (~T’) (tam) (completo, inteiro) e reto, temente (arey) (yare’) a Deus e que se desviava do mal” (Jó 1.1/Jó 1.8; 2.3).

            Paulo no Novo Testamento estimula a igreja a se desenvolver em santidade no temor do Senhor: “Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor (fo/boj) de Deus” (2Co 7.1).

  4) Anda no Caminho do Senhor

 Ao mesmo tempo em que o temor do Senhor nos afasta do mal,  nos aproxima de Deus, nos  levando a andar nos seus preceitos. Por isso, o temor do Senhor é um princípio de vida seguro e bem-aventurado. É como expressa o salmista:  “Bem-aventurado aquele que teme (arey) (yare’) ao SENHOR e anda nos seus caminhos!” (Sl 128.1).

5) Tem prazer na Lei do Senhor

O temor do Senhor é educativo. Ele ensina a nos aproximar de Deus e a nos agradar nos seus mandamentos, descobrindo a alegria da obediência ao nosso Senhor. “Aleluia! Bem-aventurado o homem que teme (arey) (yare’) ao SENHOR e se compraz  (#pex‘) (haphets)(tem grande prazer) nos seus mandamentos” (Sl 112.1).

6) Aptos para Governar

Quando o sogro de Moisés o aconselha a nomear auxiliares para julgar o povo, sugere o critério: “Procura dentre o povo homens capazes (lyIx;) (hayil) (pessoas hábeis, honradas e de bem), tementes (arey) (yare’) a Deus, homens de verdade (tm,a/) (’emeth) (fiel, digno de confiança), que aborreçam a avareza” (Ex 18.21).

     Estes homens, são qualificados de “homens de verdade”; ou seja: são honrados, íntegros, dignos de confiança. De passagem, podemos dizer que aqui temos um indicativo do significado de hombridade: ser fiel, digno de confiança.

     Após o retorno do cativeiro babilônio, quando Neemias explica a nomeação de Hananias para supervisionar a segurança da cidade de Jerusalém, ele apresenta o critério do qual se valeu:

Ora, uma vez reedificado o muro e assentadas as portas, estabelecidos os porteiros, os cantores e os levitas, 2 eu nomeei Hanani, meu irmão, e Hananias, maioral do castelo, sobre Jerusalém. Hananias era homem fiel (tm,a/) (’emeth) (verdadeiro, digno de confiança) e temente (arey) (yare’) a Deus, mais do que muitos outros. (Ne 7.1-2).

São Paulo, 10 de dezembro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

Pensamento Grego e a Igreja Cristã: Encontros e Confrontos – Alguns apontamentos (35)

b) Positivamente

1) Devemos pedir ao Senhor que nos ensine a Temê-Lo

 Por mais paradoxal que possa parecer, o temor do Senhor é um aprendizado de amor. Por isso, diante de tantos poderes que nos angustiam e ameaçam, o servo de Deus deve pedir ao Senhor que nos ensine a só temê-lo. Este santo temor é um aprendizado da fé resultante do maior conhecimento de Deus. O nosso caminhar e as veredas que seguimos revelam a nossa lealdade ao Senhor a quem tememos em amor. Assim ora o salmista: “Ensina-me (hr’y”) (yarah)[1] SENHOR, o teu caminho, e andarei na tua verdade; dispõe-me o coração (לבב) (lêbâb) para só temer (arey) (yare’) o teu nome” (Sl 86.11).

    Quando tememos a Deus, por encontrarmos nele o sentido da vida e da eternidade, aprendemos a vencer todos os outros temores irrelevantes (Jo 6.20/Mt 10.26,28,31; 14.27,30).[2]

    Diante de tantas opções que se mostram querendo nos tornar cativos de suas percepções e ações, aprendemos que na realidade, o único caminho viável para aqueles que amam ao Senhor e confiam nos Seus preceitos,  é seguir as Suas instruções. “Ao homem que teme (arey) (yare’) ao SENHOR, ele o instruirá (hr’y”) (yârâh) no caminho que deve escolher” (Sl 25.12).

    “O temor (ha’r>yI) (yir’ah) do SENHOR é límpido (rAhj’) (tahor)(puro,[3] limpo) e permanece para sempre; os juízos do SENHOR são verdadeiros e todos igualmente, justos” (Sl 19.9). A Palavra de Deus é absolutamente clara no que Deus requer de nós. Ela é direta em suas orientações. Não há obscuridade no mandamento de Deus, impedimentos à nossa compreensão.

    O nosso temor a Deus é totalmente confiante nas Suas promessas, convictos de Sua santidade e majestade. Por isso podemos sincera e confiantemente atentar para a sua Palavra considerando a veracidade e objetividade de seus mandamentos. Não há contradição em Deus nem nos seus mandamentos. Há uma perfeita harmonia essencial em todos os seus preceitos.

2) É um princípio orientador de nossa vida

No temor de Deus encontramos clareza de propósito e sabedoria de ensino. Nos seus princípios temos a origem da sabedoria e uma condução segura para a nossa vida. O fundamento de todo conhecimento verdadeiro está no temor do Senhor. Aqui temos a essência da sabedoria.

          Diversos textos das Escrituras nos mostram esses aspectos:

O temor (ha’r>yI) (yir’ah) do SENHOR conduz à vida; aquele que o tem ficará satisfeito, e mal nenhum o visitará. (Pv 19.23).

O temor (ha’r>yI) (yir’ah) do SENHOR é a instrução da sabedoria. (Pv 15.33).

O temor (ha’r>yI) (yir’ah) do SENHOR é o princípio do saber, mas os loucos (אֱוִיל) (‘eviyl)  desprezam a sabedoria e o ensino. (Pv 1.7/Pv 15.5).

          Estes “loucos” desprezam a instrução do Senhor porque têm prazer em suas loucuras. São sábios aos seus próprios olhos: “O caminho do insensato (אֱוִיל) (‘eviyl) aos seus próprios olhos parece reto” (Pv 12.15/Pv 14.3). Acham graça de seus próprios pecados: “Os loucos (אֱוִיל) (‘eviyl) zombam do pecado” (Pv 14.9). Contudo, eles sofrerão as consequências de seus atos: “Os estultos (אֱוִיל) (‘eviyl), por causa do seu caminho de transgressão e por causa das suas iniquidades, serão afligidos” (Sl 107.17/Pv 10.8,10,14,21).

          “O temor (ha’r>yI) (yir’ah) do SENHOR é o princípio da sabedoria; revelam prudência todos os que o praticam. O seu louvor permanece para sempre” (Sl 111.10). As Escrituras referem-se a Cornélio deste modo: “Piedoso e temente (fobe/w) a Deus com toda a sua casa e que fazia muitas esmolas ao povo e, de contínuo, orava a Deus” (At 10.2/At 10.22). A Escritura ensina também a importância deste temor diante de Deus entre todos os povos: “Em qualquer nação, aquele que o teme (fobe/w) e faz o que é justo lhe é aceitável” (At 10.35). Ou seja: a questão da satisfação de Deus não é étnica ou cultural, antes, é de obediência sincera.

          Somos informados por Lucas que a Igreja em Atos crescia e se desenvolvia com este estimulante e confortador sentimento: “A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor (fo/boj) do Senhor, e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número” (At 9.31).

São Paulo, 09 de dezembro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

     


[1]Figuradamente tem o sentido de mostrar, indicar, “apontar o dedo”. Encaminhar (Gn 46.28); disparar (Sl 11.2; 64.4); apontar (Sl 25.8); atingir (Sl 64.4); desferir (Sl 64.7). No hifil, conforme o texto citado, tem o sentido de “ensinar”.

[2]19 Tendo navegado uns vinte e cinco a trinta estádios, eis que viram Jesus andando por sobre o mar, aproximando-se do barco; e ficaram possuídos de temor (fobe/w). 20 Mas Jesus lhes disse: Sou eu. Não temais (fobe/w)! 21 Então, eles, de bom grado, o receberam, e logo o barco chegou ao seu destino” (Jo 6.19-21). 5 Mas o anjo, dirigindo-se às mulheres, disse: Não temais (fobe/w); porque sei que buscais Jesus, que foi crucificado. 6 Ele não está aqui; ressuscitou, como tinha dito. Vinde ver onde ele jazia. 7 Ide, pois, depressa e dizei aos seus discípulos que ele ressuscitou dos mortos e vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis. É como vos digo! 8 E, retirando-se elas apressadamente do sepulcro, tomadas de medo (fo/boj) e grande alegria, correram a anunciá-lo aos discípulos. 9 E eis que Jesus veio ao encontro delas e disse: Salve! E elas, aproximando-se, abraçaram-lhe os pés e o adoraram. 10 Então, Jesus lhes disse: Não temais (fobe/w)! Ide avisar a meus irmãos que se dirijam à Galiléia e lá me verão” (Mt 28.5-10). “Ao temermos a Deus, os outros temores desvanecem” (William Edgar, Razões do Coração: reconquistando a persuasão cristã, Brasília, DF.: Refúgio, 2000, p. 38).

[3] Jó 14.4; 17.9; 28.19; Sl 12.6; Ml 1.11.

Pensamento Grego e a Igreja Cristã: Encontros e Confrontos – Alguns apontamentos (34)

5.2.1. O temor a Deus como princípio de vida

 O temor de Deus é algo essencial à vida cristã. A Palavra nos mostra em diversas passagens como este temor longe de ser algo que nos afaste de Deus  causando uma ansiedade paralisante,[1] é resultado do conhecimento de Deus, do seu amor, bondade, misericórdia, santidade, justiça e glória.[2] O temor do Senhor é uma relação de graça por meio da qual podemos conhecer a Deus, nos relacionar com Ele tendo alegria e gratidão por temê-lo. O amor como compromisso nos estimula a servir a Deus em alegre obediência. “A graça e o favor de Deus não abolem a solenidade do trato”, adverte-nos Mundie.[3] O nosso santo temor a Deus se manifesta em amor obediente.[4]

     O temor de Deus envolve o senso de nossa pequenez e da sua maravilhosa graça. O temor de Deus é um encantamento com a sua majestade e a consciência de nosso pecado e carência de sua misericórdia. Aliás, o Senhor é quem nos ensina a temê-lo e reverenciá-lo. Estou convencido que o temor de Deus é um aprendizado de amor que se manifesta em admiração, obediência e culto[5] tendo implicações em todas as áreas de nossa vida. Temer a Deus deve ser o princípio orientador de nossa vida e decisões. Temer a Deus é graça! Por isso, como veremos, são bem-aventurados aqueles que temem ao Senhor. Analisemos agora alguns aspectos deste assunto tão fascinante.

a) Negativamente

 Os homens perversos, por não terem conhecimento de Deus, em seus atos revelam não temer a Deus: “Há no coração do ímpio a voz da transgressão; não há temor  (dx;P;) (pahad)[6] de Deus diante de seus olhos” (Sl 36.1).

            A ausência do temor de Deus contribui para a perversidade, proporcionando a falsa impressão ao homem de sua autonomia, propiciando, portanto, a manifestação de sua perversidade visto que se considera além de qualquer juízo. Os seus olhos se constituem no critério final de percepção da realidade e, por isso mesmo, de padrão de seu comportamento.

Na parábola contada por Jesus, temos uma ilustração de tal pensamento e comportamento por parte do juiz iníquo que pouco se importava com a essência das questões a serem julgadas, antes, visava sempre ao seu interesse e comodidade. O centro do direito era a sua pessoa e as suas circunstâncias:

2Havia em certa cidade um juiz que não temia  (fobe/w) a Deus, nem respeitava homem algum.  3Havia também, naquela mesma cidade, uma viúva que vinha ter com ele, dizendo: Julga a minha causa contra o meu adversário.  4 Ele, por algum tempo, não a quis atender; mas, depois, disse consigo: Bem que eu não temo (fobe/w) a Deus, nem respeito a homem algum. (Lc 18.2-4).

     No entanto, quem assim age, colherá os frutos de seus atos: “…. o perverso não irá bem, nem prolongará os seus dias; será como a sombra, visto que não teme (arey) (yare’) diante de Deus” (Ec 8.13).

Maringá, 06 de dezembro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa


[1] Cf. Mt 28.4.

[2] “A única coisa que, segundo a autoridade de Paulo, realmente merece ser denominada de conhecimento é aquela que nos instrui na confiança e no temor de Deus, ou seja, na piedade” (João Calvino, As Pastorais,São Paulo: Paracletos,1998, (1Tm 6.20), p. 187). “Quem quer que deseje crescer na fé deve também ser diligente em progredir no temor do Senhor” (João Calvino, O Livro dos Salmos,São Paulo: Paracletos, 1999, v. 1, (Sl 25.14), p. 557).

[3] W. Mundie, Medo: In: Colin Brown, ed. ger. Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1981-1983, v. 3, p. 147.

[4] “Não existe incompatibilidade entre amor e obediência; pois na vida verdadeiramente santificada existe a obediência em amor e o amor obediente” (Ernest Kevan, A Lei Moral, São Paulo: Editora Os Puritanos, 2000, p. 9).

[5] “Se um genuíno conhecimento de Deus habita os nossos corações, seguir-se-á inevitavelmente que seremos conduzidos a reverenciá-lo e a temê-lo. Não é possível ter genuíno conhecimento de Deus exceto pelo prisma de sua majestade. É desse fator que nasce o desejo de servi-lo, e daqui sucede que toda a vida é direcionada para ele como seu supremo alvo” (João Calvino,Exposição de Hebreus,São Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 11.6), p. 306).

[6]dx;P; (pahad) pode ser considerado um sinônimo poético de (arey) (yare’) (Cf. Andrew Bowling, Pahad: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1209).

Pensamento Grego e a Igreja Cristã: Encontros e Confrontos – Alguns apontamentos (33)

5.2. O temor a Deus e a Palavra

Nada há de melhor, para desenvolver esse santo temor, do que o reconhecimento da soberana majestade de Deus. – A.W. Pink.[1]

              O aprendizado do temor a Deus começa pela leitura da Palavra, o refletir sobre a gloriosa e majestosa natureza de Deus, seus mandamentos e atos na história.

     Ilustremos isso.

     Moisés preparando o povo para entrar na Terra Prometida incumbiu aos sacerdotes de organizarem a Festa dos Tabernáculos, uma das três solenidades obrigatórias a todos os judeus.[2]Essas Festas solenes tinham como propósito, manter o povo unido em torno da Aliança, demonstrando às nações vizinhas a condição de povo eleito de Deus e, reafirmar a sua identidade de nação santa escolhida do Senhor, a quem deveriam honrar, obedecer e celebrar.[3]  Nesta solenidade o povo apresentava ofertas a Deus como reconhecimento de suas bênçãos (Dt 16.17):[4]

Quando todo o Israel vier a comparecer perante o SENHOR, teu Deus, no lugar que este escolher, lerás esta lei diante de todo o Israel.12 Ajuntai o povo, os homens, as mulheres, os meninos e o estrangeiro que está dentro da vossa cidade, para que ouçam, e aprendam, e temam (arey) (yare’) o SENHOR, vosso Deus, e cuidem de cumprir todas as palavras desta lei; 13 para que seus filhos que não a souberem ouçam e aprendam a temer (arey) (yare’) o SENHOR, vosso Deus, todos os dias que viverdes sobre a terra à qual ides, passando o Jordão, para a possuir. (Dt 31.11-13).

     O temor do Senhor – o senso de sua grandeza e majestade – deve estar diante de nós, de nossos desejos, projetos e atitudes. Este deve ser o princípio orientador de nossa vida.

     Calvino (15090-1564) faz uma analogia pertinente e esclarecedora:

Visto que os olhos são, por assim dizer, os guias e condutores do homem nesta vida, e por sua influência os demais sentidos se movem de um lado para o outro, portanto dizer que os homens têm o temor de Deus diante de seus olhos significa que ele regula suas vidas e, exibindo-se-lhes de todos os lados para onde se volvam, serve de freio a restringir seus apetites e paixões.[5]

     Por meio deste princípio orientador e regulador temos os nossos olhos abertos para as maravilhas de Deus. Longe de ser algo inibidor, é libertador de uma visão míope e cativa de sua percepção enferma.

     Veith Jr., escreve sobre esse ponto:

Temer a Deus não é o fim da sabedoria, mas o começo. Uma pessoa que teme a Deus pode se abrir para as alturas vastas e vertiginosas do conhecimento. Aqueles que “praticam” esse temor de Deus podem ter um “bom entendimento” de tudo.[6]

     A educação bíblica é magnificamente completa, envolvendo o ensino sobre a santidade e a misericórdia de Deus. Mostra-nos o Deus absoluto e, o quanto carecemos dele. Portanto, biblicamente, devemos caminhar dentro dessa perspectiva: Deus é santo/majestoso, isto nos leva a reverenciá-lo com santo temor. Mas, também, Deus é misericordioso, portanto, devemos amá-lo com toda a intensidade de nossa existência. A santidade nos fala de sua justiça. A misericórdia nos conduz a refletir sobre o seu incomensurável amor que fez com que Ele se desse a conhecer, consumando a sua revelação em Jesus Cristo, o Deus encarnado (Hb 1.1-4).

     A eliminação de uma dessas duas percepções do Ser de Deus nos conduziria a uma compreensão equivocada de quem é Deus e, consequentemente de nosso relacionamento com Ele. Uma teologia equivocada promove uma fé distorcida e uma ética estéril. A genuína vida cristã parte sempre de uma compreensão adequada do Deus infinito e pessoal; o Deus que se revela.

     O nosso amor a Deus começa pelo conhecimento de sua majestade. Downs enfatiza corretamente: “O amor por Deus deve estar enraizado apropriadamente no solo de nosso temor de Deus”.[7] Portanto, devemos não simplesmente temer o castigo de Deus, antes temer pecar contra Deus, o nosso Santo e Majestoso Senhor.

     O salmista Davi depois de grande prova e livramento, escreve: “Vinde, filhos e escutai-me; eu vos ensinarei (dml) (lamad)[8] o temor (ha’r>yI) (yir’ah) do SENHOR” (Sl 34.11). Restaurado por Deus após ter pecado, confessado e se arrependido, Davi propõe-se a ensinar o caminho de Deus: “Então, ensinarei (dml) (lamad) aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores se converterão a ti” (Sl 51.13).

     O ensino sobre Deus, envolve, portanto, a sua justiça e misericórdia perdoadora.

Maringá, 06 de novembro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


[1]A.W. Pink, Deus é Soberano,São Paulo: Editora Fiel, 1977, p. 140.

[2]Ela ocorria no final do ano, quando eram reunidos os trabalhadores do campo. Nesses dias todos os judeus deveriam habitar em tendas de ramos: “Sete dias habitareis em tendas de ramos; todos os naturais em Israel habitarão em tendas; para que saibam as vossas gerações que eu fiz habitar os filhos de Israel em tendas, quando os tirei da terra do Egito” (Lv 23.42-43). Esta festa era caracterizada por grande alegria: Alegrar-te-ás, na tua festa, tu, e o teu filho, e a tua filha, e o teu servo, e a tua serva, e o levita, e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva que estão dentro das tuas cidades” (Dt 16.14). Assim descreve Edersheim (1825-1829): “A mais alegre de todas as festas do povo israelita era a Festa dos Tabernáculos. Ela caía justamente num tempo do ano, em que todos os corações estavam repletos de gratidão, de contentamento e de esperança. Já as colheitas estavam guardadas nos celeiros; todos os frutos estavam também sendo recolhidos, a vindima estava feita, e a terra aguardava apenas que as ‘últimas chuvas’ amolecessem e refrescassem o chão, a fim de que nova colheita fosse preparada. (…) Ao lançar os olhos para a terra dadivosa e para os frutos que os havia enriquecido, deveriam os israelitas lembrar-se de que só pela miraculosa intervenção divina tinham eles conquistado esta pátria, cuja propriedade, entretanto, Deus sempre reclamara por direito Seu” (Alfredo Edersheim, Festas de Israel, São Paulo: União Cultural Editora, (s.d.), p. 83).

[3] Cf. Matthew Henry, Comentario Exegético-Devocional a toda la Biblia – El Pentateuco, Barcelona: CLIE, 1983, (Dt 16.1-17), p. 825.

[4]“Cada um oferecerá na proporção em que possa dar, segundo a bênção que o SENHOR, seu Deus, lhe houver concedido” (Dt 16.17).

[5]João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Paracletos, 1999, v. 2, (Sl 36.1), p. 122-123.

[6]Gene Edward Veith, Jr., De Todo o Teu Entendimento, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 135.

[7]Perry G. Downs, Introdução à Educação Cristã: Ensino e Crescimento, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, p. 180.

[8]A ideia básica de (למד) (lamad) é a de aprender, ensinar, treinar, educar, acostumar-se a; familiarizar-se com (Cf. Walter C. Kaiser, Lâmad:In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento,p. 791; D. Müller, Discípulo: In: Colin Brown, ed. ger. Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1981-1983, v. 1 p. 662; A.W. Morton, Educação nos tempos bíblicos: In: Merrill C. Tenney, org. ger., Enciclopédia da Bíblia, São Paulo: Cultura Cristã, 2008, v. 2, p. 261; E.H. Merrill, dml: In: Willem A. VanGemeren, org., Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 2, p. 800-802.

O Pensamento Grego e a Igreja Cristã: Encontros e Confrontos – Alguns apontamentos (32)

5.1.4. Deus nos concede sabedoria por meio da Palavra (Continuação)

A Igreja como baluarte da verdade

A Sagradas letras são essenciais para a nossa maturidade.  A Igreja é chamada de “coluna e baluarte da verdade”, porque a ela foram confiados os oráculos de Deus (Rm 3.2/1Tm 3.15). A Igreja como baluarte da verdade está amparada no fundamento que consiste na obra de Deus realizada por intermédio de Cristo (Mt 16.18/Ef 2.20).[1] “Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver-te em breve; para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna (stu=loj)[2] e baluarte (* e(drai/wma) da verdade (a)lh/qeia) (1Tm 3.14-15).

Bavinck aplica o conceito paulino:

A Igreja deve ser o pilar e o terreno da verdade (1Tm 3.15), ou seja, deve ser um pedestal e uma fundação sobre a qual a verdade seja apresentada, mantida e estabelecida contra o mundo. Quando a Igreja negligencia e se esquece do seu dever com relação à Escritura ele se torna remissa em seu dever e mina sua própria existência.[3]

Deus se dignou em preservar a verdade por meio da sua Igreja. Quando ela falha, neste propósito, ainda que a verdade não seja abalada em sua essência, ela se torna fragilizada em sua exposição e aceitação.

Paradoxalmente, o que tem faltado à Igreja é sabedoria para discernir, por intermédio da Palavra de Deus, o que está acontecendo.  Muitas vezes, temos sido iludidos, enganados e espoliados espiritualmente, justamente porque nos tem faltado a meditação na Palavra de Deus, acompanhada pela oração para que Deus nos dê a compreensão dos fatos, da sua vontade para o nosso momento presente.

Deus não deseja um povo ingênuo, imaturo quanto à interpretação da realidade. Ele quer que sejamos maduros, aptos para discernir, interpretar os acontecimentos e que, sem titubear, sigamos os seus preceitos.

A sabedoria propiciada por Deus  dá-nos discernimento para que possamos nos valer do que for útil em todos os conhecimentos sem nos perder em meio às suas contradições, tendo como elemento avaliador a Palavra de Deus.

A sabedoria divina oferece-nos um quadro de referência que nos conduz cada vez à gratidão a Deus por tão grandiosa bênção. Para que possamos emitir um juízo de valor é preciso ter valores e um quadro coerente de interpretação a partir de determinado valor ou de um conjunto de valores. Notemos, portanto, que pensar com clareza é uma grande bênção de Deus.[4]

Jesus Cristo afirma que aquele que deseja fazer a vontade de Deus deve examinar a doutrina: “Se alguém quiser fazer a vontade (Qe/lhma)dele (Deus), conhecerá (ginw/skw) a respeito da doutrina (didaxh/), se ela é de Deus” (Jo 7.17).

É necessário discernimento para interpretar as doutrinas que nos são transmitidas a fim de saber se são de Deus ou não. Portanto, devemos desejar conhecer a vontade de Deus (Ef 5.17). 

A esperteza dos falsos mestres

O falso mestre é aquele que ensina a mentira, o engano: cria imagens que nada são para corromper seus ouvintes, conduzindo-os a negar o próprio Senhor Jesus Cristo e, também, à viverem libertinamente (a)se/lgeia), ou seja, de modo dissoluto e lascivo.[5] Por causa disso, o caminho do Evangelho seria caluniado, reprovado, “blasfemado”. A mensagem desses falsos mestres consiste numa corrupção do Evangelho. Plasto/j parece ter o sentido aqui de palavras artisticamente elaboradas, moldadas, sugestivas, porém, falsas, forjadas em seu próprio proveito, e, que por isso mesmo estão em oposição à verdade. Curiosamente este é o termo de onde vem a nossa palavra “plástico”.[6] O ensino cristão envolve arte, mas não “arte plástica” para com a verdade.

Nós cristãos, precisamos treinar os nossos ouvidos: “Porque o ouvido prova  (!x;B’)(bahan)(examina, testa) as palavras, como o paladar, a comida” (Jó 34.3/Jó 12.11).

O caminho da sabedoria é o caminho da santidade. Se nós queremos ser santos, devemos buscar na Palavra de Deus a coragem para cumprir os seus decretos, o ânimo para não nos abatermos com as ciladas do diabo, e o discernimento e sabedoria para que possamos interpretar a Palavra de Deus, avaliando os fatos, e aplicando os princípios eternos de Deus à nossa realidade cotidiana

Meditação e santificação

O nosso meditar na Palavra tem implicações direta em nossa santificação,[7] visto que se constitui em um estímulo constante, por graça de Deus, a que cumpramos os seus mandamentos. Ao mesmo tempo, como nos adverte Calvino, a Palavra nos previne contra as armadilhas diabólicas que visam nos afastar de Deus:

Visto que Satanás está diariamente fazendo novos assaltos contra nós, é necessário que recorramos às armas, e é mediante a lei divina que somos munidos com a armadura que nos capacita  a resistir. Portanto, quem quer que deseje perseverar em retidão e integridade de vida, então que aprenda a exercitar-se diariamente no estudo da Palavra de Deus; pois, sempre que alguém despreze ou negligencie a instrução, o mesmo cai facilmente em displicência e estupidez, e todo o temor de Deus se desvanece em sua mente.[8]

Portanto, o homem bem-aventurado do Salmo 1, é aquele que se agrada em meditar na Palavra, dando atenção aos mandamentos de Deus a fim de poder cumpri-los, tornando-os o modelo de sua agenda de pensar e praticar.

Maringá, 29 de novembro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa


[1] Ver: J. Blunck, Firme: In: Colin Brown, ed. ger., O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento,São Paulo: Vida Nova, 1981-1983, v. 2, p. 246.

[2] * Gl 2.9; 1Tm 3.15; Ap 3.12; 10.1.

[3]Herman Bavinck, Teologia Sistemática, Santa Bárbara d’Oeste,SP.: SOCEP., 2001, p. 129.

[4] Veja-se: John MacArthur Jr., Abaixo a Ansiedade, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, p. 32.

[5]A)se/lgeia ocorre nos seguintes textos do Novo Testamento: Mc 7.22; Rm 13.13; 2Co 12.21; Gl 5.19; Ef 4.19; 1Pe 4.3; 2Pe 2.2,7,18; Jd 4.

[6]A palavra grega plastiko/j é derivada do verbo pla/ssw, cujo advérbio utilizado por Pedro é plasto/j. A nossa palavra plástico vem do grego (plastiko/j) passando pelo latim (plasticus), sempre de forma transliterada, significando aquilo “que tem propriedade de adquirir determinadas formas sensíveis, por efeito de uma ação exterior”.   

[7]“Não podemos fazer progresso na santidade a menos que empreguemos mais tempo lendo e ouvindo a Palavra de Deus, e meditando sobre ela; pois é ela que é a verdade pela qual somos santificados” (Charles Hodge, O Caminho da Vida, New York: Sociedade Americana de Tractados, (s.d.), p. 294).

[8]João Calvino, O Livro dos Salmos,v. 1, (Sl 18.22), p. 383