O Selo e o Penhor do Espírito como realidades na vida de todo crente (4)

O Penhor do Espírito

 “Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus, que também nos selou (sfragi/zw) e nos deu o penhor (a)rrabw/n) do Espírito em nosso coração” (1Co 1.21-22).

 

O Espírito é também chamado de penhor (a)rrabw/n)[1] da nossa salvação (2Co 1.22; 5.5; Ef 1.14) – indicando assim, o “primeiro pagamento”, “depósito”, o “sinal” de compra com o compromisso solene de efetivar a transação.[2] O Espírito é o sinal e penhor daquilo que teremos no futuro. Ele é a demonstração divina de Sua intenção e promessa.

 

O Espírito é o adiantamento da compra já efetivada e que não será desfeita. Deus é fiel; Ele preserva e cumpre a Sua promessa. Este símbolo permanece até a consecução de toda a transação: Espírito de Deus, no qual fostes selados (sfragi/zw) para o dia da redenção” (Ef 4.30).[3] O Espírito é a garantia de que os eleitos o são para sempre; ninguém poderá, em tempo algum, sob nenhuma circunstância, nos arrancar das mãos de Deus. A nossa segurança, portanto, repousa em Deus, não em nós mesmos.

 

Paulo fortalece a ideia de propriedade, autenticidade e inviolabilidade. Ambas as figuras – “penhor” e “selo” –, assinalam o fato de que pertencemos a Deus e, que a obra que Ele mesmo iniciou será plenamente cumprida em nós (Fp 1.6).[4]

 

Desta forma, o “penhor” e o “selo” do Espírito têm implicações escatológicas, porque apontam para o futuro, quando a obra do Deus Triúno será concluída em nós (1Pe 1.3-9). “O Espírito, portanto, serve como penhor de Deus em nossas presentes vidas, a evidência certa de que o futuro chegou ao presente, e a garantia de que o futuro será realizado em plena medida”.[5]

 

Objetivamente considerando, o penhor assinala a garantia oferecida pelo próprio Deus a respeito de nossa salvação, tendo como sinal de entrada, o próprio Espírito em nós. O penhor é da mesma essência da herança. Portanto, além do conceito de pagamento, temos também a noção de qualidade.[6]

 

Subjetivamente, temos a certeza que o Deus onipotente e fiel cumprirá as Suas promessas, preservando-nos até o fim. O selo e o penhor são sinais de nossa condição transitória; no céu, o Espírito será tudo em todos para sempre.

 

Hoje nós já temos uma amostragem do que será a nossa vida com Cristo, quando o Espírito será tudo em todos nós, os que cremos. Pela amostragem anelamos pela plena concretização em nós da transação já efetivada.

 

Calvino (1509-1564) nos instrui: “Enquanto vivemos neste mundo, necessitamos de um penhor, porque combatemos em esperança; mas quando a possessão mesma se manifestar, então cessará a necessidade e o uso do penhor”.[7]

 

 

Maringá, 01 de fevereiro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 

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[1] Palavra tomada emprestada do hebraico.

[2] “A presença do Espírito Santo é a primeira prestação dos benefícios da redenção de Cristo, concedidos àqueles para quem foram adquiridos, e assim a garantia e penhor da consumação dessa redenção no devido tempo” (Archibald A. Hodge, Confissão de Fé Westminster Comentada por A.A. Hodge, São Paulo: Editora os Puritanos, 1999, p. 328).

[3] Veja-se: João Calvino, Efésios, São Paulo: Paracletos, 1998, (Ef 1.14), p. 38.

[4] “A metáfora é tomada por empréstimo das transações que são então confirmadas pela entrega de uma garantia, para que nenhum espaço seja deixado para uma mudança de intenção. Daí, ao recebermos o Espírito de Deus, temos as promessas dele confirmadas em nós e não somos assaltados pelo receio de que se retrate. Não que as promessas de Deus sejam por natureza débeis; mas porque nunca descansamos nelas confiadamente, enquanto as mesmas não recebem o endosso do testemunho do Espírito” (João Calvino, Efésios, (Ef 1.14), p. 37).

[5] Gordon D. Fee,  Paulo, o Espírito e o Povo de Deus, São Paulo: United Press, 1997, p. 60.

[6] Ver: Paul E. Brown, O Espírito Santo e a Bíblia, São Paulo: Cultura Cristã, 2008, p. 104, 190.

[7] João Calvino, Efésios, (Ef 1.14), p. 37.

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