Introdução ao Estudo dos Credos e Confissões (30) – A Igreja Presbiteriana do Brasil e os Símbolos de Fé (3)

Este artigo é continuação do artigo: Introdução ao Estudo dos Credos e Confissões (29) – A Igreja Presbiteriana do Brasil e os Símbolos de Fé (2)

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Primeiro Presbitério

A Igreja crescia: agora temos um Presbitério. Assim, no sábado, 16/12/1865,1 organizou-se o Presbitério do Rio de Janeiro, em reunião na casa de Blackford, à Rua São José, nº 1, São Paulo.2 O Presbitério era composto por três pastores: A.G. Simonton, do Presbitério de Carlisle; A. L. Blackford, do Presbitério de Washington e F.J.C. Schneider, do Presbitério de Ohio. Mediante proposta de Simonton, Blackford foi escolhido moderador, ficando Schneider como secretário temporário e Simonton como Secretário Permanente. O Presbitério do Rio de Janeiro (organizado em São Paulo), ficou sob a jurisdição do Sínodo de Baltimore.3 Segundo Landes, na ocasião os missionários apresentaram cartas de transferência dos seus respectivos presbitérios para o Presbitério do Rio.4

Primeiro Pastor brasileiro

Nesse mesmo dia o ex-padre José Manoel da Conceição (1822-1873) foi examinado quanto ao seu desejo de ser Ministro do Evangelho: “principiando pelo exame de costume sobre os motivos que influíram nele para que desejasse ser incumbido do Ministério do Evangelho”,5 feitos outros de praxe e depois Conceição declarou aceitar a Confissão de Fé (de Westminster) e a Forma de Governo da Igreja Presbiteriana. Mediante proposta de Simonton, o Presbitério votou favorável, dispensando-o inclusive dos “demais exames e formalidades exigidos”, não, porém de um sermão pregado como de praxe. Foi marcado o dia seguinte às 10h30, sendo inclusive indicado o texto do sermão: Evangelho de Lucas, capítulo 4, versos 18 e 19.6

No dia seguinte, à hora marcada, após a abertura da Sessão, pregou Conceição com uma audiência de cerca de 25 pessoas. O sermão foi aprovado. Às 17 horas, com a parênese de Simonton, baseada em 2Coríntios 5, verso 20, o Presbitério procedeu a ordenação do Rev. José Manoel da Conceição;7 o primeiro pastor brasileiro. O Presbitério passou a contar agora com quatro pastores.8

Ainda não havia presbíteros na Igreja Presbiteriana no Brasil.9 O Presbitério era formado por três igrejas: a do Rio de Janeiro, São Paulo e Brotas.

 

 

Maringá, 15 de janeiro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


1 Simonton na ata citou janeiro de 1866; todavia mais tarde verificou-se o erro e corrigiu-se na própria ata apresentando a data de 16/12/1865. Para a verificação correta, o Presbitério do Rio de Janeiro nomeou uma Comissão que deu seu relatório explicando o equívoco de Simonton. Veja-se relatório da mesma Reunião do Presbitério do Rio de Janeiro de 06/09/1884, “nona sessão”, p. 371-372. A comissão era composta pelos pastores: A.L. Blackford (relator), F.J.C. Schneider e Robert Lenington. Ao Rev. Modesto P.B. Carvalhosa, como Secretário Permanente do Presbitério, coube a tarefa de providenciar a retificação onde coubesse. No final da primeira ata do Presbitério a correção é feita com a assinatura de Carvalhosa. (Veja-se: Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, p. 7. Fonte manuscrita).

2 O livro de atas tem em sua primeira página a inscrição: “Actas do Presbyterio do Rio de Janeiro constituído em São Paulo a 16 de dezembro de 1865 – Livro Primeiro”.

3 Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, p. 2.

4 Philip S. Landes, Ashbel Green Simonton, Fort Worth, Texas: Don Cowan Company, 1956, p. 67. A ata de organização não cita esse fato, no entanto, é possível e até natural que tenha ocorrido.

5 Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, p. 2-3.

6 Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, p. 4-5.

7 Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, p. 6; Boanerges Ribeiro, O Padre Protestante, 2. ed. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1979, p. 138-141.

8 O cirurgião americano radicado no Brasil desde o fim da Guerra Civil, James McFadden Gaston (1824-1903), um dos participantes da reunião, referindo-se à ordenação de Conceição, escreveu de forma profética: “Este acontecimento representa um passo importante no progresso do protestantismo neste país papal; o caráter desse homem, e sua influência entre o povo, vão ter, fora de toda dúvida, efeito considerável sobre a mente popular” (James F. Hunting a Home in Brazil, p. 271-272. Apud Júlio A. Ferreira, História da Igreja Presbiteriana do Brasil, v. 1, p. 61)

9Os primeiros oficiais só seriam eleitos em 1866: Os Diáconos (02/04/1866) e os Presbíteros em 07/07/1866. (Veja-se: Relatório de Simonton apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro no dia 10/07/1866, p. 7-8; Vicente T. Lessa, Annaes da 1ª Egreja Presbyteriana de São Paulo, p. 41).

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