Introdução ao Estudo dos Credos e Confissões (29) – A Igreja Presbiteriana do Brasil e os Símbolos de Fé (2)

Este artigo é continuação do artigo: Introdução ao Estudo dos Credos e Confissões (28) – A Igreja Presbiteriana do Brasil e os Símbolos de Fé (1)

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Segunda Igreja Presbiteriana no Brasil

Primeira Igreja Presbiteriana de São Paulo e segunda do Brasil

A segunda Igreja, foi organizada em São Paulo, por Blackford, em 5/3/1865, à Rua São José, nº 1 (hoje Líbero Badaró), permanecendo neste endereço até 1876.1 Na ocasião foi celebrada a Santa Ceia pela terceira vez em São Paulo. Dezoito pessoas comungaram e a Igreja recebeu seis novos membros por Profissão de Fé e Batismo.2 Simonton pregou na ocasião.3 Lessa observa que não há registro de organização de Igreja, apenas se menciona a celebração da Ceia e a recepção de membros; todavia “a data ficou tradicional.”4

Terceira Igreja Presbiteriana no Brasil

Blackford

A terceira Igreja foi organizada também por Blackford, em Brotas, interior de São Paulo, numa terça feira, em 13/11/1865, na casa do Sr. Antônio Francisco de Gouveia.5 Conceição foi o pregador. À ocasião, 11 pessoas foram recebidas por Profissão de Fé e Batismo; eram todas provenientes do Catolicismo. Celebrou-se a Ceia do Senhor.6 O Rev. Blackford visitara Brotas pela primeira vez em fevereiro de 1865, “onde pregou o Evangelho pela primeira vez no domingo 5 do mesmo mês a 10 pessoas, em casa de Dª Antonia Justina do Nascimento na vila. Em seguida pregou (…) em casa do Sr. Antonio (ilegível) Gouvêa a 40 pessoas e duas vezes em casa do Sr. Manoel José Ribeiro a 15 e 30 pessoas respectivamente”.7

O trabalho fora intenso; havia um revezamento constante e dedicado: Blackford, Simonton, Chamberlain, Conceição,8 Pitt e Pires.9

Blackford relata:

Em fevereiro de 1865 visitei pela primeira vez a vila e o Distrito de Brotas…. em março e abril os Srs. Simonton e Chamberlain também foram lá…. em junho do mesmo ano, o Sr. Bastos10 visitou o lugar com livros e trabalhou com sucesso. Em outubro e novembro desse ano, Conceição e eu passamos uns 20 dias pregando e ensinando constantemente na vila e nos sítios do Distrito.11

O trabalho crescia rapidamente; em cada registro das “Actas da Sessão ou dos Pastores”, constava o número de novos convertidos que professavam sua fé: Como vimos, na organização da Igreja: 11 pessoas (13/11/1865). A Igreja aumentava: sete pessoas (maio de 1866); quatro Profissões de Fé e Batismo, e nove Batismos Infantil (20/10/1866); oito Profissões de Fé e Batismo, uma Profissão de Fé (a pessoa já fora batizada) (21/10/1866). Este ritmo continuou.12 Brotas se tornará o grande celeiro de Reforma Evangélica.13

Brotas só viria ter um pastor residente em 04/09/1868, com a vinda do Rev. Robert Lenington (1833-1903),14 quem mais tarde organizaria a Igreja de Borda da Mata, a primeira em Minas Gerais.

 

 

Maringá, 15 de janeiro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


 

1Cf. O Estandarte 18/01/1912, p. 9.
2Cf. Relatório de Blackford apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro, Sessão de 10/07/1866. In: Coleção Carvalhosa Relatórios Pastorais, 1866-1875, p. 19-20. (Fonte manuscrita)
3Vicente T. Lessa, Annaes da 1. Egreja Presbyteriana de São Paulo, São Paulo: Edição da 1. Egreja Presbyteriana Independente, 1938, p. 31; Boanerges Ribeiro, Protestantismo e Cultura Brasileira, p. 49; B. Ribeiro, O Padre Protestante, 2. ed. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1979, p. 134.
4Vicente T. Lessa, Annaes da 1. Egreja Presbyteriana de São Paulo, p. 31.
5O Rev. Blackford visitou Brotas pela primeira vez em fevereiro de 1865, “onde pregou o Evangelho pela primeira vez no domingo 5 do mesmo mês a 10 pessoas, em casa de D. Antonia Justina do Nascimento na vila. Em seguida pregou (…) em casa do Sr. Antonio (ilegível) Gouvêa a 40 pessoas e duas vezes em casa do Sr. Manoel José Ribeiro a 15 e 30 pessoas respectivamente” (Livro de Atas da Igreja Evangélica Presbiteriana de Brotas, Livro I, p. 2 (Fonte manuscrita)).
6Cf. Relatório de Blackford apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro, Sessão de 10/07/1866. In: Coleção Carvalhosa Relatórios Pastorais, 1866-1875, p. 23. (Fonte manuscrita); Livro de Atas da Igreja Evangélica Presbiteriana de Brotas, Livro I, p. 3 e 31 (Fonte manuscrita); Blackford, In: Boanerges Ribeiro, Protestantismo e Cultura Brasileira, p. 311; Vicente T. Lessa, Annaes da 1. Egreja Presbyteriana de São Paulo, p. 34-35.
7Livro de Atas da Igreja Evangélica Presbiteriana de Brotas, Livro I, p. 2 (Fonte manuscrita).
8 O próprio Conceição relata ao Presbitério suas andanças:“Aos 28 de fevereiro de 1866 saí de São Paulo pregando o Evangelho. Tomei a estrada do Sul para Sorocaba…. Segui para Capivari e Piracicaba, onde não preguei, cheguei a São João do Rio Claro, onde preguei e segui para Brotas, onde por muitos dias me conservei com os revs. srs. Schneider e Chamberlain visitando e pregando na vila e pelos sítios com resultados abençoados por Deus pois que muitas conversões tiveram lugar em famílias inteiras.“Depois de aí termos celebrado a Ceia do Senhor partimos ficando eu doente em casa do sr. José de Castilho e seguindo os revs. Schneider e Chamberlain para Rio Claro.“Logo que me senti melhor preguei e visitei os crentes na Serra do Itaqueri, estive alguns dias em casa do sr. Paula Lima no campo, preguei no Bairro da fazenda onde moços e meninos deram muita vaia.“Segui para Rio Claro onde preguei em casa do rev. sr. Schneider, pastor, ouvindo o Vigário e grande número de povo. Segui para Limeira, onde preguei em casa do sr. Manoel Joaquim de Melo, que tem casa de jogo, e muitos entre os quais alguns doutores em direito e medicina….” (Relatório de Conceição apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro, Sessão de 10/07/1866)
9Livro de Atas da Igreja Evangélica Presbiteriana de Brotas, Livro I, p. 2-4 (Fonte manuscrita); Boanerges Ribeiro, José Manoel da Conceição e a Reforma Evangélica, São Paulo: Livraria O Semeador, 1995, p. 49ss.
10 Certamente o Sr. Manoel Pereira Bastos, agente da Sociedade Bíblica Americana (Cf. Livro de Atas da Igreja Evangélica Presbiteriana de Brotas, Livro I, p. 2-3 (Fonte manuscrita); Relatório de Blackford apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro, Sessão de 10/07/1866. In: Coleção Carvalhosa – Relatórios Pastorais, 1866-1875, p. 18. (Fonte manuscrita).
11Relatório de Blackford apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro, Sessão de 10/07/1866. In: Coleção Carvalhosa Relatórios Pastorais, 1866-1875, p. 22-23 (Fonte manuscrita).
12Veja-se: Livro de Atas da Igreja Evangélica Presbiteriana de Brotas, Livro I, p. 31ss. (Fonte manuscrita).
13 Veja-se: Boanerges Ribeiro, O Padre Protestante, p. 123-132; Émile G. Léonard, O Protestantismo Brasileiro, p. 58-60.
14Livro de Atas da Igreja Evangélica Presbiteriana de Brotas, Livro I, p. 4 (Fonte manuscrita); Blackford, In: Boanerges Ribeiro, Protestantismo e Cultura Brasileira, p. 311; Boanerges Ribeiro, José Manoel da Conceição e a Reforma Evangélica, p. 52; Boanerges Ribeiro, O Padre Protestante, p. 132.

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