Introdução ao Estudo dos Credos e Confissões (32) – A Igreja Presbiteriana do Brasil e os Símbolos de Fé (5)

 

Criação do “Seminário Primitivo”

Seminário Primitivo do Rio de Janeiro

No dia 14 de maio de 1867 foi organizado o Seminário do Rio de Janeiro, num sobrado no Campo de Sant’Anna, 49.[1]

O Seminário funcionava em um dos andares do edifício alugado pela Missão, que visava concentrar ali todo o trabalho Presbiteriano do Rio de Janeiro. O prédio dispunha de três andares; a parte térrea era uma fábrica de cerveja. [2] Os três andares alugados, eram assim distribuídos: no primeiro, funcionava a Igreja, com um auditório para mais de 400 pessoas. Atrás do salão de culto, funcionava numa sala o depósito de tratados evangélicos e, no salão dos fundos, a escola paroquial frequentada por mais de 70 alunos[3] dirigida pela organista da Igreja, D. Gervásia Neves, esposa de Sanctos Neves.

 

No segundo andar ficava o Seminário propriamente dito: alojamento e sala de aula. No terceiro, residia o poeta Sanctos Neves, chamado por Themudo Lessa, de “o cisne presbiteriano”[4] e, sua esposa.

 

Os professores do Seminário eram três: Rev. A.G. Simonton, que ensinava Teologia; Rev. Charles Wagner, pastor luterano (que desejava transferir-se para a nossa denominação com o apoio do Rev. Blackford),[5] lecionava Grego e História Eclesiástica e o Rev. F.J.C. Schneider, Ciências e Matemática.

 

Notamos aqui a ausência do estudo da língua hebraica. Mais tarde, no exame com vistas à Licenciatura os alunos desse Seminário serão dispensados do exame desta língua por não a terem podido estudar. Esta foi a coerente decisão do Presbitério do Rio de Janeiro.[6]

 

Os primeiros alunos do Seminário, que mais tarde viriam a ser peças fundamentais no Ministério nacional, foram:

 

1) Antonio Bandeira Trajano (1843-1921), português, naturalizado brasileiro, professou a sua fé e foi batizado na organização da Igreja Presbiteriana de São Paulo (5/3/1865). Foi um profícuo colportor de bíblias e literatura evangélica. Licenciado em 22/08/1870, designado para os campos das Igrejas de Brotas, Jacutinga e Rio Novo. Foi ordenado ao Ministério em 10/8/1875 na 11ª Reunião do Presbitério do Rio de Janeiro, realizada em Rio Claro.[7] Foi empossado como pastor da Igreja de Brotas em 03/10/1875.[8]

 

2) Modesto Perestrello Barros de Carvalhosa (1846-1917), português, professou a sua fé e foi batizado na Igreja Presbiteriana de São Paulo em 25/03/1866, sendo o celebrante o Rev. A.L. Blackford (1829-1900). Acompanhou diversas vezes o Rev. José Manoel da Conceição em suas viagens. Foi licenciado em 22/08/1870, designado para a Igreja de Lorena; ordenado em 20/07/1871.[9]

 

3) Miguel Gonçalves Torres: (1849-1892), português, professou a sua fé e foi batizado na mesma ocasião de Trajano, em 5/3/1865. Viajou por diversas cidades de Minas com o Rev. José Manoel da Conceição (1867). Durante o seu curso no Seminário sofreu bastante com a tuberculose que contraíra. Quando concluiu seus estudos ministeriais foi encaminhado pelo médico para Caldas, em Minas Gerais, onde o clima e a altitude ajudariam no tratamento de sua enfermidade. Creio que a sua licenciatura foi retardada devido à sua saúde, que era precária. Isso se torna ainda mais evidente pelo fato de Miguel Torres ter chegado a Caldas transportado numa liteira.[10]

A sua licenciatura ocorreu em 19/07/1871,[11] sendo designado para o campo de Caldas (chamada depois de Parreiras[12] e, novamente Caldas) e outras cidades de Minas. Ordenado ao Ministério juntamente com Trajano em 10/8/1875 na Reunião do Presbitério do Rio de Janeiro em Rio Claro.[13] Assumiu as Igrejas de Caldas, Machado e Borda da Mata.

 

4) Antonio Pedro de Cerqueira Leite (1845-1883), o único brasileiro da turma. Era natural de São João do Morro Azul,[14] interior de São Paulo. Recebeu também boa influência do então Pe. José Manoel da Conceição, visto que ainda na adolescência o tinha como seu professor de latim. Professou a sua fé e foi batizado em 30 de dezembro de 1866, na Igreja Presbiteriana de São Paulo. Simonton estava presente. 

 

Cerqueira Leite que fizera um intenso trabalho de colportagem, só ingressou no Seminário no dia 8/3/1868, quase um ano depois do início das aulas (14/05/1867). Nesse período ele não chegou a concluir o seu curso teológico, voltando em 1870 para Brotas.[15] Em 1872, persuadido pela Srª Chamberlain, voltou aos estudos em São Paulo, sendo primeiramente recebido como candidato ao Ministério pelo Presbitério do Rio de Janeiro, reunido em São Paulo (30/12/1872).

 

A manutenção do Seminário foi difícil. No ano de sua criação Simonton veio a falecer (09/12/1867). No Natal de 1867, o Rev. Blackford (aluno de W.S. Plumer (1802-1880) que também estudara em Princeton e, possivelmente foi aluno de C. Hodge)[16] vem de São Paulo para o Rio, a fim de substitui-lo. O Rev. Wagner foi para a Suíça, aonde viria a falecer. Permaneceu apenas Blackford e Schneider. Com a formatura em 1870, o Rev. Schneider vai para São Paulo e depois para a Bahia, a fim de “estabelecer uma missão na cidade da Bahia”. Lá chegou em 9/2/1871. As portas do Seminário se fecham. As tarefas eram gigantescas.

 

A capa de Simonton foi herdada por Blackford.[17] Mas, como dissera Simonton à sua irmã uns três dias antes de falecer: “Deus levantará outro para por no meu lugar. Ele fará Sua própria obra com Seus próprios instrumentos. (…) Devemos apenas nos recostar nos braços Eternos e estar sossegados”.[18]

 

O Senhor continuou cuidando da igreja levantando novos futuros ministros. Os candidatos ao Ministério passaram a estudar sob o sistema de tutela.

 

Cerqueira Leite, foi novamente recebido como candidato ao Ministério pelo Presbitério do Rio de Janeiro, reunido em São Paulo, na sessão de 30/12/1872. Estudou sob a tutela dos Revs. G.W. Chamberlain (1839-1902) e Emmanuel Vanorden (1839-1917).[19] Em 10/08/1873, Cerqueira Leite foi licenciado. Ordenado em 08/08/1876. Foi designado para o campo de Sorocaba, indo até Faxina (Itapeva), onde foi organizada igreja sob o seu pastorado em 04/05/1879.[20]

 

 

Maringá, 15 de janeiro de 2018.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 

 


 

[1]O Campo de Sant’Anna foi renumerado. O edifício passou a ter o nº 39 e, também mudou de nome, passando a se chamar Praça da Acclamação e depois, até os nossos dias, Praça da República. (Vejam-se: Rev. Antonio Trajano, Esboço Histórico da Egreja Evangelica Presbyteriana: In: Álvaro Reis, ed. Almanak Historico do O Puritano, p. 16, 64; Júlio A. Ferreira, História da Igreja Presbiteriana do Brasil, v. 1, p. 85; J.A. Ferreira, Galeria Evangélica, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1952, p. 59; Vicente T. Lessa, Annaes da 1ª Egreja Presbyteriana de São Paulo, p. 111; Boanerges Ribeiro, Protestantismo e Cultura Brasileira, p. 258).

[2]Álvaro Reis, ed. Almanak Historico do O Puritano, p. 87.

[3]Cf. Rev. Antonio Trajano, Esboço Histórico da Egreja Evangelica Presbyteriana: In: Álvaro Reis, ed. Almanak Historico do O Puritano, p. 16.

[4]Vicente T. Lessa, Annaes da 1ª Egreja Presbyteriana de São Paulo, p. 118.

[5]Ver: Relatório de Blackford apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro, Sessão de 18/08/1869. In: Coleção Carvalhosa Relatórios Pastorais, 1866-1875 (Fonte manuscrita) e Atas do Presbitério do Rio de Janeiro. (Original manuscrito).

[6] Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, Sessão de 20/08/1870.

[7]Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, Sessão de 10/08/1875.

[8] Livro de Atas da Igreja Evangélica Presbiteriana de Brotas, Livro I, Ata nº 79, p. 57. (Fonte manuscrita).

[9]Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, Sessão de 20/07/1871.

[10]Cf. Júlio A. Ferreira, História da Igreja Presbiteriana do Brasil, v. 1, p. 133.

[11]Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, Sessão de 19/07/1871.

[12]Cf. Júlio Andrade Ferreira, O Apóstolo de Caldas, Franca, SP.: Edição da Gráfica Renascença, (s.d.), p. 209.

[13]Torres e Trajano foram ordenados juntos. (Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, Sessão de 10/08/1875).

[14]Ele foi para o Seminário proveniente de Brotas, todavia nasceu em São João de Morro Azul, comarca de Limeira, São Paulo. (Cf. Eduardo C. Pereira, Rev. Antonio Pedro de Cerqueira Leite: In: O Estandarte, 4 e 11/01/1912, p. 17).

[15]Cerqueira Leite já enfrentava problemas acadêmicos e sentimentais, acabou por não mais resistir ao Seminário em 1870. O episódio que culminou com a sua saída, é contado por Eduardo C. Pereira, no referido artigo d’O Estandarte: “Reunira-se um vasto auditório para ouvir os candidatos ao ministério. Antonio Pedro galga a tribuna. Prepara um esplêndido discurso, decora, e era natural que esperasse no auditório o bom efeito de seu esforço.

“Entretanto, em extremo nervoso, embarga-se-lhe a voz ao começar, fogem-lhe as idéias. Força lhe pedir desculpas e descer da tribuna. Firme, porém, no seu posto, passa a dirigir o canto de seus alunos.

“Terminada a reunião, desaparece, e, dias depois, surge em Brotas resolvido a abandonar os seus estudos” (O Estandarte, 4 e 11/01/1912, p. 25).

[16]Plumer estudou no Seminário de Princeton (1826) sendo licenciado em 1826 e ordenado em 1827. Ele foi professor no Seminário Western desde 1854/1855 até 1866, quando foi lecionar no Seminário Columbia. (Veja-se: Moses D. Hoge, William Swan Plumer: in: Philip Schaff, ed. A Religious Encyclopaedia: or Dictionary of Biblical, Historical, Doctrinal, and Practical Theology, Chicago: Funk Wagnalls, Publishers, 1887 (Revised Edition), v. 3, p. 1855-1856). A.A. Hodge  (1823-1886), também aluno de Princeton (1843) foi quem sucedeu a Plumer no Seminário Western. A.A. Hodge em 1877 foi lecionar no Seminário de Princeton como assistente de seu pai C. Hodge (Veja-se: Boanerges Ribeiro, Igreja Evangélica e República Brasileira (1889-1930), São Paulo: O Semeador, 1991, p. 202-203). (Ver em especial a sua obra: William S. Plumer, Psalms, Carlisle, Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, 1978 (Reprinted). Esta obra foi publicada originalmente em 1867.

[17]   Após a morte de Simonton, Blackford registrou no seu Diário:

“Sua  capa  caiu  sobre  os meus ombros e tenho de ocupar o seu  lugar.  Não  espero  fazer  o que ele fazia. Queira Deus conceder-me  a  graça  de  substituí-lo  para a glória do seu próprio nome” (Journal Record, São Paulo, 10/12/1867, Apud Carl  J. Hahn, História do Culto Protestante no Brasil, p.167).

[18]Joseph  M. Wilson, The Presbyterian Historical Almanack, 1868, v. 10, In: Coleção Boanerges Ribeiro, p. 6-7. (Coleção de textos transcritos de documentos americanos pelo Rev. Boanerges Ribeiro, assim denominada pelo Rev. Júlio Andrade Ferreira).

[19]Cf. Vicente T. Lessa, Annaes da 1ª Egreja Presbyteriana de São Paulo, p. 101; Boanerges Ribeiro, A Igreja Presbiteriana no Brasil, Da Autonomia ao Cisma, São Paulo:O Semeador, 1987, p. 211; Boanerges Ribeiro, Protestantismo e Cultura Brasileira, p. 262; O Estandarte, 4 e 11/01/1912, p. 26.

[20]Ele visitou a cidade de Faxina pela primeira vez em outubro de 1875 e, novamente em abril de 1877 (Cf. Álvaro Reis, ed. Almanak Historico do O Puritano, p. 66-67. A Igreja de Faxina foi organizada por ele em 4/5/1879 com três membros: José Rodrigues de Carvalho, Antonio Borges Paks e Agueda Maria da Conceição. (Veja-se: V. T. Lessa, Annaes da 1ª Egreja Presbyteriana de São Paulo, p. 169).

Introdução ao Estudo dos Credos e Confissões (31) – A Igreja Presbiteriana do Brasil e os Símbolos de Fé (4)

Este artigo é continuação do artigo: Introdução ao Estudo dos Credos e Confissões (30) – A Igreja Presbiteriana do Brasil e os Símbolos de Fé (3)

Acesse aqui esta série de estudos completa

 


O Presbitério e seus símbolos

Primeira Igreja Presbiteriana de Filadélfia, onde aconteceu o primeiro encontro do Presbitério

Com a organização de um Presbitério nacional ligado ao Sínodo de Baltimore, significa que o sistema de liturgia, disciplina e doutrina daquele Sínodo é também adotado aqui. Pois bem, em 1716 os três Presbitérios americanos de Filadelphia, Newcastle e Long Island[1] constituíram o Sínodo de Filadélfia que, em 19/09/1729, adotou como Símbolo de Fé a Confissão de Fé e os Catecismos Maior e Menor de Westminster, com exceção dos capítulos que se referiam aos magistrados civis.[2] Esta decisão ficou conhecida como “Ato de Adoção”.[3] Refletindo a teologia calvinista no presbiterianismo americano, os símbolos de Westminster foram revisados e emendados em 1787 e confirmados em maio de 1789, na organização da Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos.[4] Desta forma, podemos concluir que os Símbolos de Westminster foram adotados no Presbiterianismo brasileiro desde a sua implantação.

 

A Escola Dominical entre os Presbiterianos

 

O ensino de Catecismo era parte integrante do pastorado de Simonton. Como vimos, o seu primeiro trabalho em português foi uma Escola Dominical em 22/04/1860. Os textos usados com as cinco crianças presentes (três americanas da família Eubank e duas alemãs da família Knaack) foram: A Bíblia, O Catecismo de História Sagrada[5] e o Progresso do Peregrino, de Bunyan.[6] Duas das crianças, Amália e Mariquinhas (Knaack), confessaram ou demonstraram na segunda aula (29/04/1860) terem dificuldade em entender John Bunyan.[7]

 

Aqui nós vemos delineados os princípios que caracterizariam a nossa Escola Dominical: O estudo das Escrituras, o estudo da história Bíblica por meio do Catecismo de História Sagrada[8] e com uma aplicação ética e mística, por intermédio do Progresso do Peregrino.

 

Na edição de 04/02/1865 da Imprensa Evangélica, deu-se início à publicação de um “Breve catecismo para meninos”, com uma nota de agradecimento:

 

Sumamente gratos à digna senhora que nos ofereceu esta tradução do inglês, nós chamamos a atenção dos senhores pais de família para estas doutrinas tão puras e salutares; e o fazemos com a melhor boa vontade, porquanto também nos lisonjeia a colaboração de tão eminente tradutora.[9]

 

No seu relatório ao Presbitério de 1867, Simonton diz que havia dois cultos na Igreja e um às quartas-feiras, fazendo uma modificação no culto matinal, realizando “um exercício mais familiar, os membros da igreja tomando parte mais ativa nas orações e meditação que são o fim dessa reunião”.[10]

 

Entendendo que a Igreja deve ser uma escola para o crente, adotou a prática de uma vez por mês substituir o sermão “pelo estudo e a explicação do breve catecismo (de Westminster?)”, crendo que “a excelência desta exposição das doutrinas da salvação é reconhecida por todos”. Seu objetivo era preparar os crentes para defender-se dos ataques incrédulos; portanto, “estou fazendo o que está em mim para gravar este catecismo na memória de todos”.[11]

 

Maringá, 15 de janeiro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


 

[1] O Rev. Francis Makemie (1658-1708) foi enviado pelas Igrejas da Escócia como missionário a América, pregando exaustivamente em várias cidades, estabelecendo a primeira Igreja Presbiteriana em Maryland no ano de 1684. (Morton H. Smith, Studies in Southern Presbyterian Theology, New Jersey: Presbyterian and Reformed Publishing Company, 1987, p. 18-20; Mark A Noll, A History of Christianity in the United States and Canada, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1993 (Reprinted), p. 68).

[2] Cf. E.F. Hatfield, Presbyterian Churches: In: Philip Schaff, ed. Religious Encyclopaedia: or Dictionary of Biblical, Historical, Doctrinal, and Practical Theology, Chicago: Funk Wagnalls, Publishers, 1887 (Revised Edition), v. 3, p. 1906-1907; Archibald A. Hodge, Confissão de Fé Westminster Comentada por A.A. Hodge, São Paulo: Editora os Puritanos, 1999, p. 45; Morton H. Smith, Studies in Southern Presbyterian Theology, p. 23,25; Kevin Reed, Introductory Essay. In: Samuel Miller, Doctrinal Integrity, Dallas, Texas: Presbyterian Heritage Publicacions, 1989, p. xv; E.E. Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, São Paulo:  Vida Nova, 1984, 315; George S. Hendry, La Confesion de Fe de Westminster, para el día de hoy, Bogotá: CCPAL, 1966, p. 14.

[3] “Este Ato de Adoção convocava também os presbitérios a providenciarem para que nenhum candidato ao ministério fosse admitido sem subscrever todos os artigos essenciais e necessários da Confissão ou dos Catecismos. Providenciava também para que, caso qualquer ministro do Sínodo não pudesse aceitar algum artigo julgado necessário e essencial pelo presbitério, este presbitério o declarasse impossibilitado de continuar como membro daquele corpo” (C. Gregg Singer, Os Irlandeses-escoceses na América: In: W. Stanford Reid, editor. Calvino e Sua Influência no Mundo Ocidental, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1990, p. 333-334).

[4] Morton H. Smith, Studies in Southern Presbyterian Theology, p. 29; Archibald A. Hodge, Confissão de Fé Westminster Comentada por A.A. Hodge, p. 45.

[5]Estou convencido de que este Catecismo seja o mesmo que ele publicou parcialmente na Imprensa Evangélica, em geral uma parte por mês, a partir da edição de 16/02/1867 até 16/11/1867, sob o título “Catecismo da historia da nossa redempção”.

[6]Diário, 28/04/1860.

[7]Diário, 01/05/1860.

[8]Em 1867, A Imprensa dá a publicação do Catecismo (Catecismo da História da nossa Redenção), iniciando com uma nota explicativa:

     “A Bíblia em grande parte é história, e o plano da nossa redenção atravessa longos séculos, começando a descobrir-se a Adão e Eva e alcançando o seu perfeito desenvolvimento com a descida do Espírito Santo no dia de Pentecoste.

            “Se queremos compreender a Bíblia e torná-la compreensível aos outros, é mister darmos a devida importância à sua forma histórica. É necessário acompanhar passo a passo o desenvolvimento do plano de Deus em relação à nossa raça e comentar os fatos na ordem em que se sucedem” (Imprensa Evangélica, 16/02/1867, p. 27).

Conforme mencionei, este Catecismo seria publicado até a Imprensa de 16/11/1867, com a promessa de continuar. No entanto, Simonton morreria semanas depois, o que me leva a crer que o referido trabalho era de sua autoria.

[9] Imprensa Evangélica, 04/02/1865, p. 8. Este Catecismo foi publicado até a edição de 06/5/1865 (o jornal saiu erradamente com a data de 1864), perfazendo um total de 203 perguntas. Não consegui identificar a origem do referido Catecismo; todavia sabemos que não é o Breve Catecismo de Westminster.

[10] Relatório de Simonton apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro no dia 12/07/1867, p. 3

[11] Relatório de Simonton apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro no dia 12/07/1867, p. 5 do seu relatório individual.

Introdução ao Estudo dos Credos e Confissões (30) – A Igreja Presbiteriana do Brasil e os Símbolos de Fé (3)

Este artigo é continuação do artigo: Introdução ao Estudo dos Credos e Confissões (29) – A Igreja Presbiteriana do Brasil e os Símbolos de Fé (2)

Acesse aqui esta série de estudos completa


Primeiro Presbitério

A Igreja crescia: agora temos um Presbitério. Assim, no sábado, 16/12/1865,1 organizou-se o Presbitério do Rio de Janeiro, em reunião na casa de Blackford, à Rua São José, nº 1, São Paulo.2 O Presbitério era composto por três pastores: A.G. Simonton, do Presbitério de Carlisle; A. L. Blackford, do Presbitério de Washington e F.J.C. Schneider, do Presbitério de Ohio. Mediante proposta de Simonton, Blackford foi escolhido moderador, ficando Schneider como secretário temporário e Simonton como Secretário Permanente. O Presbitério do Rio de Janeiro (organizado em São Paulo), ficou sob a jurisdição do Sínodo de Baltimore.3 Segundo Landes, na ocasião os missionários apresentaram cartas de transferência dos seus respectivos presbitérios para o Presbitério do Rio.4

Primeiro Pastor brasileiro

Nesse mesmo dia o ex-padre José Manoel da Conceição (1822-1873) foi examinado quanto ao seu desejo de ser Ministro do Evangelho: “principiando pelo exame de costume sobre os motivos que influíram nele para que desejasse ser incumbido do Ministério do Evangelho”,5 feitos outros de praxe e depois Conceição declarou aceitar a Confissão de Fé (de Westminster) e a Forma de Governo da Igreja Presbiteriana. Mediante proposta de Simonton, o Presbitério votou favorável, dispensando-o inclusive dos “demais exames e formalidades exigidos”, não, porém de um sermão pregado como de praxe. Foi marcado o dia seguinte às 10h30, sendo inclusive indicado o texto do sermão: Evangelho de Lucas, capítulo 4, versos 18 e 19.6

No dia seguinte, à hora marcada, após a abertura da Sessão, pregou Conceição com uma audiência de cerca de 25 pessoas. O sermão foi aprovado. Às 17 horas, com a parênese de Simonton, baseada em 2Coríntios 5, verso 20, o Presbitério procedeu a ordenação do Rev. José Manoel da Conceição;7 o primeiro pastor brasileiro. O Presbitério passou a contar agora com quatro pastores.8

Ainda não havia presbíteros na Igreja Presbiteriana no Brasil.9 O Presbitério era formado por três igrejas: a do Rio de Janeiro, São Paulo e Brotas.

 

 

Maringá, 15 de janeiro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


1 Simonton na ata citou janeiro de 1866; todavia mais tarde verificou-se o erro e corrigiu-se na própria ata apresentando a data de 16/12/1865. Para a verificação correta, o Presbitério do Rio de Janeiro nomeou uma Comissão que deu seu relatório explicando o equívoco de Simonton. Veja-se relatório da mesma Reunião do Presbitério do Rio de Janeiro de 06/09/1884, “nona sessão”, p. 371-372. A comissão era composta pelos pastores: A.L. Blackford (relator), F.J.C. Schneider e Robert Lenington. Ao Rev. Modesto P.B. Carvalhosa, como Secretário Permanente do Presbitério, coube a tarefa de providenciar a retificação onde coubesse. No final da primeira ata do Presbitério a correção é feita com a assinatura de Carvalhosa. (Veja-se: Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, p. 7. Fonte manuscrita).

2 O livro de atas tem em sua primeira página a inscrição: “Actas do Presbyterio do Rio de Janeiro constituído em São Paulo a 16 de dezembro de 1865 – Livro Primeiro”.

3 Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, p. 2.

4 Philip S. Landes, Ashbel Green Simonton, Fort Worth, Texas: Don Cowan Company, 1956, p. 67. A ata de organização não cita esse fato, no entanto, é possível e até natural que tenha ocorrido.

5 Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, p. 2-3.

6 Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, p. 4-5.

7 Atas do Presbitério do Rio de Janeiro, p. 6; Boanerges Ribeiro, O Padre Protestante, 2. ed. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1979, p. 138-141.

8 O cirurgião americano radicado no Brasil desde o fim da Guerra Civil, James McFadden Gaston (1824-1903), um dos participantes da reunião, referindo-se à ordenação de Conceição, escreveu de forma profética: “Este acontecimento representa um passo importante no progresso do protestantismo neste país papal; o caráter desse homem, e sua influência entre o povo, vão ter, fora de toda dúvida, efeito considerável sobre a mente popular” (James F. Hunting a Home in Brazil, p. 271-272. Apud Júlio A. Ferreira, História da Igreja Presbiteriana do Brasil, v. 1, p. 61)

9Os primeiros oficiais só seriam eleitos em 1866: Os Diáconos (02/04/1866) e os Presbíteros em 07/07/1866. (Veja-se: Relatório de Simonton apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro no dia 10/07/1866, p. 7-8; Vicente T. Lessa, Annaes da 1ª Egreja Presbyteriana de São Paulo, p. 41).