Introdução ao Estudo dos Credos e Confissões (31) – A Igreja Presbiteriana do Brasil e os Símbolos de Fé (4)

Este artigo é continuação do artigo: Introdução ao Estudo dos Credos e Confissões (30) – A Igreja Presbiteriana do Brasil e os Símbolos de Fé (3)

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O Presbitério e seus símbolos

Primeira Igreja Presbiteriana de Filadélfia, onde aconteceu o primeiro encontro do Presbitério

Com a organização de um Presbitério nacional ligado ao Sínodo de Baltimore, significa que o sistema de liturgia, disciplina e doutrina daquele Sínodo é também adotado aqui. Pois bem, em 1716 os três Presbitérios americanos de Filadelphia, Newcastle e Long Island[1] constituíram o Sínodo de Filadélfia que, em 19/09/1729, adotou como Símbolo de Fé a Confissão de Fé e os Catecismos Maior e Menor de Westminster, com exceção dos capítulos que se referiam aos magistrados civis.[2] Esta decisão ficou conhecida como “Ato de Adoção”.[3] Refletindo a teologia calvinista no presbiterianismo americano, os símbolos de Westminster foram revisados e emendados em 1787 e confirmados em maio de 1789, na organização da Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos.[4] Desta forma, podemos concluir que os Símbolos de Westminster foram adotados no Presbiterianismo brasileiro desde a sua implantação.

 

A Escola Dominical entre os Presbiterianos

 

O ensino de Catecismo era parte integrante do pastorado de Simonton. Como vimos, o seu primeiro trabalho em português foi uma Escola Dominical em 22/04/1860. Os textos usados com as cinco crianças presentes (três americanas da família Eubank e duas alemãs da família Knaack) foram: A Bíblia, O Catecismo de História Sagrada[5] e o Progresso do Peregrino, de Bunyan.[6] Duas das crianças, Amália e Mariquinhas (Knaack), confessaram ou demonstraram na segunda aula (29/04/1860) terem dificuldade em entender John Bunyan.[7]

 

Aqui nós vemos delineados os princípios que caracterizariam a nossa Escola Dominical: O estudo das Escrituras, o estudo da história Bíblica por meio do Catecismo de História Sagrada[8] e com uma aplicação ética e mística, por intermédio do Progresso do Peregrino.

 

Na edição de 04/02/1865 da Imprensa Evangélica, deu-se início à publicação de um “Breve catecismo para meninos”, com uma nota de agradecimento:

 

Sumamente gratos à digna senhora que nos ofereceu esta tradução do inglês, nós chamamos a atenção dos senhores pais de família para estas doutrinas tão puras e salutares; e o fazemos com a melhor boa vontade, porquanto também nos lisonjeia a colaboração de tão eminente tradutora.[9]

 

No seu relatório ao Presbitério de 1867, Simonton diz que havia dois cultos na Igreja e um às quartas-feiras, fazendo uma modificação no culto matinal, realizando “um exercício mais familiar, os membros da igreja tomando parte mais ativa nas orações e meditação que são o fim dessa reunião”.[10]

 

Entendendo que a Igreja deve ser uma escola para o crente, adotou a prática de uma vez por mês substituir o sermão “pelo estudo e a explicação do breve catecismo (de Westminster?)”, crendo que “a excelência desta exposição das doutrinas da salvação é reconhecida por todos”. Seu objetivo era preparar os crentes para defender-se dos ataques incrédulos; portanto, “estou fazendo o que está em mim para gravar este catecismo na memória de todos”.[11]

 

Maringá, 15 de janeiro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


 

[1] O Rev. Francis Makemie (1658-1708) foi enviado pelas Igrejas da Escócia como missionário a América, pregando exaustivamente em várias cidades, estabelecendo a primeira Igreja Presbiteriana em Maryland no ano de 1684. (Morton H. Smith, Studies in Southern Presbyterian Theology, New Jersey: Presbyterian and Reformed Publishing Company, 1987, p. 18-20; Mark A Noll, A History of Christianity in the United States and Canada, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1993 (Reprinted), p. 68).

[2] Cf. E.F. Hatfield, Presbyterian Churches: In: Philip Schaff, ed. Religious Encyclopaedia: or Dictionary of Biblical, Historical, Doctrinal, and Practical Theology, Chicago: Funk Wagnalls, Publishers, 1887 (Revised Edition), v. 3, p. 1906-1907; Archibald A. Hodge, Confissão de Fé Westminster Comentada por A.A. Hodge, São Paulo: Editora os Puritanos, 1999, p. 45; Morton H. Smith, Studies in Southern Presbyterian Theology, p. 23,25; Kevin Reed, Introductory Essay. In: Samuel Miller, Doctrinal Integrity, Dallas, Texas: Presbyterian Heritage Publicacions, 1989, p. xv; E.E. Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, São Paulo:  Vida Nova, 1984, 315; George S. Hendry, La Confesion de Fe de Westminster, para el día de hoy, Bogotá: CCPAL, 1966, p. 14.

[3] “Este Ato de Adoção convocava também os presbitérios a providenciarem para que nenhum candidato ao ministério fosse admitido sem subscrever todos os artigos essenciais e necessários da Confissão ou dos Catecismos. Providenciava também para que, caso qualquer ministro do Sínodo não pudesse aceitar algum artigo julgado necessário e essencial pelo presbitério, este presbitério o declarasse impossibilitado de continuar como membro daquele corpo” (C. Gregg Singer, Os Irlandeses-escoceses na América: In: W. Stanford Reid, editor. Calvino e Sua Influência no Mundo Ocidental, São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1990, p. 333-334).

[4] Morton H. Smith, Studies in Southern Presbyterian Theology, p. 29; Archibald A. Hodge, Confissão de Fé Westminster Comentada por A.A. Hodge, p. 45.

[5]Estou convencido de que este Catecismo seja o mesmo que ele publicou parcialmente na Imprensa Evangélica, em geral uma parte por mês, a partir da edição de 16/02/1867 até 16/11/1867, sob o título “Catecismo da historia da nossa redempção”.

[6]Diário, 28/04/1860.

[7]Diário, 01/05/1860.

[8]Em 1867, A Imprensa dá a publicação do Catecismo (Catecismo da História da nossa Redenção), iniciando com uma nota explicativa:

     “A Bíblia em grande parte é história, e o plano da nossa redenção atravessa longos séculos, começando a descobrir-se a Adão e Eva e alcançando o seu perfeito desenvolvimento com a descida do Espírito Santo no dia de Pentecoste.

            “Se queremos compreender a Bíblia e torná-la compreensível aos outros, é mister darmos a devida importância à sua forma histórica. É necessário acompanhar passo a passo o desenvolvimento do plano de Deus em relação à nossa raça e comentar os fatos na ordem em que se sucedem” (Imprensa Evangélica, 16/02/1867, p. 27).

Conforme mencionei, este Catecismo seria publicado até a Imprensa de 16/11/1867, com a promessa de continuar. No entanto, Simonton morreria semanas depois, o que me leva a crer que o referido trabalho era de sua autoria.

[9] Imprensa Evangélica, 04/02/1865, p. 8. Este Catecismo foi publicado até a edição de 06/5/1865 (o jornal saiu erradamente com a data de 1864), perfazendo um total de 203 perguntas. Não consegui identificar a origem do referido Catecismo; todavia sabemos que não é o Breve Catecismo de Westminster.

[10] Relatório de Simonton apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro no dia 12/07/1867, p. 3

[11] Relatório de Simonton apresentado ao Presbitério do Rio de Janeiro no dia 12/07/1867, p. 5 do seu relatório individual.