Rei e Pastor: O Senhor na visão e vivência dos salmistas (38)

I. Realiza maravilhosas proezas

Os anjos com sensibilidade se reúnem para adorar a Deus considerando as suas maravilhas estampadas na Criação:“Celebram os céus as tuas maravilhas (al,P,)(pele) (grandioso,[1] prodígios[2]), ó SENHOR, e, na assembleia dos santos, a tua fidelidade” (Sl 89.5).[3]

          O salmista, por sua vez, considerando a fidelidade de Deus e a promessa Messiânica, canta de forma alegre.

          O povo de Deus, deve também fazê-lo, inclusive considerando o cuidado de Deus para com a sua Igreja conforme o seu pacto de misericórdia que preserva o seu povo ao longo da história:

Cantarei para sempre as tuas misericórdias, ó SENHOR; os meus lábios proclamarão a todas as gerações a tua fidelidade.  2 Pois disse eu: a benignidade está fundada para sempre; a tua fidelidade, tu a confirmarás nos céus, dizendo:  3 Fiz aliança com o meu escolhido e jurei a Davi, meu servo:  4 Para sempre estabelecerei a tua posteridade e firmarei o teu trono de geração em geração. (Sl 89.1-4).

          O nosso Pastor é o único Deus. O único que realiza feitos grandiosos, canta o salmista: “Ao único que opera grandes (lAdG”) (gadol) maravilhas (al’P’) (pala), porque a sua misericórdia dura para sempre” (Sl 136.4).

          A rotina, que em geral é útil em nossos afazeres cotidianos, nos permitindo planejar com maior naturalidade, sem dispêndio de maiores energias, pode também involuntariamente ocultar aos nossos olhos grandes feitos com os quais nos acostumamos, terminando por banalizá-los.

          Nos acostumamos com as estações do ano, as chuvas periódicas, o outono, o frio do inverno, as flores da primavera, o nascimento de um bebê, o alimento diário, uma noite de sono, o céu estrelado etc.

          O salmista também desfrutava de experiências semelhantes, mas, quando contempla o poder de Deus manifesto de várias formas na criação e em sua vida, com amplo conhecimento de causa, exclama em louvor:  “Graças te dou, visto que por modo assombrosamente (arey”) (yare’) maravilhoso (hl’P’) (palah) me formaste; as suas obras são admiráveis (al’P’) (pala) (maravilhosas, extraordinárias), e a minha alma o sabe muito bem”(Sl 139.14).

          As manifestações do cuidado de Deus sobre nós são em grande parte imperceptíveis. Creio que conforme formos amadurecendo espiritualmente, vamos adquirindo uma dimensão maior de suas obras em nossa vida. Escreve o salmista: “São muitas, SENHOR, Deus meu, as maravilhas (al’P’) (pala) que tens operado e também os teus desígnios para conosco; ninguém há que se possa igualar contigo. Eu quisera anunciá-los e deles falar, mas são mais do que se pode contar” (Sl 40.5).

          Na constatação de que os feitos maravilhosos de Deus são memoráveis, o salmista conclui: “Benigno (!WNx;) (channun) e misericordioso (~Wxr;) (rachum) é o SENHOR” (Sl 111.4).

          Esse conceito reaparece no salmo de ação de graças quando o salmista rende graças ao único Deus que opera grandes maravilhas amparadas em sua misericórdia: “Ao único que opera grandes (lAdG”) (gadol) maravilhas (al’P’) (pala), porque a sua misericórdia dura para sempre” (Sl 136.4).

Feitos memoráveis

Geralmente o que cultivamos em nossa memória tende a modelar os nossos atos e orientar nosso ensino.

O salmista meditando sobre Deus e as suas obras, diz que as mesmas são memoráveis. Portanto, elas devem ser preservadas em nossa memória em gratidão.

Devemos ter uma grata memória para com os feitos de Deus. Para isso, é necessário que cultivemos um coração agradecido pelo que Deus tem operado. As suas obras por serem maravilhosas são memoráveis. Escreve o salmista: “Ele fez memoráveis (rk,z) (zeker) as suas maravilhas (al’P‘) (pala); benigno e misericordioso é o SENHOR” (Sl 111.4).

Os feitos de Deus devem ser proclamados e ensinados. Essa é uma forma de conservá-los de forma agradecida na memória e conduzir outros à mesma percepção e consequente gratidão e louvor.

Maringá, 03 de outubro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


[1] Sl 31.21.

[2] Sl 72.18; 78.12.

[3]Vejam-se também: Sl 26.7; 86.10; 88.10,12; 105.2,15,16; 106.22; 107.15,21, 31, 42-43.

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