Rei e Pastor: O Senhor na visão e vivência dos salmistas (41)

B. Juízo discernidor

O Senhor é justo em todas as suas expressões. Em seu juízo tem diante de si um conhecimento imediato e criterioso de todas as coisas. Ele tem um conhecimento claro e distinto de toda a realidade porque, toda a realidade, em última instância, existe sob o seu poder:

4O SENHOR está no seu santo templo; nos céus tem o SENHOR seu trono; os seus olhos estão atentos, as suas pálpebras sondam (!x;B’)(bahan) (= examinar, testar provar) os filhos dos homens. 5O SENHOR põe à prova (!x;B’)(bahan) ao justo e ao ímpio; mas, ao que ama a violência, a sua alma o abomina. (Sl 11.4-5/Sl 7.10; 17.3; 66.10; 139.23; Pv 17.3).

Deus conhece as coisas como são

            Deus conhece as coisas como elas de fato são, porque é ele quem as preserva. O seu critério de “avaliação” é minucioso, completo e verdadeiro.[1]

            Nessa certeza, ora o salmista:

8O SENHOR julga os povos; julga-me, SENHOR, segundo a minha retidão e segundo a integridade que há em mim. 9 Cesse a malícia dos ímpios, mas estabelece tu o justo; pois sondas (!x;B’) (bahan) (examinar, testar provar) a mente e o coração, ó justo Deus. (Sl 7.8-9).

            Deve ser dito logo de início que Davi não reivindicava a sua impecabilidade, contudo, considerava-se limpo e injustiçado em relação às acusações que lhe faziam (Sl 7.8). Como sabemos, nenhum de nós retrata de forma perfeita a justiça de Deus, portanto, não há um justo sequer (Rm 3.9-12/Sl 14.1-3).[2]

Dificuldade humana em julgar

            Uma das difíceis tarefas que enfrentamos é a de julgar. Diariamente, talvez sem perceber, exercemos a nossa capacidade de julgar. Quando, por exemplo, escolhemos a roupa com a qual vamos trabalhar, se vamos levar agasalho ou não, se é melhor fazer determinadas tarefas pela manhã ou deixá-las para mais tarde, ler essas notas ou deixar para depois ou mesmo, fazer outra atividade etc.

            Em certa ocasião, como tinha que ajudar meu filho a fixar alguns armários em sua loja, me vesti mais à vontade ao me dirigir à padaria para tomar o meu café matinal. Antes disso só minha devocional. Enquanto caminhava, começou a chuviscar. Um chuvisco indeciso é verdade. Contudo, depois de caminhar uns 150 metros, não tive dúvida. Voltei ao Seminário, peguei o guarda-chuva, calcei a bota própria até para neve, e fui feliz tomar o meu café. Fui e voltei sem abrir o guarda-chuva. Julguei mal. A única neve que vi, foi a de espuma do “lava a jato” perto do Seminário.

Paixões interferem em nossos juízos

Contudo, nem todas as nossas escolhas são tão rotineiras como as mencionadas acima. Além de nossas paixões que obstruem a visão mais objetiva da realidade e, consequentemente de nossos juízos, um dos agravantes para nós é que mesmo estando com o desejo puro e honesto de sermos justos, faltam-nos elementos; não temos todas as informações, somos enganados pelas pequenas e, paradoxalmente, intensas impressões que temos; não conseguimos ter uma visão mais ampla da realidade ou mesmo clara do que temos.

            Ilustro: Em certa ocasião (janeiro de 2010) assisti a uma reportagem na qual a Polícia Civil de SP prendeu uma gangue que iludia as pessoas com a possibilidade de ganhar dinheiro localizando a bolinha dentro de uma das três forminhas que o “jogador” manipulava em um tabuleiro improvisado. Em determinado momento, um senhor que fora preso foi entrevistado e ele disse que era aposentado, estava de passagem indo comprar remédio; aquilo tudo era um engano. Por alguns segundos fiquei solidário com aquele senhor, até que a reportagem exibiu uma gravação que o mostrava durante dias seguidos sendo um dos agentes da gangue. Percebi logo o meu equívoco e como o meu sentimento me enganou.

Maringá, 04/05 de outubro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa


[1] Do mesmo modo: Jr 11.20; 12.3; 20.12.

[2]9Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; 10como está escrito: Não há justo, nem um sequer, 11não há quem entenda, não há quem busque a Deus; 12todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3.9-12).

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