Eu lhes tenho dado a tua Palavra (Jo 17.1-26) (108)

7.1. A Trindade como fundamento da unidade da Igreja (Jo 17.21-23)

A unidade cristã tem como pressuposto a fé na Trindade. Deus é essencialmente relacional: Pai, Filho e Espírito Santo falam não de uma casualidade acidental ou meramente didática, antes, de sua essência.

Há um só Deus que coexiste eternamente como Pai, Filho e Espírito Santo.[1] Contudo, mais do que uma simples fórmula – ainda que essencialmente verdadeira –, crer no Deus Triúno requer compromisso com a sua Palavra revelada, um desafio à obediência.[2]

Sem esta fé comprometida, a nossa perspectiva de unidade estará totalmente equivocada; poderemos até trabalhar em prol de uma harmonia, contudo, não a favor da unidade bíblica; aquela que tem o seu modelo na Trindade.

A oração de Jesus Cristo em favor da unidade não se tratava de mero artifício retórico ou de tentar gerar uma unidade artificial, antes é um apelo para que a igreja vivesse a naturalidade de sua sobrenaturalidade.

Estamos todos nós unidos em Cristo.

Somos o seu Corpo.

Temos o mesmo Pai e Espírito.

Estamos unidos na Trindade.

Ele ora ao Pai, que propiciou esta unidade agenciando-se trinitariamente, para que torne isto visível.

Stott comenta:

A unidade cristã tem a sua origem em possuirmos um só Pai, um só Salvador, e um só Espírito que habita em nós. Não podemos, portanto, de modo algum, acalentar uma unidade agradável a Deus se negarmos a doutrina da Trindade ou se não tivermos chegado a conhecer Deus Pai através da obra reconciliadora do seu Filho Jesus Cristo e pelo poder do Espírito Santo.[3]

A unidade da Trindade é a base e o fundamento da unidade cristã; em outras palavras, a unidade da Igreja existe porque Deus a tornou possível:

 22 Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos; 23 eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste e os amaste, como também amaste a mim.  24 Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo.   (Jo 17.22-24).

Trataremos desse assunto com mais detalhes posteriormente.

Maringá, 26 de julho de 2020.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa


[1] Veja-se: Luder G. Whitlock, Jr., A Busca Espiritual,  São Paulo: Cultura Cristã, 2007, p. 42-43.  .

[2] Veja-se: John R.W. Stott,  A Verdade do Evangelho: um apelo à Unidade, Curitiba, PR.; São Paulo, SP.: Encontro; ABU Editora, 2000,  p. 125.

[3]John R.W. Stott, A Mensagem de Efésios,São Paulo: ABU Editora, 1986, p. 110.

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