A Pessoa e Obra do Espírito Santo (241)

2) A santificação envolve um combate confiante (Continuação)

Paulo escreve aos coríntios atestando a realidade da tentação, mas, ao mesmo tempo, indicando que ela não é vitoriosa sobre nós: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel, e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar” (1Co 10.13).

          Notemos que a promessa de Jesus se refere ao seu socorro que nos conduz à vitória. Todavia, isto não exclui a gravidade da tentação, da luta contra a carne, o mundo e o diabo.

Em nosso desejo renovado de agradar a Deus, encontraremos sempre no pendor de nossa carne uma luta contra este propósito, para que façamos a vontade do velho homem, surgindo daí, um combate renhido.

          Todavia, a nossa nova natureza triunfará pelo Espírito de Deus que em nós habita, cuja presença nos identifica como filhos de Deus (Rm 8.9,14,16).

          O escritor de Hebreus, tendo em vista o combate cristão, toma o sofrimento de Cristo como um exemplo e estímulo para a Igreja:“Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis desmaiando em vossas almas” (Hb 12.3).

No momento seguinte, indicando a intensidade deste combate, adverte os seus ouvintes: “Ora, na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue….”(Hb 12.4).

          A Bíblia não deixa dúvida, escreve Packer (1926-2020), de que”qualquer santidade verdadeira em nós estará debaixo de fogo hostil o tempo todo, da mesma forma como nosso Senhor esteve”.[1]

           Paulo, com intenso vigor, mostra a gravidade do nosso confronto:“A nossa luta não é contra o sangue e a carne, e, sim, contra os principados e potestades deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes”(Ef 6.12).

          O apóstolo está descrevendo a nossa luta contra satanás, que está empenhado em nos afastar de Deus, em nos tornar alvos do entristecimento do Espírito que nos selou para “o dia da redenção”, quando se efetuará o resgate final da propriedade de Deus, que somos nós (Ef 1.12-13; 4.30).

          Contudo, apesar deste combate real – e não devemos minimizá-lo –, a Palavra de Deus nos mostra a segurança que temos em Cristo Jesus: “Aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fp 1.6).

Pedro, à igreja perseguida e provada, diz:“….Sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo”(1Pe 1.5). Continua: “Nisto exultais” (1Pe 1.6).

          Deus, livre, soberana e graciosamente concluirá todo o seu propósito na vida de seu povo. É nesta confiança que Pedro consola a igreja perseguida e provada:“Sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo”(1Pe 1.5). Continua: “Nisto exultais” (1Pe 1.6).

          Meus irmãos, a Palavra de Deus nos diz que apesar de uma luta intensa, do combate atroz contra o mundo, a carne e o diabo, podemos já, nesta vida, exultar, na certeza do cuidado de Deus, que nos garante a vitória final.

Neste mesmo espírito escreveu Judas: “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante  da sua glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém” (Jd 24-25).

          A Confissão de Westminster(1647) conclui o capítulo XIII dizendo:

Nesta guerra, embora prevaleçam por algum tempo as corrupções que restam (Rm 7.23), contudo, pelo contínuo socorro da eficácia do santificador Espírito de Cristo, a parte regenerada vence (Rm 6.14; Ef 4.15,16; 1Jo 5.4), e assim os santos crescem em graça (2Pe 3.18), aperfeiçoando a sua santidade no temor de Deus (2Co 7.1) (XIII.3).

          Jesus morreu pelo seu povo, e nenhum de nós será arrebatado de suas mãos (Jo 6.37-40,44,65; 10.18-29/Rm 6.14; Fp 1.6; 1Jo 3.9; 5.4,18). A nossa chamada é para combater o bom combate da fé, a seguirmos “O caminho” com perseverança, confiantes unicamente na graça de Deus.

          Devemos recorrer aos recursos que Deus nos fornece para nos preservar puro. Paulo escreve à igreja com o coração puro: “Ora, o intuito da presente admoestação visa ao amor que procede de coração puro (kaqaro/j), e de consciência boa, e de fé sem hipocrisia” (1Tm 1.5).

          Timóteo como jovem ministro deveria ser exemplo, entre outras coisas, em sua pureza: “Ninguém despreze a tua mocidade; pelo contrário, torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza (a)gnei/a)(1Tm 4.12).[2] Do mesmo modo, no trato com as senhoras e moças da igreja: “As mulheres idosas, como a mães; às moças, como a irmãs, com toda a pureza (a)gnei/a)(1Tm 5.2).

          Paulo tem a consciência de ter servido a Deus com a consciência pura: “Dou graças a Deus, a quem, desde os meus antepassados, sirvo com consciência pura (kaqaro/j), porque, sem cessar, me lembro de ti nas minhas orações, noite e dia” (2Tm 1.3).

          Spurgeon (1834-1892), amparado nas Escrituras, exulta confiante:

O Senhor Jesus tem poder para nos levar lá! Ele lutará contra nossos inimigos para nós. Jesus nos guardará de cair no pecado, e levará todos aqueles pelos quais Ele morreu para a terra celestial. Ninguém será deixado para trás. Estaremos seguros e felizes com Ele para sempre. O Senhor Jesus nos apresentará a Deus e estaremos com aqueles que alcançaram o céu antes de nós.[3]

Maringá, 17 de julho de 2021.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa


[1] J.I. Packer, Na Dinâmica do Espírito,São Paulo: Vida Nova, 1991, p. 108.

[2]“Foge, outrossim, das paixões da mocidade. Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro (kaqaro/j), invocam o Senhor” (2Tm 2.22).

[3]C.H. Spurgeon, Sermões Sobre a Salvação, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas,  1992, p. 12.

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