A Pessoa e Obra do Espírito Santo (282)

                    6.4.7.3.1. O emprego da palavra “presbítero”

          1. Terminologia

A palavra Presbítero é uma transliteração do grego Presbu/teroj que significa “mais velho” (em relação ao mais novo), “ancião”, indicando também um ofício eclesiástico. Bispo é a tradução da palavra grega e)pi/skopoj,[1] passando pelo latim (episcopus) que significa “supervisor”, “guardião”, “superintendente”.

                                                                                                                                                    2. Presbítero na literatura clássica

                                                                                                                                                              Este vocábulo, que já era usado desde o poeta grego Píndaro (c. 518-c. 445a.C.), parece ter passado por três sentidos: “mais velho”,[2] depois, o de “maior importância” e, finalmente, o “mais honrado”, não havendo nenhuma associação do “mais velho” como sendo, por exemplo, o “mais fraco”. A ideia presente é de honra e respeito, daí o conceito de “tomar o primeiro lugar”;[3] e, aquilo que, comparativamente, é mais importante ou “imperativo”.[4]

          Partindo desse conceito, concebe-se a ideia de alguém que assume determinadas funções oficiais, como “embaixador” e comandante de um exército, estando, portanto, embutida a compreensão de alguém que “sustenta”, “cuida de” e “preocupa-se com” os que estão sob a sua guarda; ou, ainda que não oficialmente constituído, um “conselheiro”.

                                                                                                                                                   3. No Antigo Testamento

                                                                                                                                                             O Antigo Testamento emprega a palavra no sentido literal, de “mais velho” (Gn 18.11; 19.4; 43.33; 1Sm 2.22; Sl 71.18; Is 20.4) e, também, referindo-se aos “anciãos do povo” e “anciãos de Israel” – que algumas vezes representavam concílios locais –, os quais tiveram grande relevância na vida de Israel, participando inclusive da administração pública (Vejam-se: Ex 3.16; 4.29; 12.21; Dt 16.18; 21.2ss; 22.15; Js 20.4; Rt 4.2; 1Sm 4.3; 8.4; 30.26; Ed 5.9ss; 6.7; 10.14; Jr 29.1; Ez 14.1; 20.1). Notemos também, que este costume não era exclusivo de Israel. Outros povos também tinham seus “anciãos” (Gn 50.7 [ARA: “principais” (2 vezes) LXX: presbu/teroi]; Nm 22.7).

          Posteriormente, no período interbíblico, conforme podemos ver os reflexos ainda no Novo Testamento, o “ancião” era o membro do Sinédrio que, segundo compreensão corrente, tinha suas origens ligadas aos setenta anciãos escolhidos por Moisés (Nm 11.16ss.).

          O “presbítero” era certamente o “mais velho” em contraste com o “jovem”. Quanto à idade para ser considerado presbítero, não sabemos. Tem sido sugerido entre 50 e 56 anos. No entanto, a comunidade de Qumran exigia a idade mínima de 30 anos para exercer o ofício de Presbítero.[5] No Egito, documentos antigos indicam a existência de presbítero de 45, 35 e 30 anos.[6] Talvez, possamos pensar que a idade mínima exigida fosse de 30 anos, quando já não fosse muito jovem e, com alguma experiência, estaria no auge de suas forças (Nm 4.3,23,30/Nm 8.24-25).[7]

                                                                                                                                                   4. No Novo Testamento

                                                                                                                                                             1.4.1. Conforme o uso corrente

                                                                                                                                                                                 No Novo Testamento encontramos a associação dos “anciãos” como aqueles que perseguiram a Jesus e aos apóstolos (Mt 16.21; 27.1; At 6.12). Também são relacionados às tradições recebidas dos rabinos, que, equivocadamente, eram consideradas no mesmo nível da Palavra de Deus:[8] “tradição dos anciãos” (Mt 15.2; Mc 7.3,5).

          O Novo Testamento emprega o termo – como já era habitual –, referindo-se ao mais velho em relação ao mais moço (Lc 15.25/1Tm 5.1; 1Pe 5.5); à geração mais velha em contraste com a mais nova (At 2.17) e, também, aos nossos ancestrais (Hb 11.2).

          Entre os judeus, até o ano 70 A.D. – quando o Templo de Jerusalém foi destruído –, os oficiais da sinagoga de Jerusalém eram denominados de “presbíteros”.[9]

Maringá, 05 de setembro de 2021.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa


[1]*At 20.28; Fp 1.1; 1Tm 3.2; Tt 1.7; 1Pe 2.25.

[2] Platão, Defesa de Sócrates, São Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 2), 1972, 31b. p. 22.

[3] Veja-se: Guenter Bornkamm, Presbítero: In: G. Kittel, ed. A Igreja do Novo Testamento, São Paulo: ASTE, 1965, p. 219.

[4]Vejam-se: Heródoto, História, Rio de Janeiro: Editora Tecnoprint, (s.d.), V.63, p. 444; Tucídides, História da Guerra do Peloponeso,Brasília, DF.: Editora da Universidade de Brasília, 1982, IV.61. p. 208; Platão, O Banquete,São Paulo: Abril Cultural, (Os Pensadores, v. 3), 1972, 218d, p. 55.

[5]Veja-se: Ed. Glasscock, The Biblical Concept of Elder: In: Bibliotheca Sacra,Dallas: Dallas Theological Seminary, jan/mar., 1987, p. 67.

[6] Veja-se: Guenter Bornkamm, Presbítero: In: G. Kittel, ed. A Igreja do Novo Testamento, p. 221.

[7] Vejam-se os bons argumentos de Van Dam a respeito desse ponto. (Cornelis Van Dam,  O Presbítero, São Paulo: Cultura Cristã, 2019, p. 38-40b).

[8] Ver: William Hendriksen, Mateus, São Paulo: Cultura Cristã, 2001, v. 2, (Mt 15-1-2), p. 150-151.

[9] Cf. Presbu/teroj: In: William F. Arndt; F.W. Gingrich, A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Eearly Christian Literature,2. ed. Chicago: University Press, 1979, p. 706b.

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