Urim e Tumim: quando o sorteio revela a justiça
Entre maldição e perfeição, a esperança de reconstrução institucional
Introdução
Há momentos na história em que o destino coletivo parece repousar sobre um gesto simples: o sorteio. No passado, o povo de Israel aguardava com reverência o resultado do Urim e Tumim, acreditando que ali se revelava a vontade divina (Ex 28.30; Lv 8.8; Nm 27.21; Dt 33.8; 1Sm 14.41).
Hoje, também nos vemos diante de sorteios que definem quem terá a responsabilidade de julgar questões capazes de alterar o rumo da confiança nacional. Não é um simples ato administrativo: é um gesto que revela até onde podemos confiar que a justiça se ergue acima das sombras. Muitos enxergam nesse sorteio não o acaso, mas a chance concreta de que a justiça prevaleça.
Esse gesto aparentemente simples carrega o peso da confiança coletiva: nele se decide não apenas quem julgará, mas se ainda é possível acreditar na imparcialidade da justiça. É nesse ponto que o paralelo entre o Urim e o Tumim e nossos mecanismos modernos se torna revelador, mostrando que o sorteio é mais do que acaso − é símbolo da credibilidade de todo um sistema.
O Significado de Urim e Tumim
Segundo algumas interpretações antigas, Urim estaria associado à ideia de juízo ou condenação, enquanto Tumim remeteria à perfeição e retidão. Esse contraste traz à tona uma tensão poderosa: de um lado, o risco da corrupção e da injustiça; de outro, a esperança da verdade e da integridade.
Guardados no peitoral do sumo sacerdote, esses instrumentos eram usados em momentos solenes para buscar discernimento divino. Alegoricamente, o Urim representa o perigo da suspeição, enquanto o Tumim aponta para a perfeição da justiça. Juntos, revelam a tensão que sempre acompanha as escolhas humanas: entre a sombra da desconfiança e a luz da integridade.
Urim, Tumim e os Sorteios da Justiça
Na tradição bíblica, o Urim e o Tumim eram instrumentos de discernimento. Não se tratava de mero acaso, mas de um recurso sagrado para buscar direção quando o caminho humano parecia obscurecido. O povo confiava que, ao lançar mão dessas pedras, o sacerdote revelava não apenas uma escolha, mas a vontade de Deus.
Hoje, nossos sistemas jurídicos também recorrem a sorteios. Já não são pedras guardadas no peitoral sacerdotal, mas mecanismos institucionais criados para assegurar imparcialidade. O sorteio é, em essência, um símbolo: representa a tentativa de afastar a influência humana e deixar que a decisão seja conduzida por um princípio maior − o da justiça.
Contudo, vivemos tempos em que a confiança nas instituições é constantemente abalada. Quando suspeições se acumulam, o povo olha para esses sorteios com desconfiança, perguntando-se se ainda há pureza no processo. É como se o Urim, o juízo, estivesse sempre à espreita, pronto para contaminar o resultado.
Mas há também espaço para esperança. O Tumim, a perfeição, pode se manifestar quando o sorteio é conduzido com integridade. O sorteio atual, que define quem julgará questões de grande relevância, pode ser visto como um momento em que a justiça se reafirma. Se o processo se mantiver íntegro, se o escolhido carregar consigo o peso da responsabilidade com retidão, então o sorteio não será apenas um mecanismo burocrático, mas um sinal de que ainda é possível confiar.
Assim como o povo de Israel aguardava com reverência a revelação do Urim e Tumim, nós também aguardamos com expectativa. Que este sorteio seja mais do que um ato administrativo: que seja o marco de uma justiça que se ergue acima das sombras da suspeição. Pois sem justiça, não há pacto social que resista; mas com ela, mesmo em meio às crises, há esperança de reconstrução.
Conclusão
Este é o momento de vigiar e de acreditar. O sorteio não pode ser visto como mero acaso, mas como oportunidade de restaurar a confiança coletiva. Se a decisão que dele emerge for justa, será como a perfeição que vence a maldição, mostrando que ainda é possível caminhar com esperança.
Que este seja o tempo em que nossos Urim e Tumim modernos revelem não a vontade dos homens, mas o triunfo da justiça sobre toda suspeição. Pois é somente nela que repousa a verdadeira força de uma nação. Deus guarde o nosso país.
Maringá, 13 de fevereiro de 2026.
Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

Gostei do artigo.