A Pessoa e Obra do Espírito Santo (288)

1) Negativamente considerando (Continuação)

5) Inimigo de contendas: (a)/maxoj) 1Tm 3.3. “Não lutador”, “não contencioso”, “não altercador”. (*Tt 3.2). O presbítero não deve briguento, mas sim, pacífico. O texto não quer sugerir uma atitude de passividade pecaminosa que se acovarda diante dos desafios próprios de seu ofício. Antes, o apóstolo combate àqueles que amam a contenda pelo simples fato de contender.

Calvino comenta: “Aqueles que são imoderadamente severos e mal-humorados levam consigo aquele fogo maligno que inflama as controvérsias”.[1]

          É curioso que a palavra que descreve a atitude que Paulo combate, sempre é empregada negativamente no Novo Testamento, tanto o substantivo (ma/xomai = lutar, contender, brigar, disputar. *2Co 7.5; 2Tm 2.23; Tt 3.9; Tg 4.1) como o verbo (ma/xh = batalha, luta , briga, contenda, disputa. * Jo 6.52; At 7.26; 2Tm 2.24; Tg 4.2).

          A polêmica pelo simples prazer de contender não provém de Deus. Em geral tendemos a perder o foco e, sem percebermos, o estabelecimento da verdade deixa de existir como alvo de nossa discussão sendo substituído pelo amor à nossa posição.[2] Passamos a querer vencer, apenas isso. Este tipo de comportamento, quase imperceptível a quem está no meio da disputa, tende a nos tornar arrogantes, agressivos e sarcásticos.[3] Sem dúvida, tais atitudes nos afastam em muito do espírito cristão.

          Ainda segundo Calvino, na polêmica pela polêmica, há algo de ardiloso por parte do maligno.[4] Chama, então, a atenção dos pastores:

Essa é a trama de Satanás, ou seja: que, mediante perversa loquacidade de tais homens, ele enreda os bons e fiéis pastores com o fim de distraí-los de sua preocupação pela doutrina. Daí a necessidade de nos precavermos e não permitirmos qualquer envolvimento em argumentos polêmicos; porque, do contrário, jamais nos veremos livres para direcionar nosso labor em prol do rebanho do Senhor, nem os homens amantes de polêmicas nos deixarão de perturbar.[5]

          Em outro lugar, enfatiza: “Recordemos sempre, quando o diabo nos empurrar para as controvérsias, que as desavenças dos membros, no seio da Igreja, não nos levam a parte alguma, senão para a ruína e destruição de todo o corpo”.[6]

Maringá, 13 de setembro de 2021.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa


[1]João Calvino, As Pastorais, São Paulo: Paracletos, 1998, (Tt 3.2), p. 342.

[2] “A ambição é sempre contenciosa e nos conduz às polêmicas, de modo que aqueles que desejam aparecer estão sempre prontos a desembainhar a espada a pretexto de qualquer tema” (João Calvino, As Pastorais,(1Tm 6.20), p. 186). Veja-se também: As Pastorais,(2Tm 2.14), p. 233.

[3] “Quão perigoso para a Igreja é esse conhecimento que conduz às controvérsias, ou seja, o conhecimento que ignora a piedade e se preocupa só com a ostentação pessoal. Toda a assim chamada teologia especulativa dos papistas pertence a essa categoria” (João Calvino, As Pastorais, (2Tm 2.14), p. 232).

[4] “Fazer polêmica pela polêmica  é sempre obra do diabo” (D.M. Lloyd-Jones, Santificados Mediante a Verdade, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, (Certeza Espiritual, v. 3), 2006, p. 55).

[5]João Calvino, As Pastorais, (Tt 3.10), p. 357.

[6]João Calvino, Gálatas, São Paulo: Paracletos, 1998, (Gl 5.15), p. 165.

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