A Glória do Evangelho e a nossa salvação

Uma das coisas muito comuns e perigosas ao ser humano é não ter a consciência da real grandeza daquilo que pode usufruir. É notório o dito de que só valorizamos as coisas, e até mesmo as pessoas, quando as perdemos. É possível. Mas também é possível, por um sentimento de culpa, desvalorizar o que perdemos como que se valendo de um recurso de defesa, tentando compensar a nossa falta de visão anterior que nos permitiu nos colocar naquela situação.

 

No campo espiritual, algo mais grave pode acontecer conosco: estamos tão acostumados com os ensinamentos das verdades bíblicas, em saber que a nossa salvação é pela graça, que Deus é Quem nos preserva, que o Espírito habita em nós, que podemos conhecer a vontade de Deus por meio de Sua Palavra, que pela oração por intermédio de Cristo temos acesso a Deus, entre outras bênçãos, que terminamos por menosprezar tais verdades por meio de nossa indiferença. Neste caso, nós não fazemos uma profissão de falta-de-fé, mas, banalizamos a graça, secularizamos o sagrado, vulgarizamos o maravilhoso e valorizarmos o supérfluo.

 

Neste texto (Ef 1.12-14) Paulo nos chama a atenção para algo majestoso: a glória do Evangelho e como ele se relaciona diretamente com a nossa salvação. Analisemos alguns aspectos deste ensinamento:

 

a) A Graça de Deus é gloriosa: A graça de Deus é algo que ultrapassa em muito a nossa capacidade de compreensão e, portanto, de explicação. Paulo demonstra que a nossa eleição contempla o louvor da graça de Deus: “Para louvor da glória (do/ca) de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado” (Ef 1.6). A glória de nossa salvação está no Deus da graça. É somente por esta gloriosa graça que somos o que somos e temos o que temos. A graça de Deus é a fonte de todas as bênçãos da vida cristã.

b) O Evangelho reflete a glória de Cristo: O Evangelho não é uma farsa, um logro que precisa de alto investimento para poder apresentar uma imagem fantasiosa, atraente e bem distante do que corresponde à verdade. Antes, o Evangelho é glorioso; a sua mensagem é gloriosa visto que ela consiste no anúncio das virtudes do Deus majestoso que vem ao encontro do homem atraindo-o para Si, providenciando a sua reconciliação por meio do Seu Filho amado que livremente Se entrega por nós conforme a vontade do Pai (Gl 1.4).

 

Não é à toa que satanás tenta obscurecer esta mensagem do entendimento dos incrédulos. Ele tem um discernimento bem claro do poder glorioso deste Evangelho. Portanto, a sua estratégia. Paulo escreve sobre a pretensão diabólica: “Nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória (do/ca) de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (2Co 4.4).

 

c) O Evangelho nos chama à glória de Cristo: Deus nos destinou à glória, à comunhão com Cristo, o senhor da glória: “Para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória (do/ca) de nosso Senhor Jesus Cristo” (2Ts 2.14).

d) A salvação que temos em Cristo é gloriosa: “Por esta razão, tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com eterna glória (do/ca) (2Tm 2.10).

 

O Evangelho tem o propósito de nos conduzir a esta glória: “Mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória (do/ca) (1Co 2.7).

e) Somos conduzidos à santificação a fim a aguardarmos a manifestação da glória de Deus: A igreja deve crescer espiritualmente, sendo educada pela graça de Deus, preparando-se para se encontrar com o seu Senhor, o Senhor da glória.

 

É deste modo que o Apóstolo escreve sobre a graça educativa de Deus:

11Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, 12educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, 13 aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória (do/ca) do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tt 2.11-13).

 

Conforme o Seu propósito, Deus nos concedeu tudo o que é necessário ao nosso crescimento e amadurecimento na fé (2Pe 1.3). Cabe a nós nos valermos dos meios fornecidos por Deus – em especial, da Palavra, oração e sacramentos –, para nos preparar para nos encontrar com o Senhor glorioso. Que Deus em sua misericórdia nos ajude. Amém.

 

 

Maringá, 15 de fevereiro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa