A Pessoa e Obra do Espírito Santo (93)

    g) A Justiça produz frutos

Uma das questões fundamentais em qualquer área é estabelecer os indicadores de qualidade.

    Quando nos referimos a um produto como sendo bom, no que estamos pensando? Durabilidade, estética, preço, polivalência, resistência? Ou, em todas estas qualidades reunidas? Em outras palavras: O que serve de parâmetro a cada um de nós, para avaliar um “bom” produto?

    A propaganda procura criar “imagens” de produtos para vender a ideia de qualidade. Assim, mesmo que muitas vezes a empresa esteja em crise, ou a qualidade do produto seja discutível, somos conduzidos à associação do conceito de qualidade com o nome da organização.

    Por isso, quando falamos, por exemplo, de: Audi, General Motors, IBM, HP, Nestlé, McDonald’s; Xerox; Philips, LG, Mercedes, entre outras, pensamos normalmente em qualidade. Por outro lado, anos atrás,  foi noticiado o suposto envolvimento de poderosa empresa farmacêutica pertencente à Pfizer, como encomendando textos enaltecendo as qualidades de determinado produto. Estes textos seriam posteriormente assinados por “pesquisadores” e publicados em revistas científicas.[1] As nossas associações ideais nem sempre encontram respaldo na realidade.

    Desejamos intensamente a justiça. Agora queremos discorrer um pouco sobre os frutos da justiça, ou, em outras palavras, sobre indicadores concretos da justiça de Cristo em nossa vida.

    A Palavra de Deus nos instrui na justiça a fim de que o nosso viver seja caracterizado pelos frutos da justiça. Isto equivale a dizer que a justiça de Cristo em nós se revela e frutifica em nosso comportamento. 

    A vontade de Deus é que revelemos a sua justiça por meio de nossa fé e atitudes, devendo ser estas, evidências daquela. Paulo escreve aos efésios fazendo um contraste entre o antigo modo de viver deles e o novo, em Cristo:

 Quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça (dikaiosu/nh) e retidão procedentes da verdade. Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo (…). Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe (…). Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e, sim, unicamente a que for boa para a edificação (…). Não entristeçais o Espírito de Deus (…). Longe de vós toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda a malícia. Antes sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos perdoou….” (Ef 4.22-32).

    Neste texto Paulo apresenta diversos frutos da justiça que consistem basicamente no abandono do pecado e na prática da justiça. A justiça de Cristo frutifica em nós por meio da mudança de paradigma, que consiste numa mudança de valores e comportamento. Aos mesmos efésios Paulo diz: “….Outrora éreis trevas, porém agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz, porque o fruto da luz consiste em toda a bondade, e justiça (dikaiosu/nh), e verdade, provando sempre o que é agradável ao Senhor” (Ef 5.8-10).

    O cristão é responsável por descobrir diariamente – orientado pela Palavra –, a atitude ética correta condizente com a sua nova natureza que reflita a justiça de Cristo, sendo agradável a Deus. Deus se agrada com a nossa integridade em servi-Lo; com a nossa busca por fazer a Sua vontade, mesmo nas pequenas coisas. O desafio de todo aquele que deseja fazer a vontade de Deus é aplicar a Sua Palavra à sua realidade diária, aos desafios de nossa vida social, profissional, familiar, estudantil e afetiva.

    Jesus Cristo nos diz que pelos frutos nós conhecemos a qualidade de uma árvore. Ele aplica este exemplo à vida espiritual. Deste modo, o nosso desejo de agradar a Deus será demonstrado em nossa prática, condizente com a Sua justiça;

 Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons (…). Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. (Mt 7.16-18,20,21).

    O apóstolo Paulo nos fala do fruto do Espírito como uma característica dos filhos de Deus; daqueles que andam no Espírito: “O fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio….” (Gl 5.22-23).

    Paulo ora a Deus pelos filipenses, para que eles se apresentassem diante de Cristo “sinceros e inculpáveis”, tendo a responsabilidade de viverem hoje, “cheios do fruto de justiça”.

E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as cousas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o dia de Cristo, cheios do fruto de justiça (dikaiosu/nh), o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus.(Fp 1.9-11).[2]

    Portanto, nós como justificados em Cristo, devemos frutificar em toda boa obra de justiça, evidenciando a habitação do Espírito em nós em todas as áreas de nosso viver. As boas obras são respostas à graça, todas elas, capacitadas pela graça. A grandeza está na graça, não nas obras.[3] “Não é propriamente nossas obras em si mesmas que Deus considera, e sim, sua graça em nossas obras”, conclui Calvino.[4]

Maringá, 21 de janeiro de 2021. Rev. Hermisten Maia Pereira da Co


[1] Jornal Folha de São Paulo, 08.09.10, A12.

[2]“Devemos buscar a justiça mediante a fé em Cristo, porque não podemos ser justificados pelas obras” (João Calvino, Gálatas, São Paulo: Paracletos, 1998, (Gl 2.15), p. 68).

[3] “Tanto a fé quanto as boas obras são uma resposta à graça e um dom desta” (Gene Edward Veith, Jr, De Todo o Teu Entendimento, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 43).

[4]João Calvino, Exposição de Hebreus,São Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 6.10), p. 159. 

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