Pensamento Grego e a Igreja Cristã: Encontros e Confrontos – Alguns apontamentos (37)

7) O Temor a Deus e a nossa Vida Social

O temor a Deus tem implicações éticas. Daí a Escritura ao qualificar os servos de Deus como homens tementes a Deus, sempre os apresentam com virtudes relevantes dentro do ponto que se quer enfatizar.

     Há uma identificação natural entre tais pessoas devido aos princípios, valores e práticas semelhantes. Temos prazer em conviver com pessoas que temem ao Senhor. Essa santa e piedosa afinidade é natural.  Devemos cultivar isso: “Companheiro sou de todos os que te temem (arey) (yare’) e dos que guardam os teus preceitos” (Sl 119.63).

     O temor do Senhor nos aproxima por identificarmos propósitos semelhantes. Somos pecadores, contudo, buscamos em Deus o perdão e a correção. Ainda que não possamos nem devamos transformar as nossas relações sociais em um gueto ou uma casta de homens e mulheres com espírito farisaico ‒ e isso deve ficar bem claro para nós ‒, sabemos que é altamente salutar e alegre conviver com os nossos irmãos buscando a edificação recíproca. É o que expressa o salmista: “Alegraram-se os que te temem (arey) (yare’) quando me viram, porque na tua palavra tenho esperado” (Sl 119.74). “Voltem-se para mim os que te temem (arey) (yare’) e os que conhecem os teus testemunhos” (Sl 119.79).

     Alcorn faz uma constatação pertinente: “Aqueles com quem decidimos gastar nosso tempo disponível moldarão dramaticamente nossa vida”.[1] (1Co 15.33; Pv 13.20).

     A Escritura também nos adverte quanto a critérios puramente estéticos sem uma avaliação mais substancial e relevante: “Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme (arey) (yare’) ao SENHOR, essa será louvada” (Pv 31.30).

     A mulher que teme ao Senhor revelará também a sua beleza em atos de sábia obediência. Importa dizer aqui que a Escritura não faz apologia à falta de beleza e formosura, antes, declara que estes aspectos solitários, além de ilusórios, são passageiros. O que de fato deve ter prioridade, ainda que não necessária exclusividade, é o temor do Senhor.

5.2.2. Em nossa relação com Deus

“A intimidade (dAs) (sod) (conselho secreto, conversa confidencial) do SENHOR é para os que o temem (arey) (yare’), aos quais ele dará a conhecer a sua aliança” (Sl 25.14).

      O temor de Deus nos fala de um senso de reverência pelo fato de conhecermos a Deus, sabermos de sua grandeza e majestade. Os que temem a Deus são os íntimos; têm “conversas confidenciais” com o Senhor.

     Mais uma vez nos deparamos com um paradoxo. O senso de temor, longe de nos afastar, nos aproxima de Deus. Somos tornados íntimos de Deus. É Ele mesmo quem nos aproxima de si. Deus compartilha com os que o temem, a sua aliança, o seu propósito e conselho, colocando no coração destes a alegria e a confiança de saber de forma experiencial quem é o seu Deus, o Deus da Aliança, digno de todo temor  ‒ próprio daqueles que são íntimos do Senhor ‒, e alegre obediência. Por isso, conforme escreve Patterson,“o homem justo e reto, que anda no temor do Senhor, receberá o conselho secreto de Deus”.[2]

São Paulo, 10 de dezembro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


[1]Randy Alcorn, Decisões Diárias cumulativas, coragem em uma causa e uma vida de perseverança: In: John Piper; Justin Taylor, eds. Firmes: um chamado à perseverança dos santos,  São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2010, p. 107.

[2]R.D. Patterson, Swd: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1031.

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