Os eleitos de Deus e o seu caminhar no tempo e no teatro de Deus (54)

g) Não devemos guardar as tradições à revelia da Palavra

Jesus acusa os fariseus de guardarem as suas tradições,[8] rejeitando sagazmente, com beleza ardilosa, a Palavra: E disse-lhes ainda: Jeitosamente (kalw=j)[9] rejeitais o preceito de Deus para guardardes (thre/w)[10] a vossa própria tradição” (Mc 7.9).

2) Guardar-nos puros

O guardar a palavra tem implicação direta com a nossa pureza de vida. Somente poderão ter uma vida inatacável aqueles que guardam os mandamentos de Deus.

a) Tiago apresenta como uma das características da verdadeira religião o manter-nos puro neste mundo: “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se (thre/w) incontaminado (a)mi/antoj)[1] do mundo” (Tg 1.27).

b) Paulo recomenda a Timóteo que se conserve puro, inclusive não se tornando alvo de manipulações ou de atitudes precipitadas. A ingenuidade pode tornar-nos cúmplices das maquinações de outros: “A ninguém imponhas precipitadamente as mãos. Não te tornes cúmplice de pecados de outrem. Conserva-te (thre/w) a ti mesmo puro” (1Tm 5.22).

 

3) Guardar a palavra e guardar-nos puros até o fim

a) A nossa confissão de fé e a nossa pureza moral devem nos acompanhar até a vinda do Senhor: Paulo exorta a Timóteo:

 

Exorto-te, perante Deus, que preserva a vida de todas as coisas, e perante Cristo Jesus, que, diante de Pôncio Pilatos, fez a boa confissão, que guardes (thre/w) o mandato imaculado, irrepreensível, até à manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo. (1Tm 6.14-15).

 

b) Devemos nos guardar no amor de Cristo. Judas orienta: Vós, porém, amados, edificando-vos na vossa fé santíssima, orando no Espírito Santo, guardai-vos (thre/w) no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna (Jd 20-21).

c) São bem-aventurados aqueles que guardam até o fim as palavras reveladas por Deus: Bem-aventurados aqueles que leem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam (thre/w) as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo(Ap 1.3/Ap 3.3,8,10; 22.7,9).

 

Paulo no ocaso de sua vida, diz que guardou a fé: Combati o bom combate, completei a carreira, guardei  (thre/w) a fé” (2Tm 4.7).

 

d) Deus tem uma herança reservada para os seus: Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada (thre/w) nos céus para vós outros” (1Pe 1.3-4).

4) A Igreja e sua missão

Após a ressurreição de Jesus Cristo, Ele confia uma missão à Igreja:

 

Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar (thre/w) todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século. (Mt 28.19-20).

 

Portanto, a Igreja ensina ao mundo a Palavra e demonstra em sua vida o como guardar todos os mandamentos de Deus. A igreja é o mais próximo sinal do céu que o mundo pode ver nessa vida terrena.[2]

 

5) Deus mesmo é quem nos guarda até o fim

Quando no Exílio, Daniel ora a Deus tendo como ponto fundamental a certeza de que Deus guarda a aliança: “Orei ao Senhor, meu Deus, confessei e disse: ah! Senhor! Deus grande e temível, que guardas (thre/w) a aliança e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos” (Dn 9.4).

 

A Palavra nos diz que Jesus Cristo, o nascido de Deus, é quem nos guarda: “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda (thre/w), e o Maligno não lhe toca” (1Jo 5.18). Judas escreve aos “amados em Deus Pai e guardados (thre/w) em Jesus Cristo” (Jd 1).

 

Paulo ora ao Senhor no sentido de guardar os tessalonicenses O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados (thre/w) íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo (1Ts 5.23).

 

Jesus Cristo orando ao Pai, diz a respeito de Seus discípulos:

 

Quando eu estava com eles, guardava-os (thre/w) no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura” (Jo 17.12). Ele mesmo, próximo de sua autoentrega em favor do Seu povo, roga ao Pai que o faça: Já não estou no mundo, mas eles continuam no mundo, ao passo que eu vou para junto de ti. Pai santo, guarda-os (thre/w) em teu nome, que me deste, para que eles sejam um, assim como nós. (…) Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes (thre/w) do mal (Jo 17.11,15).

 

A Palavra nos diz que a perseverança cristã é em santidade, consistindo em guardar os mandamentos de Deus: Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam (thre/w) os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Ap 14.12).

 

Concluindo este tópico, devemos enfatizar que é esta palavra que Paulo associa com o esforço diligente: esforçai-vos urgentemente, intensamente, diligentemente por conservar, preservar, segurar a unidade estabelecida de forma essencial e verdadeira, pela Trindade.

 

Isso nos traz consolo: a unidade pertence ao Espírito. Por outro lado, indica de forma intensa a nossa responsabilidade: não destrua essa unidade, não a menospreze, não crie empecilhos, antes, biblicamente, no mesmo Espírito, trabalhemos em prol dela conforme os ditames bíblicos.

 

1.3.2.3. A unidade vivenciada

A comunhão com o Espírito é ao mesmo tempo uma comunhão com os nossos irmãos. A comunhão do Espírito não é individualista (eu e o Espírito) ou mesmo de “elites sociais”. O Espírito, pela Palavra “quer arrancar-nos da nossa solidão e colocar-nos em comunhão recíproca”, instrui-nos Brunner.[3]

A comunhão proporcionada pelo Espírito é socializante porque revela que todos nós, sem exceção, somos inteira e absolutamente dependentes da graça de Deus. Somos todos em Cristo, conduzidos ao Pai pelo mesmo Espírito (Ef 2.18).

 

São Paulo, 15 de maio de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 

 *Leia esta série completa aqui.

 


[1]  Esta palavra tem um emprego ritual, referindo-se à ausência de culpa e corrupção diante de Deus. Ela é usada para descrever a pureza do Sacerdócio de Cristo: “sem mácula”. (Hb 7.26) e a nossa herança celestial para a qual fomos regenerados (1Pe 1.4), (* Hb 7.26; 13.4; Tg 1.27; 1Pe 1.4).

[2] “A igreja, então, é uma expressão terrena do céu. É o mais perto do céu que podemos chegar aqui na Terra. (…) A igreja deve ser uma mostra do céu” (John MacArthur, Eu Amo a Tua Igreja, ó Deus!: In:  John MacArthur, et. al. Avante, Soldados de Cristo: uma reafirmação bíblica da Igreja, São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 22).

[3] Emil Brunner, Nossa Fé, 2. ed. São Leopoldo, RS.: Sinodal, 1970, p. 105.

Um comentário em “Os eleitos de Deus e o seu caminhar no tempo e no teatro de Deus (54)”

  1. Orar no monte, na madrugada, três vezes ao dia, fazer jejuns e/ou ler a Biblia somente não santifica ninguém, é preciso ter vergonha na cara.

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