Introdução ao Estudo dos Credos e Confissões (34) – A Igreja Presbiteriana do Brasil e os Símbolos de Fé (7)

Confissão de Westminster em português

Em 1876, a Igreja Presbiteriana publicou em português a Confissão de Fé de Westminster,[1] constando também da “Epitome da Fórma de Governo e Disciplina da Igreja Presbyteriana”, que em seu prefácio, à pagina 78, dizia:

 

O seguinte Epítome de Forma de Governo e Disciplina da Igreja Presbiteriana, foi preparado por uma comissão do Presbitério do Rio de Janeiro, para de alguma maneira suprir a falta de uma edição autorizada em sua Forma de Governo e Disciplina, que até agora não tem sido possível oferecer ao público; o que porém se espera seja realizado sem muita demora.

 

Durante o ano de 1881 saiu publicado em vários fascículos, na Imprensa Evangélica, o “Livro de Ordem da Igreja Presbyteriana no Brazil”. No capítulo VII, da Primeira Parte, dizia:

 

A Constituição da Igreja Presbiteriana no Brasil consiste de seus Símbolos Doutrinais compreendidos na Confissão de Fé, nos Catecismos Maior e Breve, juntamente com o Livro de Ordem Eclesiástica, que abrange a Forma de Governo, as Regras de Disciplina, e o Diretório do Culto.

 

Para os pastores, presbíteros e diáconos serem ordenados, tinham que responder afirmativamente à seguinte pergunta: “Recebeis e adotais sinceramente a Confissão de Fé e Catecismos desta Igreja, como fiel exposição do sistema doutrinário ensinado nas Santas Escrituras?”.[2]

Como exemplo, cito que o Rev. Eduardo Carlos Pereira (1855-1923) e o Rev. José Zacharias de Miranda (1851-1926), foram ordenados após cumprirem os exames previstos pelo “Livro de Ordem”. [3]

 

O Primeiro Sínodo Nacional

Rev. G.W. Chamberlain

Em 1888, a Igreja Presbiteriana no Brasil constava de três Presbitérios,[4] a saber: do Rio de Janeiro (organizado em 16/12/1865); de Campinas-Oeste de Minas (organizado em 14/4/1887) e o de Pernambuco (organizado em 17/8/1888). Assim, autorizados pelas Assembleias Gerais das Igrejas Presbiterianas dos Estados Unidos (Norte e Sul), estes Presbitérios se reuniram no dia 6 de setembro de 1888, no templo da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, sob a direção do Rev. G.W. Chamberlain, para constituir o primeiro Sínodo nacional. Na ocasião, pregou o Rev. Eduardo Lane. Em seguida, procedeu-se à chamada dos respectivos representantes dos Presbitérios. A convite do presidente, o Rev. A.L. Blackford leu o Ato Constitutivo do Sínodo que, aprovado previamente pelos presbitérios, foi aprovado unanimemente pelo Sínodo, o qual recebeu o seguinte nome: “Synodo da Egreja Presbyteriana no Brazil”. O Rev. Blackford no primeiro escrutínio foi eleito Moderador do Sínodo.

 

Aqui, os Padrões de Westminster são confirmados como símbolos de Fé da Igreja Nacional. No Ato Constitutivo, Art 1º, § 2º, lemos:

 

Os símbolos da igreja assim constituída serão a Confissão de Fé e os Catecismos da assembleia de Westminster, recebidos atualmente pelas igrejas presbiterianas nos Estados Unidos, e o Livro de Ordem publicado na Imprensa Evangélica de 1881, com as emendas já adotadas pelos presbitérios.

 

A nossa Igreja fiel à sua compreensão bíblica e ao seu compromisso histórico, continua adotando os mesmos Símbolos de Fé. A Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil, promulgada em 20 de julho de 1950 e, ainda hoje em vigor, diz no Capítulo I, Art 1º:

 

A Igreja Presbiteriana do Brasil é uma federação de igrejas locais, que adota como única regra de fé e prática as Escrituras Sagradas do Velho e Novo Testamento e como sistema expositivo de doutrina e prática a sua Confissão de Fé e os Catecismos Maior e Breve.

 

Como já indicamos, os Padrões de Westminster são os Símbolos de Fé de todas as Igrejas Presbiterianas do mundo que tiveram a sua origem inglesa ou escocesa.[5]

 

 

Maringá, 15 de janeiro de 2019.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


[1] Confissão de Fé de Westminster, Rio de Janeiro: Livraria Evangélica, 1876, 96p.

[2] Livro de Ordem, I.6. Seções 5 e 6.

[3] Vejam-se: Livro de Atas da Igreja Evangélica Presbiteriana de Brotas, Ata nº 154, p. 1 (Fonte manuscrita); Imprensa Evangélica e Revista Christã, set/1881, p. 287.

[4]Perfazendo um total de 50 igrejas locais, e mais de três mil membros professos, e não menos de dez mil assistentes. (Cf. Imprensa Evangélica, 5/1/1889, p. 4).

[5] Cf. A.A. Hodge, Esboços de Theologia, Lisboa: Barata & Sanches, 1895, p. 112.

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