Saber ouvir, uma virtude teológica (4)

Este texto é continuação do artigo: Saber ouvir, uma virtude teológica (3)


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Considerações finais

Na cerimônia de unção de Arão e de seus filhos, encontramos o indicativo da necessidade de total consagração de Seus servos a Deus. Conforme instrução do Senhor, “Moisés o imolou, e tomou do seu sangue [do carneiro], e o pôs sobre a ponta da orelha direita de Arão, e sobre o polegar da sua mão direita, e sobre o polegar do seu pé direito” (Lv 8.23/Ex 29.20). Aqui temos um ritual de purificação. O indicativo é que os servos de Deus devem cuidar do ouvir (pensar), fazer e andar. É necessário que tenhamos cautela nessas questões. Somos pecadores. Precisamos, portanto, do sangue purificador do Cordeiro (Lv 8.22-24/Jo 1.29,36; 1Pe 1.18-21).1

Do que foi dito, podemos concluir que se faz necessário, aprender ouvir a Deus que nos fala ordinariamente por intermédio de sua Palavra.

O escritor de Hebreus exorta os seus leitores neste sentido: “Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas (a)kou/w), para que delas jamais nos desviemos” (Hb 2.1). “Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes (a)kou/w) a sua voz, não endureçais o vosso coração, como foi na provocação” (Hb 3.15/Hb 4.2,7).

Paulo dá graças a Deus pelo fato dos tessalonicenses terem recebido com discernimento a Palavra proclamada, procedente de Deus: “Outra razão ainda temos nós para, incessantemente, dar graças a Deus: é que, tendo vós recebido (paralamba/nw)2 a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes (de/xomai)3 não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes” (1Ts 2.13/1Ts 1.6/Jo 17.17).4

Os tessalonicenses ativamente “tomaram posse da Palavra” (paralamba/nw) que ouviram e, num ato subsequente, a receberam de forma prazerosa em seus corações (de/xomai). O receber pode ser um ato ou processo mais imediato; porém, o acolher envolve um processo de assimilação prazerosa, compreensão, aplicação e obediência.

Pelo Espírito eles creram, “acolheram” a mensagem e, a partir de então, Deus continuou operando eficaz e poderosamente em sua vida. Notem bem; na vida dos que creram. O ouvir deve ser acompanhado pela fé. A Palavra não pode ser dissociada da fé. “A Palavra só exerce o seu poder em nós quando a fé entra em ação”.5 (Hb 4.2).6

Ouvir a Palavra de Deus deve envolver a fé que nos conduz ao praticar em santa obediência, sendo isso por si só altamente abençoador, conforme Tiago nos instrui:

22Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes (a)kroath/j), enganando-vos a vós mesmos. 23 Porque, se alguém é ouvinte (a)kroath/j) da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, o seu rosto natural; 24 pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência. 25Mas aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte (a)kroath/j) negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar. (Tg 1.22-25/Rm 2.13).

Saberemos ouvir melhor as pessoas quando aprendermos a ouvir a Palavra de Deus a qual frutifica em nós, concedendo-nos discernimento, inclusive para identificar a Sua Palavra de forma intensa e vivencial. Os tessalonicenses agiram desta forma, conforme Paulo escreve com alegria e gratidão:

Outra razão ainda temos nós para, incessantemente, dar graças a Deus: é que, tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes (a)koh/), que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente (e)nerge/w) em vós, os que credes. (1Ts 2.13).

Consideremos a instrução de Tiago: “Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir (a)kou/w), tardio para falar, tardio para se irar” (Tg 1.19).

 

***

As cartas de Paulo aos Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemon, foram escritas num período próximo, quando o Apóstolo estava preso (Ef 3.1; 4.1; Fp 1.7; Cl 4.10; Fm 9).7

Em todas elas a doutrina da graça é ensinada. Isto evidencia que as doutrinas pregadas por Paulo, aprendidas do Senhor, não faziam parte apenas de sua mente e ensino, antes, instruía, alimentava e confortava o seu coração (Cf. Steven J. Lawson, Fundamentos da Graça: 1.400 a.C. -100 d.C: longa linha de vultos piedosos, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2012, v. 1, p. 587-588). Em nossa dor conservamos aquilo que consideramos relevante para nós. O sofrimento é um verdadeiro depurador de nossa teologia e, consequentemente, de nossa fé.8

A eleição eterna de Deus descrita em Ef 1.3-14 não é uma categoria abstrata, distante e apenas ideal. Os eleitos de Deus, por inteira e incompreensível graça, após o chamado eficaz de Deus, são identificáveis pela sua vida e testemunho. A nossa eleição se materializa em obediência a Deus. Por isso, os cristãos sinceros, entre outros critérios, são reconhecidos pelo fato de terem fé no Senhor Jesus e amor para com todos os santos (Ef 1.15). O amor aos nossos irmãos é a profissão de uma genuína fé. (Veja-se: João Calvino, As Pastorais, São Paulo: Paracletos, 1998, (1Tm 1.5), p. 33).

A fé e o amor, evidentes entre os efésios, resumem os Dez Mandamentos. Calvino (1509-1564) escreveu:

Paulo abrange toda a perfeição dos cristãos. Porque o primeiro alvo a que a primeira tábua da lei visa é que devemos adorar a um só Deus e nos unirmos a Ele por todas as coisas, reconhecendo-nos estar tão endividados para com esse que temos que fugir só a Ele para ter todo refúgio e nos empenharmos em passar a nossa vida inteira no seu serviço. Esse é o resumo da primeira tábua da lei. O conteúdo da segunda nada mais é senão que vivamos em conjunto em equidade e retidão, procedendo de tal modo com nosso próximo que nos esforcemos em ajudar a todos sem prejudicar a ninguém. E estamos tão certos de que Deus em sua lei apresentou uma tão boa e perfeita regra de boa vida que nada pode ser acrescido àquela.

Em vista disso, não é sem razão que, nesse ponto, Paulo registre aqui a fé em Jesus Cristo e o amor como uma síntese da vida cristã como um todo, expondo aquilo ao qual devemos ser conformados e que é nosso padrão.9

Paulo se refere à igreja como sendo constituída por aqueles que têm fé no Senhor Jesus. No entanto, na história, o entendimento concernente à Pessoa de Cristo passou por vários embates resultantes de uma compreensão parcial, inadequada ou simplesmente herética da Pessoa do Messias.

A fé vem pelo ouvir (Rm 10.17). Ouçamos o Senhor. Aprendamos dele e com ele. Aprendamos também a ouvir àqueles que nos procuram a fim de poder ajudá-los em suas angústias e necessidades. Estendamos, portanto, os nossos ouvidos, assim como Senhor tem feito conosco continuamente. Que Ele mesmo nos ajude. Amém,

São Paulo, 28 de novembro de 2018.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa


1 Veja-se: Francisco L. Schalkwijk, Meditações de um peregrino, São Paulo: Cultura Cristã, 2014, p. 107.

2Tem o sentido pessoal de tomar para si, levar consigo, tomar posse. É o próprio Senhor quem escolhe três discípulos para se revelar (Mt 17.1; 20.17; 26.37/Mc 5.40). Ele mesmo, o Senhor Jesus nos receberá no céu (Jo 14.3/Mt 24.40).

3Tem também o sentido de “receber”, “aceitar”, “aprovar”. Estevão sendo apedrejado ora: “Senhor Jesus, recebe (de/xomai) o meu espírito!” (At 7.59).

“Com efeito, vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, tendo recebido (de/xomai) a palavra, posto que em meio de muita tribulação, com alegria do Espírito Santo” (1Ts 1.6).

5 João Calvino, Exposição de Hebreus, São Paulo: Paracletos, 1997, (Hb 4.2), p. 101.

6“Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naqueles que a ouviram” (Hb 4.2).

7“Por esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Cristo Jesus, por amor de vós, gentios” (Ef 3.1). “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados” (Ef 4.1). “Aliás, é justo que eu assim pense de todos vós, porque vos trago no coração, seja nas minhas algemas, seja na defesa e confirmação do evangelho, pois todos sois participantes da graça comigo” (Fp 1.7). “Saúda-vos Aristarco, prisioneiro comigo, e Marcos, primo de Barnabé (sobre quem recebestes instruções; se ele for ter convosco, acolhei-o)” (Cl 4.10). “Prefiro, todavia, solicitar em nome do amor, sendo o que sou, Paulo, o velho e, agora, até prisioneiro de Cristo Jesus” (Fm 9).

Todos nós aprendemos muito mais por meio do sofrimento” (John MacArthur, Certezas que Impulsionam um Ministério Duradouro: In: John Piper; Justin Taylor, eds. Firmes: um chamado à perseverança dos santos, São José dos Campos, SP.: Editora Fiel, 2010, p. 81).

9João Calvino, Sermões em Efésios, Brasília, DF.: Monergismo, 2009, p. 133-134.

Saber ouvir, uma virtude teológica (3)

Este texto é continuação do artigo: Saber ouvir, uma virtude teológica (2)

 


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3. Ouvir com discernimento

O que fazemos com o que ouvimos? É preciso saber ouvir. Quando a questão não for clara biblicamente, devemos pedir discernimento a Deus quanto ao que fazer. Lembremo-nos das orientações em Provérbios: “Responder antes de ouvir é estultícia e vergonha” (Pv 18.13). Devemos nos valer com sabedoria dos recursos que Deus nos deu para avaliar aquilo que chega ao nosso conhecimento: “O ouvido que ouve e o olho que vê, o SENHOR os fez, tanto um como o outro” (Pv 20.12).

 

Como em todas as coisas, o Senhor Jesus Cristo é o nosso exemplo perfeito. Por meio do profeta Isaías, 750 anos antes, o caráter de Jesus, o Messias, foi descrito com propriedade: “O SENHOR Deus me deu língua de eruditos (dMul) (limmud) (= discípulo, aprendedor), para que eu saiba dizer boa palavra ao cansado. Ele me desperta todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que eu ouça como os eruditos (dMul) (limmud) (= discípulo, aprendedor) (Is 50.4).

 

Esta erudição é teórica e prática; significa aprender com avidez e discernimento, vivendo com a sabedoria resultante do relacionamento com Deus, e ensinando com sensibilidade para dizer “boa palavra ao cansado”.

 

O hebraico se vale da mesma raiz gramatical para falar do ensino (piel) e da aprendizagem (qal) porque, em suma, só há ensino quando de fato houver aprendizagem. O princípio que deve reger ambos os processos é o temor do Senhor.

 

Aprender a lei de Deus é o mesmo que obedecer a sua vontade (Dt 4.10; 14.23; 17.19; 31.12,13).[1] A obediência não era algo simplesmente intuitivo, antes, amparava-se explicitamente na Lei do Senhor, a qual deve ser lida, ouvida, conhecida e praticada.[2] O povo demonstraria o aprendizado por meio de uma mudança de perspectiva e de comportamento.

 

Portanto, a súplica do profeta em relação aos discípulos: “Resguarda o testemunho, sela a lei no coração dos meus discípulos (dMul) (limmud)(Is 8.16). À frente, vemos que o povo da antiga dispensação aguardava o Messias, porque, como diz o profeta: “Todos os teus filhos serão ensinados (dMul) (limmud) do SENHOR; e será grande a paz de teus filhos” (Is 54.13).[3]

 

No Novo Testamento, Jesus Cristo, convida a todos: 28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. 29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei (manqa/nw) de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. 30 Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11-28-30).

 

O aprendizado aqui não é apenas teórico, antes, tem a ver com a aceitação da pessoa de Cristo e, consequentemente, de seus ensinamentos se manifestando em um relacionamento pessoal e obediência sincera (Mt 12.46-50).

 

Portanto, em tudo devemos buscar discernimento, refletindo e retendo a Palavra:

 

O coração do sábio (!yBi) (bîyn) adquire o conhecimento (t[;D;) (daath), e o ouvido dos sábios (~k’x’) (chakam)[4] procura o saber (t[;D;) (daath). (Pv 18.15).

Não é bom proceder sem refletir (t[;D;) (daath), e peca quem é precipitado. (Pv 19.2).

Quem retém as palavras possui o conhecimento (t[;D;) (daath),[5] e o sereno de espírito é homem de inteligência. (Pv 17.27).

 

Por meio da meditação e prática da Palavra, Deus nos concede discernimento com clareza. Este é o testemunho do salmista: “A revelação das tuas palavras esclarece (rAa) (‘ôr)[6] e dá entendimento (!yBii) (bîyn)[7] aos simples (ytiP,) (pethiy) (= ingênuo, tolo, mente aberta) (Sl 119.130).[8]

 

Deus concede este entendimento aos símplices, referindo-se às pessoas ingênuas que por não terem desenvolvido uma mente discernidora são abertas a qualquer conceito,[9] não percebendo as armadilhas e contradições do seu inconsistente mosaico de pensamento. A Palavra nos conduz à maturidade, ao discernimento para que não mais tenhamos uma “mente aberta”, em que tudo passe sem fronteira, sendo suscetível a todo tipo de sedução e engano.[10] Faz-se necessário que pensemos e, como nosso pensamento também foi afetado pelo pecado, pensemos sobre o nosso pensamento, rogando o espírito de sabedoria concedido por Deus (Ef 1.17). Devemos aprender a refletir sobre o ensino bíblico, suplicando o discernimento do Espírito.

 

Deus deseja que exercitemos o senso crítico (Pv 1.4; 14.15) deixando a paixão pela “necedade” (Pv 1.22).[11] MacArthur, Jr., pontua:

 

Um indivíduo simples é como uma porta aberta – ele não tem discernimento sobre o que pode sair ou entrar. Tudo entra porque ele é ignorante, inexperiente, ingênuo e não sabe discernir as coisas. Pode ser até que tenha orgulho de ter uma ‘mente aberta’, apesar de ser verdadeiramente um tolo. Mas a Palavra de Deus faz com que essa pessoa seja ‘sábia’. (…) Ser sábio é dominar a arte do viver diário por intermédio do conhecimento da Palavra de Deus e sabendo aplicá-la em toda situação.[12]

 

Portanto, saibamos ouvir com real interesse, rogando a Deus, àquele que nos ouve, discernimento para interpretar o que ouvimos e sabedoria para agir com fé e amor. Deste modo, não sejamos negligentes como aqueles ouvintes aos quais Paulo se refere, alertando e estimulando a Timóteo a não desistir de sua pregação:

 

2 prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. 3 Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos (a)koh/); 4e se recusarão a dar ouvidos (a)koh/)[13] à verdade, entregando-se às fábulas. (2Tm 4.2-4).

 

Do mesmo modo, exorta o escritor de Hebreus a alguns de seus imaturos leitores que não entendiam a superioridade de Cristo sobre todas as coisas:

 

11A esse respeito temos muitas coisas que dizer e difíceis de explicar, porquanto vos tendes tornado tardios em ouvir (a)koh/). 12Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido. (Hb 5.11-12).

 

São Paulo, 28 de novembro de 2018.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


 

[1]Não te esqueças do dia em que estiveste perante o SENHOR, teu Deus, em Horebe, quando o SENHOR me disse: Reúne este povo, e os farei ouvir as minhas palavras, a fim de que aprenda a temer-me todos os dias que na terra viver e as ensinará a seus filhos” (Dt 4.10). “E, perante o SENHOR, teu Deus, no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome, comerás os dízimos do teu cereal, do teu vinho, do teu azeite e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer o SENHOR, teu Deus, todos os dias” (Dt 14.23). Também, quando se assentar no trono do seu reino, escreverá para si um traslado desta lei num livro, do que está diante dos levitas sacerdotes. 19 E o terá consigo e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer o SENHOR, seu Deus, a fim de guardar todas as palavras desta lei e estes estatutos, para os cumprir(Dt 17.18-19). Esta lei, escreveu-a Moisés e a deu aos sacerdotes, filhos de Levi, que levavam a arca da Aliança do SENHOR, e a todos os anciãos de Israel. Ordenou-lhes Moisés, dizendo: Ao fim de cada sete anos, precisamente no ano da remissão, na Festa dos Tabernáculos, quando todo o Israel vier a comparecer perante o SENHOR, teu Deus, no lugar que este escolher, lerás esta lei diante de todo o Israel. Ajuntai o povo, os homens, as mulheres, os meninos e o estrangeiro que está dentro da vossa cidade, para que ouçam, e aprendam, e temam o SENHOR, vosso Deus, e cuidem de cumprir todas as palavras desta lei; para que seus filhos que não a souberem ouçam e aprendam a temer o SENHOR, vosso Deus, todos os dias que viverdes sobre a terra à qual ides, passando o Jordão, para a possuir(Dt 31.9-13).

[2]Descrevendo a função dos mestres do Antigo Testamento, Downs comenta: “O professor ensinava o povo a obedecer aos mandamentos de Deus, não simplesmente a conhecê-los. De fato, o conhecimento era tão ligado com a ação na mente hebraica que as pessoas não podiam afirmar saber o que elas não praticavam” (Perry G. Downs, Introdução à Educação Cristã: Ensino e Crescimento, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, p. 26).

[3] Sobre os usos da palavra hebraica, vejam-se: E.H. Merrill, dml: In: Willem A. VanGemeren, org., Novo Dicionário Internacional de Teologia e Exegese do Antigo Testamento, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, v. 2, p. 800-802; Walter C. Kaiser, Lâmad: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, p. 790-791; K.H. Rengstorf, Manqa/nw, etc.: In: G. Friedrich; G. Kittel, eds. Theological Dictionary of the New Testament, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1983 (Reprinted), v. 4, p. 400-405 (especialmente); p. 426-441 (especialmente); A.S. Kapelrud, damfl, etc., In: G. Johannes Botterweck; Helmer Ringgren; Heinz-Josef Fabry, eds., Theological Dictionary of the Old Testament, Grand Rapids, MI.: Eerdmans, 2001, v. 8, p. 4-10. Para uma visão mais ampla, que foge aos objetivos desta nota, vejam-se: A.W. Morton, Educação nos Tempos Bíblicos: In: Merrill C. Tenney, org. ger., Enciclopédia da Bíblia, São Paulo: Cultura Cristã, 2008, v. 2, p. 261-280; Hermisten M.P. Costa, Introdução à Educação Cristã, Brasília, DF.: Monergismo, 2013.

[4]“A ideia essencial (…) representa um modo de pensar e uma atitude para com as experiências da vida, incluindo questões de interesse geral e moralidade básica. Tais assuntos se relacionam à prudência em negócios seculares, habilidades nas artes, sensibilidade moral e experiência nos caminhos do Senhor” (Louis Goldberg, Hãkam: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 459). Em síntese, envolve a capacidade de discernir entre o bem e o mal. Veja-se: Robert B. Girdlestone, Synonyms of the Old Testament, Grand Rapids, MI.: Eerdmans, 1981 (Reprinted), p. 74.

[5] Vejam-se também: Pv 10.14; 11.9; 12.1; 13.16; 14.6; 19.25; 21.11; 23.12.

[6] Nas Escrituras, seguir a instrução de Deus é o mesmo que andar na luz: “Irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e a palavra do Senhor, de Jerusalém (…) Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz (rAa) (‘ôr) do Senhor” (Is 2.3,5). “Atendei-me, povo meu, e escutai-me, nação minha; porque de mim sairá a lei, e estabelecerei o meu direito como luz (rAa) (‘ôr) dos povos” (Is 51.4). (Para um estudo mais pormenorizado do emprego da palavra no Antigo Testamento, ver: Herbert Wolf, ‘ôr: In: R. Laird Harris, et. al., eds. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 38-42; William Gesenius, Hebrew-Chaldee Lexicon to the Old Testament, 3. ed. Michigan: WM. Eerdmans Publishing Co. 1978, p. 23).

[7] O verbo (!yBii) (bîyn) e o substantivo (hn”yBi) (bîynâh) apresentam a ideia de um entendimento, fruto de uma observação demorada, que nos permite discernir para interpretar com sabedoria e conduzir os nossos atos. “O verbo se refere ao conhecimento superior à mera reunião de dados. (…) Bîn é uma capacidade de captação julgadora e perceptiva e é demonstrada no uso do conhecimento” (L. Goldberg, Bîn: In: L. Harris, et. al., eds., Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 172).

!yBii (bîyn) permite diversas traduções (ARA): Acudir (Sl 5.1) (No sentido de considerar); Ajuizado (Gn 41.33,39); Atentar (Dt 32.7,29; Sl 28.5); Atinar (Sl 73.17; 119.27); Considerar (Jó 18.2; 23,15; 37.14); Contemplar (Sl 33.15); Cuidar (Dt 32.10); Discernir (1Rs 3.9,11; Jó 6.30; 38.20; Sl 19.12); Douto (Dn 1.4); Ensinar (Ne 8.7,9); Entender/entendido/entendimento (Dt 1.13;4.6; 1Sm 3.8; 2Sm 12.19; 1Rs 3.12;1Cr 15.22; 27.32; 2Cr 26.5; Ed 8.16; Ne 8.2,3,8,12; 10.28; Jó 6.24;13.1; 15.9; 23.5; 26.14; 28.23; 32.8,9; 42.3); Fixar no sentido de pensar detidamente (Jó 31.1); Inteligência (Dn 1.17); Mestre (no sentido de expert) (1Cr 25.7,8); Penetrar (com o sentido de discernir) (1Cr 28.9; Sl 139.2); Perceber (Jó 9.11;14.21; 23.8); Perito (Is 3.3); Procurar (Sl 37.10); Prudentemente (2Cr 11.23); Reparar (1Rs 3.21); Revistar (procurar atentamente) (Ed 8.15); Saber/Sabedoria (Ne 13.7; Pv 14.33); “Sisudo” em palavras (1Sm 16.18); Superintender (por ter maior conhecimento) (2Cr 34.12). A LXX geralmente emprega a palavra Suni/hmi (syniêmi) para traduzir o verbo hebraico. Suni/hmi (syniêmi) envolve a ideia de reunir as coisas, analisá-las, tentando chegar a uma conclusão por meio de uma conexão das partes (*Mt 13.13,14,15,19,23,51; 15.10; 16.12; 17.13; Mc 4.12; 6.52; 7.14; 8.17,21; Lc 2.50; 8.10; 18.34; 24.45; At 7. 25 (duas vezes); 28.26,27; Rm 3.11; 15.21; 2Co 10.12; Ef 5.17). Paulo instrui aos efésios: “Vede prudentemente como andais, não como néscios, e, sim, como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão não vos torneis insensatos, mas procurai compreender (Suni/hmi) qual a vontade do Senhor” (Ef 5.15-17).

[8] Por isso mesmo Deus nos convida a um exame de Sua Palavra. Nela temos os Seus ensinamentos e promessas que, de fato, podem iluminar os nossos olhos, apontando e nos capacitando a seguir o Seu caminho. “Porque o mandamento é lâmpada, e a instrução, luz (rAa) (‘ôr)….” (Pv 6.23). Esta é a experiência do salmista: “Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro e ilumina (rAa) (‘ôr) os olhos” (Sl 19.8). “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz (rAa) (‘ôr) para os meus caminhos” (Sl 119.105). Nas Escrituras, seguir a instrução de Deus é o mesmo que andar na luz: “Irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte do SENHOR e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e a palavra do SENHOR, de Jerusalém (…) Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz (rAa) (‘ôr) do SENHOR” (Is 2.3,5). “Atendei-me, povo meu, e escutai-me, nação minha; porque de mim sairá a lei, e estabelecerei o meu direito como luz (rAa) (‘ôr) dos povos” (Is 51.4). (Para um estudo mais pormenorizado do emprego da palavra no Antigo Testamento, vejam-se: H. Wolf, ‘ôr: In: L. Harris, et. al., eds., Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 38-42; William Gesenius, Hebrew-Chaldee Lexicon to the Old Testament, 3. ed. Michigan: WM. Eerdmans Publishing Co. 1978, p. 23).

[9]“O simples (ytiP.) (pethiy) dá crédito a toda palavra, mas o prudente atenta (yBi) (biyn) para os seus passos” (Pv 14.15).

[10]Cf. L. Goldberg, Petî: In: L. Harris, et. al., eds., Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 1249. Para um estudo mais detalhado da palavra, veja-se: M. Saebo, Pth: In: E. Jenni; C. Westermann, eds., Diccionario Teologico Manual Del Antiguo Testamento, Madrid: Ediciones Cristiandad, 1985, v. 2, p. 624-628.

[11]“Até quando, ó néscios (ytiP) (pethiy), amareis a necedade (ytiP) (pethiy)? E vós, escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós, loucos, aborrecereis o conhecimento?” (Pv 1.22).

[12]John F. MacArthur Jr., Adotando a Autoridade e a Suficiência das Escrituras: In: J.F. MacArthur Jr., ed. ger., Pense Biblicamente!: recuperando a visão cristã do mundo, São Paulo: Hagnos, 2005, p. 39. Veja-se também: J.F. MacArthur Jr., Nossa Suficiência em Cristo, São José dos Campos, SP: Fiel, 1995, p. 68.

[13]Em muitos casos, como neste, a palavra está associada ao ouvir a Palavra de Deus (Vejam-se: Jo 12.38; Rm 10.16,17; Gl 3.2,5; 1Ts 2.13; Hb 4.2; 5.11). Sobre as palavras a)kou/w e a)koh//, vejam-se: W. Mundle, Ouvir: In: Colin Brown, ed. ger. O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1981-1983, v. 3, p. 362-368; G. Kittel, a)kou/w: In: G. Kittel; G. Friedrich, eds. Theological Dictionary of the New Testament, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1983 (Reprinted), v. 1, p. 216-222 (especialmente); G. Schneider, a)kou/w: In: Horst Balz; G. Schneider, eds. Exegetical Dictionary of the New Testament, Grand Rapids, MI.: Eerdmans, 1999 (Reprinted), v. 1, p. 52-54. Para uma aplicação mais ampla das palavras gregas, veja-se: Hermisten M.P. Costa, Efésios – O Deus Bendito, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, p. 93-98.

Saber ouvir, uma virtude teológica (2)

Este texto é continuação do artigo: Saber ouvir, uma virtude teológica (1)

 


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A. Igreja de Corinto: exortação e disciplina

 

Paulo dispôs de várias informações concernentes à igreja de Corinto. As fontes pareciam ser distintas. Contudo, apontavam em direção semelhante. A igreja vivia em contendas, divisões, imoralidade, arrogância e conivência. Paulo na primeira carta escreve exortando a igreja e promove a disciplina de um irmão que praticava grave pecado de imoralidade:

 

Pois a vosso respeito, meus irmãos, fui informado (dhlo/w) (= relatar, declarar, revelar, tornar claro, dar a entender),[1] pelos da casa de Cloe, de que há contendas entre vós (1Co 1.11).

 

Porque, antes de tudo, estou informado (a)kou/w) haver divisões entre vós quando vos reunis na igreja; e eu, em parte, o creio (1Co 11.18).

 

Geralmente, se ouve (a)kou/w) que há entre vós imoralidade (pornei/a) (impureza,[2] devassidão,[3] prostituição,[4] relações sexuais ilícitas[5]) e imoralidade (pornei/a) tal, como nem mesmo entre os gentios, isto é, haver quem se atreva a possuir a mulher de seu próprio pai. 2 E, contudo, andais vós ensoberbecidos e não chegastes a lamentar, para que fosse tirado do vosso meio quem tamanho ultraje praticou? 3 Eu, na verdade, ainda que ausente em pessoa, mas presente em espírito, já sentenciei, como se estivesse presente. (1Co 5.1-3).

 

Esse caso era recorrente em Corinto. Mais tarde, quando escreve a segunda carta que temos, diz com tristeza:

 

Receio que, indo outra vez, o meu Deus me humilhe no meio de vós, e eu venha a chorar por muitos que, outrora, pecaram e não se arrependeram da impureza (a)kaqarsi/a), prostituição (pornei/a) e lascívia (a)se/lgeia)[6] (= devassidão, licenciosidade, libertinagem) que cometeram. (2Co 12.21).

B. Igreja de Tessalônica: Instruções quanto à ética cotidiana

A despeito de uma fé viva e operante entre os crentes tessalonicenses, havia alguns que por motivos pretensamente escatológicos eram inclinados a abandonar o trabalho, vivendo desordenadamente, não trabalhando, encostando-se a outros, se intrometendo na vida de seus irmãos em questões que não eram de sua alçada. Paulo insiste em lembrar a estes “piedosos preguiçosos” o seu testemunho (1Ts 2.9; 4.11; 2Ts 3.7-9) e ratificar seus ensinamentos:

 

10 Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar, também não coma. 11 Pois, de fato, estamos informados (a)kou/w) de que, entre vós, há pessoas que andam desordenadamente (a)ta/ktwj)[7] (= imoderadamente), não trabalhando; antes, se intrometem na vida alheia. 12 A elas, porém, determinamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando tranquilamente, comam o seu próprio pão. (2Ts 3.10-12).

 

C. Igreja de Filipos: uma doce expectativa

 

Paulo tinha um carinho muito especial pelos filipenses. De fato, esta igreja era bastante amorosa para com o seu apóstolo e mesmo para com os necessitados da igreja em geral. Paulo revela o seu santo desejo quanto à unidade e perseverança da igreja: “Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça (a)kou/w), no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica” (Fp 1.27).

 

D. Igreja de Colossos: Gratidão a Deus

 

À semelhança do que vemos em Éfeso, Paulo ouviu a respeito da fidelidade e do amor da igreja de Colossos e, por isso, dá graças a Deus:

 

 3Damos sempre graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, quando oramos por vós, 4desde que ouvimos (a)kou/w) da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos os santos (Cl 1.3-4).

8O qual [Epafras] também nos relatou (dhlo/w) (= declarar, revelar, dar a entender) do vosso amor no Espírito. 9Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos (a)kou/w), não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual. (Cl 1.8-9/Fm 4-5).

 

E. Filemon: um testemunho de amor e fé

 

Onésimo era um escravo que fugira da casa de seu senhor.[8] Talvez, para a fuga, tenha lhe extorquido algum bem ou dinheiro. No entanto, teve o seu encontro com Paulo em Roma e converteu-se sinceramente a Cristo (Fm 10). Paulo mesmo se afeiçoando a ele, o envia de volta ao seu senhor, Filemon, um cristão sincero e influente de Colossos.

 

Paulo escreve a Carta a Filemon pedindo que Onésimo fosse perdoado e aceito de volta (Fm 10-12/Cl 4.9). A dívida de Onésimo, incluindo seus dias sem trabalhar, seria paga pelo próprio apóstolo (Fm 19).[9] Aqui temos uma expressão magnífica da misericórdia cristã que começa com a nossa aceitação perante Deus (Fm 12,19b/Fm 9).

 

Um dos motivos que impulsionaram Paulo a pedir isso é porque sabia por experiência própria, e também ouvira a respeito, do amor de Filemon a Deus e a seus irmãos na fé. Estando ciente (a)kou/w)(= ouvir) do teu amor e da fé que tens para com o Senhor Jesus e todos os santos” (Fm 5).

 

 

São Paulo, 28 de novembro de 2018.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa

 


 

[1] Vejam-se: W. Mundle, Revelação: In: Colin Brown, ed. ger. O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1981-1983, v. 4, p. 226-227; R. Bultmann, dhlo/w: In: G. Kittel; G. Friedrich, eds. Theological Dictionary of the New Testament, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1982 (Reprinted), v. 2, p. 61-62; G. Schunack, dhlo/w: In: Horst Balz; G. Schneider, eds. Exegetical Dictionary of the New Testament, Grand Rapids, MI.: Eerdmans, 1999 (Reprinted), v. 1, p. 294-295.

[2]1Co 6.13,18; 7.2.

[3] Ap 17.2.

[4]2Co 12.21; Cl 3.5; 1Ts 4.3, etc.

[5] Mt 5.32; At 15.20 etc.

[6] *Mt 7.22; Rm 13.13; 2Co 12.21; Gl 5.19; Ef 4.19; 1Pe 4.3; 2Pe 2.2,7,18; Jd 4.

[7] *2Ts 3.6,11. O verbo (a)takte/w) só ocorre em 2Ts 3.7. Curiosamente estas palavras só são empregadas por Paulo e, na segunda carta aos tessalonicenses.

[8]Onésimo, cujo nome significa “útil”, no período do Novo Testamento era um nome comum de modo especial para um escravo (Cf. F. Foulkes, Onésimo: In: Merrill C. Tenney, org. ger., Enciclopédia da Bíblia, São Paulo: Cultura Cristã, 2008, v. 4, p. 645).

[9]“Visto que a lei romana requeria que qualquer que hospedasse um escravo fugitivo deveria pagar ao senhor do escravo o valor de cada dia de trabalho perdido, pode ser que a promessa de Paulo de colocar-se como fiador (v. 19) seja nada mais do que assegurar a Filemon de que ele pagará pelo valor provocado pela ausência de Onésimo ao trabalho” (R.P. Martin, Filemon, Epístola a: In: Merrill C. Tenney, org. ger., Enciclopédia da Bíblia, São Paulo: Cultura Cristã, 2008, v. 2, p. 822).